Ao dizer que alguém “está com Chagas” para se referir a algu...
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Gabarito comentado
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Tema cobrado: figuras de linguagem (semântica).
Estratégia para resolver: identifique se há substituição de um termo por outro com vínculo de sentido. Pergunte-se: há exagero? há comparação explícita? há “descrição em vez do nome”? ou há troca de um nome próprio pelo fenômeno/objeto a ele associado? Se for essa última, o caminho é a metonímia.
Alternativa correta: E — metonímia
Em “está com Chagas”, o sobrenome do pesquisador (Carlos Chagas) substitui a doença que leva seu nome (“doença de Chagas”). Há, portanto, a troca de um termo por outro com relação de contiguidade (o descobridor pela doença descoberta), o que caracteriza metonímia. Exemplos análogos: “Li Machado de Assis” (autor pela obra), “Tomou um Nescau” (marca pelo produto).
Base normativa: as gramáticas de referência classificam a metonímia como figura que substitui um termo por outro com afinidade semântica de contiguidade (cf. Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo; Cegalla, Novíssima Gramática).
Por que as demais estão incorretas?
A) Hipérbole — é exagero deliberado para enfatizar uma ideia (ex.: “Esperei uma eternidade”). No enunciado, não há exagero; há substituição de termos, logo, não é hipérbole.
B) Silepse — é concordância ideológica, não literal, de pessoa, número ou gênero (ex.: “O povo queremos mudança”; “Vossa Excelência está enganado”). O caso não envolve concordância, e sim nomeação, portanto, não é silepse.
C) Perífrase — também chamada de antonomásia, é dizer por meio de uma expressão descritiva (ex.: “A Cidade Maravilhosa” = Rio de Janeiro; “O Rei do Futebol” = Pelé). Embora “doença de Chagas” possa funcionar como perífrase de “tripanossomíase americana”, o enunciado focaliza “Chagas” sozinho no lugar do nome da doença, o que é metonímia (descobridor pela doença).
D) Comparação — exige conectores comparativos explícitos (ex.: “como”, “tal qual”, “parece”). Não há comparação no trecho; há substituição nominal. Logo, não se trata de comparação.
Pegadinha frequente: confundir perífrase/antonomásia com metonímia. Regra prática: se for uma descrição no lugar do nome (ex.: “astro-rei” = Sol), é perífrase; se for a troca por um nome associado (autor, descobridor, marca, lugar etc.), é metonímia — como em “está com Chagas”.
Ortografia (VOLP/ABL): hipérbole, silepse, perífrase, comparação, metonímia — todas grafias e acentuações confirmadas no VOLP. Atenção ao acento agudo em hipérbole, perífrase e metonímia.
Gabarito: E — metonímia.
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Comentários
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Letra E) Metonímia, pois substituiu a palavra " está com a doença de tripanossomíase americana" por " doença de Chagas" ou vulgarmente falando " está com Chagas"
Gab: Letra E
Produto pela marca, parte pelo todo. Exemplo: preciso comprar bombril. (Bombril: palha de aço).
silepse ocorre quando um termo concorda não com o outro termo expresso na frase, mas com uma ideia subentendida ou com o sentido geral da expressão. Exemplos: "Vossa Majestade é orgulhoso." "O povo corria desesperado, gritavam por socorro."
A perífrase, também chamada de circunlóquio, é uma figura de linguagem que substitui um termo por uma expressão mais longa, destacando características ou atributos que o identificam de forma única. Exemplos: “A cidade luz é bela.” (referência a Paris.) "Saudemos o astro-rei!" (referência ao sol)
Metonímia x Perífrase
1. Metonímia
Substituição por proximidade real: autor pela obra, marca pelo produto, lugar pela coisa etc.
Exemplo:
“Comprei um Nike.” (marca pelo produto)
“Li Camões.” (autor pela obra)
2. Perífrase (ou Antonomásia, quando usada para pessoas)
Substituição do nome por uma expressão que o caracteriza.
Exemplo:
“O rei do pop” (em vez de Michael Jackson)
“A cidade maravilhosa” (em vez de Rio de Janeiro)
“A terra do sol nascente” (em vez de Japão)
Diferença-chave:
Metonímia: relação direta e concreta (autor-obra, parte-todo etc.).
Perífrase: usa uma descrição ou característica marcante em vez do nome direto.
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