No texto, é exemplo de linguagem figurada a expressão desta...
Ao deparar-me com o vendaval poético das crianças de 1o grau, na época em que servi de animadora dos Ateliês de Literatura no Colégio Internacional de Curitiba, fiquei entre espantada e admirada com a porosidade infantil diante do universo das palavras e do contato com o universo em geral. Não houve nenhum “abracadabra” mágico que servisse para provocar a expressão poética infantil. Se tive alguma contribuição nesta vivência, foi a de percebê-las curiosas, criadoras, articuladoras e poetas. O privilégio de poder sintonizar- -me poeticamente com as crianças e poder fruir momentos inesquecíveis de criação, percepção e descoberta no campo da poesia devo, sem dúvida alguma, à educação poética recebida nos primeiros anos de vida, no ambiente familiar.
Na sala de aula, tudo era motivo para o acontecimento poético surpreender-me: “(...) cai uma folha; algo passa voando / o que olham os olhos criado seja / e a alma do ouvinte tremendo esteja (...)”. A voz do poeta [Vicente Huidobro] parecia constatar comigo a atmosfera de criação e fruição poética em sala de aula. E, para que isso aconteça, apenas é necessário permitir que criança e palavra re-unam-se, na sala de aula, como era uma vez. E que o professor, mediador desse encontro, seja capaz de rememorar sua própria infância, que não é tão diferente da infância de poetas e escritores. O fascínio pelas palavras afeta indistintamente a todos os seres humanos.
O espaço para o exercício lúdico prestava-se para a intervenção espontânea e imprevisível dos alunos. Numa oportunidade, diante do poema de Sidônio Muralha – “Quando um tatu / encontra outro tatu / tratam-se por tu...” –, um dos alunos recriou: “Quando um boi encontra outro boi, tratam-se por ‘oi’”.
(Glória Kirinus. Criança e poesia na Pedagogia Freinet. Adaptado)
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Tema central: A questão aborda o reconhecimento de linguagem figurada, especificamente a metáfora, essential em análise e interpretação de textos em concursos para Professor. Compreender figuras de linguagem é fundamental para decifrar sentidos implícitos e enriquecer a leitura.
Justificativa da alternativa correta:
A alternativa A) “vendaval poético” é correta, pois traz uma metáfora. O termo “vendaval” — fenômeno atmosférico de força e intensidade — é transferido simbolicamente para qualificar a produção poética vivida, atribuindo às palavras produzidas pelas crianças o caráter forte, arrebatador e intenso de um vendaval. Na metáfora, ocorre substituição sem conectivos de comparação (“como”, “tal qual”), o que caracteriza a linguagem figurada.
Regra gramatical: Segundo Bechara (2009), a metáfora “consiste em empregar uma palavra em sentido diferente do original, sugerindo uma analogia implícita”. Assim, não há literalidade, e sim transferência de sentido.
Análise das alternativas incorretas:
B) “nesta vivência” — sentido literal, refere-se à experiência narrada.
C) “ambiente familiar” — expressão denotativa, apenas situa o local.
D) “na sala de aula” — local físico, sem uso figurado.
E) “pelas palavras” — sentido literal, o fascínio é realmente por palavras.
Todas as demais alternativas trazem expressões utilizadas em sentido denotativo, sem transferência de significado.
Estratégia aplicada: Em provas, atenção a termos que fogem do significado literal; metáforas costumam aproximar realidades distintas por semelhança implícita. Evite confundir expressões usuais com figuras de linguagem.
Resumo da regra: Metáfora = sentido transferido, sem conectivos; representação figurada para intensificar ou qualificar uma ideia.
Referências: Bechara (2009), Cunha & Cintra (2013), Fiorin & Savioli (2010).
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Comentários
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Assertiva A
Ao deparar-me com o vendaval poético das crianças de 1o grau...
GABARITO: LETRA A
? Ao deparar-me com o vendaval poético das crianças de 1o grau...
? Temos presente uma linguagem figurada, irreal, conotativa (=conto de fadas), ela está sendo usada para representar uma quantia expressiva de uma relação poética demonstrada.
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