O texto lido é uma crônica, gênero textual curto que relata ...
I. As impressões percebíveis na leitura do texto são de uma pessoa que não sabe absolutamente nada sobre o serviço doméstico.
II. Apesar de tratar de um fato corriqueiro, o autor emprega uma linguagem formal, isto é, ausência de uma linguagem coloquial.
III. Ainda que a crônica apresente características humorísticas, o autor reflete sobre as limitações encontradas por muitas pessoas que não conseguem resolver os problemas de casa.
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Gabarito comentado
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Gabarito: D) I e III.
Tema central: Interpretação de texto e análise do uso da linguagem coloquial em crônica.
A questão avalia a capacidade de compreender o texto, reconhecer o tom e a intenção do autor, além de diferenciar linguagem formal e coloquial – habilidade essencial para a leitura atenta, esperada de candidatos à área jurídica.
Justificativa da alternativa correta:
I. Correta. O narrador demonstra, por meio de situações cômicas (não enche as garrafas de água, não entra na cozinha, roupas acumuladas), desconhecimento e inaptidão para tarefas domésticas. Esta impressão é transmitida de forma clara no texto, inclusive com tom autodepreciativo e humorístico – aspecto típico da crônica segundo Celso Cunha & Lindley Cintra (“Nova Gramática...”): “O autor da crônica atua como personagem e se expõe à ironia do cotidiano”.
II. Incorreta. Há erro conceitual: o texto usa linguagem coloquial, próxima do cotidiano e da oralidade, como é típico da crônica moderna. Frases como “comecei a sentir no ar um vago mau cheiro” e comparações informais (“farejando como um perdigueiro”) reforçam esse aspecto. Segundo Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), a linguagem coloquial caracteriza-se pela espontaneidade e proximidade, em oposição à formalidade dos gêneros oficiais.
III. Correta. O texto, embora divertido, reflete sobre a dificuldade enfrentada por quem depende de terceiros para gerenciar o próprio lar. O narrador, ao expor suas limitações, evoca uma situação comum ao leitor, promovendo reflexão a partir do humor. Trata-se de uma crítica sutil e humanizada da dependência doméstica, alinhada ao propósito da crônica: provocar identificação e reflexão, com leveza.
Análise das alternativas:
A) II – Incorreta. Desconsidera o uso da linguagem coloquial.
B) III – Incorreta. Ignora a validade da afirmativa I.
C) I e II – Incorreta. Inclui uma afirmativa (II) objetivamente errada.
D) I e III – Correta. Apenas essas afirmativas estão de acordo com o texto e com uma leitura atenta.
Dica: Em questões de interpretação, atente-se ao tom e à linguagem do gênero textual. Crônicas tendem à oralidade, ironia ou leveza, raramente à formalidade rígida.
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Comentários
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Ele não fazer é muito diferente dele não saber fazer "absolutamente nada"
Não entendi por a I está correta.
onde está a linguagem coloquial?
I. Correto. O texto mostra que o narrador não tem experiência com tarefas domésticas, o que se reflete nas situações em que ele se vê desamparado, como o acúmulo de roupas e o mau cheiro na casa.
III. Correto. O autor usa o humor para destacar a situação desconfortável em que se coloca, mas também reflete sobre como a falta de habilidades domésticas pode gerar problemas.
II- ERRADA:
A linguagem coloquial no texto está presente em várias escolhas linguísticas que aproximam o narrador do leitor, conferindo um tom descontraído e cotidiano. Eis alguns exemplos:
- Expressões informais e tom de conversa
- "Aos poucos, porém, passei a desejar ardentemente essa volta."
- O narrador relata seus sentimentos de forma simples e direta, como se estivesse conversando com alguém.
- "Depois saí farejando o ar aqui e ali como um perdigueiro."
- A comparação com um perdigueiro (um cão de caça) é descontraída e bem-humorada, típica de uma linguagem coloquial.
- Uso de hipérboles para causar humor
- "A geladeira começou a fazer gelo por todos os lados – só não tinha água gelada, pois não me lembrara de encher as garrafas."
- Essa descrição exagerada é característica de uma narração informal e humorística.
- Palavras e expressões do dia a dia
- "A um canto do quarto um monte de roupas crescia."
- O verbo "crescia" é usado de maneira figurada e bem-humorada, conferindo um tom leve e acessível.
- Tom autodepreciativo
- "Intrigado, olhei as solas dos sapatos, para ver se havia pisado em alguma coisa lá na rua."
- O narrador ri de si mesmo ao relatar sua tentativa frustrada de descobrir a origem do mau cheiro, característica de um texto mais próximo do cotidiano.
Esses elementos criam um texto que, apesar de bem estruturado, foge da rigidez formal e adota um tom mais próximo e envolvente, típico da linguagem coloquial.
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