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Q2007274 Português
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As instituições sociedades se configuram em padrões econômicos, culturais e ético-políticos. Esses padrões são correlatos de uma ordem historicamente construída. A ordem social pode ser chamada de “autogerada” somente no sentido em que ela resulta da atividade dos seres humanos, que são seres sociais, não sendo, portanto, definida por um ser supremo fora de nosso mundo, nem muito menos resultante meramente de nossas tendências biológicas, tais como se verificaria numa colmeia ou num formigueiro. A ordem social é autogerada coletivamente a partir da produção e reprodução coletiva da existência humana. Essa empreita, transformando-se constantemente de acordo com as reconfigurações da correlação de forças econômicas e ético-políticas, possui uma dimensão histórica radical, pois tudo está em um processo, em um “devir” contínuo.

A história não dá saltos, nada acontece sem ter sido preparado, sem que condições específicas não tivessem possibilitado o advento do novo. A ordem social é construída historicamente e só é criticamente compreensível segundo a configuração das forças sociais em dado momento, o que pode ser investigado a partir da pergunta sobre a quem ela serve. Essas forças expressam o entrelaçamento das relações de poder econômico, político, técnico-científico, comunicativo e bélico.
   
Devido ao caráter instável da configuração e constituição social, nenhuma ordem, padrão de reconhecimento entre as pessoas, em relação ao qual se estabelece o que cabe a cada uma fazer, ceder, oferecer e receber, deve ser entendida fora do processo contraditório de destruição e criação de padrões, da desordem que lhe é correlata, das ações que não se enquadram nos padrões de reconhecimento estabelecidos num determinado momento, mas que os tornam relativos.
     
O poder público tem-se definido como esquema de constrangimento, capacidade de definir prioridades para a coletividade, controle dos meios de produção e reprodução da existência social e dos meios de persuasão e de repressão. A sociedade é desigual porque a partilha do poder econômico gera diferenças históricas definidas pela divisão social do trabalho e da propriedade. Assim, a desigualdade de poder de consumo é apenas a ponta do iceberg da configuração das forças sociais, do processo histórico segundo o qual uma sociedade se constitui. A ordem expressa nas leis constitucionais que modulam juridicamente uma sociedade reflete e justifica a configuração de forças históricas, que define como os frutos da cooperação social são diferentemente apropriados.

SILVA, S. R. Ética pública e formação humana. Educ. Soc., Campinas, vol. 27, n. 96 - Especial, p. 645-665, out. 2006. p. 648-649. Disponível em http://www.cedes.unicamp.br (com adaptações).
O sinal indicativo de crase está corretamente empregado em todas as suas ocorrências somente no item:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão exige o domínio da regra de crase (acento indicativo da fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”) na da Língua Portuguesa, ponto frequentemente explorado em provas de concursos públicos devido à alta incidência de dúvidas e “pegadinhas”.

Regra fundamental: Segundo Evanildo Bechara e a gramática padrão, a crase ocorre quando há a combinação da preposição “a” (exigida por verbo, nome ou locução) com o artigo feminino “a(s)” ou pronomes demonstrativos iniciados por “a”. Substantivos masculinos recebem crase, assim como pronomes pessoais, nomes de cidades sem artigo, verbos etc.

✅ Alternativa Correta: C “Frente à grande batalha pela igualdade social, o indivíduo se vê subjugado pelas forças históricas que o levam à falta de esperança.” A crase está bem empregada: — “frente a” é locução prepositiva que pede o artigo “a” para “batalha”; — o verbo “levar” exige a preposição “a”, e “falta” admite artigo feminino. Exemplo: “Ele vai à escola.” Tudo correto segundo a norma!

❌ Análise das alternativas incorretas:

“à países do ocidente pobre”Erro: não existe crase antes de (“países”). O correto seria .

“ilude àqueles que se aventuram à tarefa”Erro: o verbo “iludir” é transitivo direto, , logo, não deveria haver crase antes de “àqueles”. Só ocorreria crase se houvesse preposição, como em “dirigiu-se àqueles”. “À tarefa” está correto.

“condicionada à relações de poder”Erro: com plural, a fusão é preposição “a” + artigo “as” = “às”, mas o ideal aqui seria “às relações de poder”. Já “à análises” está adequado (a quem se presta? Às análises). Mas como na frase o plural foi omitido, o uso ficou errado.

Estratégia para provas: Sempre que tiver dúvida, verifique 1) se a palavra seguinte é feminina e aceita artigo; 2) se o termo anterior exige preposição “a”. E lembre-se: use crase antes de palavras masculinas!

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Comentários

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A)  A crase nunca ocorre para introduzir sujeito, pois não existe sujeito preposicionado.

Países é palavra masculina - os países, desse modo não há crase.

B) A forma verbal "ilude" rege objeto direto. Ilude algo ou alguém. Não tem preposição, não tem crase.

"aventuram à tarefa" uso correto da crase.

C) correto

A regência do termo "frente" (que exige a preposição a) + artigo definido a + palavra feminina.

A regência do verbo "levar" (VTDI) + artigo definido a + palavra feminina.

D) Não se usa crase diante de substantivos femininos usados em sentido geral e indeterminado como é o caso de ambas situações.

GABARITO: LETRA C

ACRESCENTANDO:

Tudo o que você precisa para acertar qualquer questão de CRASE:

I - CASOS PROIBIDOS: (são 15)

1→ Antes de palavra masculina

2→ Antes artigo indefinido (Um(ns)/Uma(s))

3→ Entre expressões c/ palavras repetidas

4→ Antes de verbos

5→ Prep. + Palavra plural

6→ Antes de numeral cardinal (*horas)

7→ Nome feminino completo

8→ Antes de Prep. (*Até)

9→ Em sujeito

10→ Obj. Direito

11→ Antes de Dona + Nome próprio (*posse/*figurado)

12→ Antes pronome pessoal

13→ Antes pronome de tratamento (*senhora/senhorita/própria/outra)

14→ Antes pronome indefinido

15→ Antes Pronome demonstrativo(*Aquele/aquela/aquilo)

II - CASOS ESPECIAIS: (são7)

1→ Casa/Terra/Distância – C/ especificador – Crase

2→ Antes de QUE e DE → qnd “A” = Aquela ou Palavra Feminina

3→ à qual/ às quais → Consequente → Prep. (a)

4→ Topônimos (gosto de/da_____)

a) Feminino – C/ crase

b) Neutro – S/ Crase

c) Neutro Especificado – C/ Crase

5→ Paralelismo

6→ Mudança de sentido (saiu a(`) francesa)

7→ Loc. Adverbiais de Instrumento (em geral c/ crase)

III – CASOS FACULTATIVOS (são 3):

1→ Pron. Possessivo Feminino Sing. + Ñ subentender/substituir palavra feminina

2→ Após Até

3→ Antes de nome feminino s/ especificador

IV – CASOS OBRIGATÓRIOS (são 5):

1→ Prep. “A” + Artigo “a”

2→ Prep. + Aquele/Aquela/Aquilo

3→ Loc. Adverbiais Feminina

4→ Antes de horas (pode está subentendida)

5→ A moda de / A maneira de (pode está subentendida)

FONTE: Português Descomplicado - Professora Flávia Rita.

Tony, crase é só isso ? Então é simples demais ! .... Faltaram os exemplos de cada caso ....pra entender melhor .

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