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Q1621927 Português

Leia o poema A chuva, de H. Dobal, e responda à questão a seguir.


A chuva


A chuva cata segredos

nas folhas vivas da tarde.

O leve passar do vento,

o lento passar do tempo

nas folhas vivas da tarde.

E a chuva a chuva,

as águas doces da chuva,

no lento apodrecer

das folhas mortas da tarde

vão despertando os segredos da vida.


(H. Dobal)


Disponível em: https://www.geleiatotal.com.br/2018/12/24/ a-chuva-de-h-dobal/. Acesso em: 10 jul. 2019. 

No primeiro verso do poema, está presente a seguinte figura de linguagem:
Alternativas

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Tema central: Figuras de linguagem – Prosopopeia (Personificação)

O tema da questão envolve interpretação de texto com foco em figuras de linguagem, conteúdos sempre recorrentes em provas de Assistente em Administração. O candidato deve identificar que tipo de recurso estilístico foi utilizado pelo autor no primeiro verso do poema: “A chuva cata segredos”.

Pela norma-padrão, prosopopeia (também chamada de personificação) é a figura de linguagem que atribui sentimentos, ações ou qualidades humanas a seres inanimados ou irracionais. Como explicam Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Cunha & Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), trata-se de um recurso que enriquece o texto poético, tornando naturais fenômenos próximos do leitor.

No verso analisado, “A chuva cata segredos”, o poeta descreve a chuva, um fenômeno natural, como se ela tivesse a capacidade humana de “catar” (procurar, recolher) segredos. Este é o ponto central: um ser inanimado realizando uma ação tipicamente humana.

Assim, a alternativa correta é: B) prosopopeia.

Análise das alternativas incorretas:

A) Metonímia: ocorre quando há troca de uma palavra por outra próxima no sentido, sem personificação. Não há esse caso aqui.
C) Ironia: é quando o sentido real é oposto ao que está explícito, utilizado para crítica ou deboche, o que não acontece neste contexto.
D) Aliteração: repetição de consoantes para efeito sonoro, mas não há, nesse verso, repetição relevante ou destaque para o som.
E) Eufemismo: suaviza uma ideia desagradável, o que não ocorre na expressão analisada.

Estratégia de prova: Sempre releia o verso ou frase em questão e pergunte-se: o termo está “ganhando vida” humana? Se sim, é indício de prosopopeia! Evite confundir com expressões subjetivas ou apenas emotivas.

Resumo: Identifique ações humanas atribuídas a não humanos — esta é a chave da prosopopeia.

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Em palavras breves, as figuras de linguagem são recursos expressivos utilizados com objetivo de gerar efeitos no discurso. Dentro do extenso grupo em que se arrolam esses recursos, existem quatro subdivisões: figura de palavra, figura de construção, figura de sintaxe e figura de som.

Inspecionemos o primeiro verso:

"A chuva cata segredos (...)"

Há conferência de ações, qualidades ou sentimentos humanos a seres inanimados. Também é utilizada para emprestar vida e ação, não necessariamente humanas, a seres inanimados, a coisas. No caso em tela, o sujeito "chuva" está personificado, praticando uma ação que não lhe é competente. Essa característica refere-se à personificação, prosopopeia ou animismo. Outros exemplos:

“O carrinho tem pouco serviço e passa mor parte do tempo no depósito.” (Monteiro Lobato)

“Os sinos chamam para o amor.” (Mario Quintana)

“(...) o sol, no poente, abre tapeçarias...” (Cruz e Sousa)

“Um frio inteligente (...) percorria o jardim...” (Clarice Lispector)

“A noite surpreendeu-os sorrindo.” (Murilo Rubião)

a) metonímia

Incorreto. Pode como definida por relações reais de ordem qualitativa que levam a empregar metonimicamente uma palavra por outra, a designar uma coisa com o nome de outra. Exs.: ler José de Alencar (o livro de José de Alencar), beber o copo de cachaça (beber a cachaça).

b) prosopopeia

Correto. Vide acima;

c) ironia

Incorreto. É a figura pela qual se diz o contrário do que se intenciona. Exs.:

“Nunca se afizera ao regime novo — essa indecência de negro igual a branco.” (Monteiro Lobato)

“E a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem.” (Carlos Drummond de Andrade)

“A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças.” (Monteiro Lobato)

d) aliteração

Incorreto. Trata-se d repetição de fonema vocálico (em relação a vogais) ou consonântico (em relação a consoantes) igual ou parecido, para descrever ou sugerir acusticamente o que temos em mente, quer por meio de uma só palavra, quer por unidades mais extensas.

Bramindo o negro mar, de longe brada.” (Luís de Camões)

Vozes veladas, veludosas vozes [...].” (Cruz e Sousa)

Boi bem bravo. Bate baixo, bota baba, boi berrando.” (Guimarães Rosa)

e) eufemismo

Incorreto. É o emprego de uma palavra ou expressão branda para se evitar o teor desagradável da mensagem. Exs.:

“Agora que o meu pobre amigo jaz a dormir o derradeiro sono.” (Monteiro Lobato)

“E lá apanhei a doença que me pôs a noite nos olhos.” (Monteiro Lobato)

Respectivamente, há eufemismo para a morte e para a cegueira.

Letra B

GABARITO B

A prosopopeia é ou personificação consiste em dar qualidade, sentimentos ou atribuir ações aos seres inanimados.

A chuva cata .....

Assertiva B

figura de linguagem: prosopopeia

Metonímia: Troca de palavras que possuam um valor semelhante.

Prosopopeia: Características humanas a seres inanimados.

Ironia: Contradizer uma informação.

Aliteração: Sons consonantais sendo repetidos.

Eufemismo: Suavização.

Prosopopeia ou personificação: Consiste em se atribuir a um ser inanimado ou a um animal ações próprias dos seres humanos. A areia chorava por causa do calor. As flores sorriam para ela.

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