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Paciente do sexo masculino, 55 anos, diabético e dislipidêmi...

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Q3875631 Patologia
Paciente do sexo masculino, 55 anos, diabético e dislipidêmico com diagnóstico aos 51 anos. Procura atendimento em emergência devido a quadro de vômitos, distensão e dor abdominal. Nega tabagismo e etilismo. Informa que se o pai teve um AVC isquêmico com 61 anos e faleceu em decorrência de um IAM aos 70 anos; mãe obesa e dislipidêmica e irmã de 45 anos com aterosclerose. Exames na admissão: glicemia de jejum 250 mg/dL (referência <100mg/dL); transaminases de 180 U/L (referência <50U/L); triglicerídeos 1.880 mg/dL (referência <200mg/dL), amilase 500 U/L (referência 30-118U/L); lipase 250 U/L (referência <68U/L); creatinina 2,2 mg/dL (referência 0,6-1,2mg/dL); leucócitos 18.000/mm3 (referência 5.000-11.000/mm3). Considerando a suspeita diagnóstica de pancreatite, as informações fornecidas pelo paciente e os exames realizados, qual a causa mais provável e qual o diagnóstico diferencial a ser estabelecido?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Triglicerídeos de 1.880 mg/dL caracterizam hipertrigliceridemia grave, causa reconhecida de pancreatite aguda, especialmente em paciente com diabetes e dislipidemia; por isso, a etiologia mais provável é pancreatite por hipertrigliceridemia, e o principal diagnóstico diferencial etiológico a ser afastado é a pancreatite biliar.

Tema central: Etiologia da pancreatite aguda
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a creatinina elevada não tem, neste caso, o mesmo peso etiológico que os triglicerídeos de 1.880 mg/dL. Insuficiência renal pode dificultar a depuração de amilase/lipase e acompanhar quadros graves, mas não explica como causa principal uma pancreatite quando há hipertrigliceridemia extrema documentada. Além disso, úlcera gástrica não é o diferencial etiológico central pedido pela questão, que exige confronto entre causas de pancreatite.
B
Errada
Está errada porque o diabetes descompensado atua como fator associado à hipertrigliceridemia, e não como a melhor definição etiológica final do quadro nesta questão. O fator causal direto mais robusto é a hipertrigliceridemia grave. A segunda parte também falha: leucocitose pode ocorrer na resposta inflamatória da pancreatite aguda e, sem foco infeccioso demonstrado, não sustenta septicemia como principal diagnóstico diferencial.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o quadro clínico-laboratorial sustenta pancreatite aguda e o dado mais discriminatório para definir a etiologia é a hipertrigliceridemia grave. Triglicerídeos acima de 1.000 mg/dL têm peso etiológico direto para pancreatite, por mecanismo de excesso de quilomícrons e lipólise intrapancreática com liberação de ácidos graxos livres tóxicos, levando a lesão acinar e inflamação. O diabetes descompensado e a dislipidemia funcionam como contexto favorecedor dessa alteração metabólica, mas não substituem a hipertrigliceridemia como mecanismo causal principal. Entre os diferenciais etiológicos, pancreatite biliar deve ser considerada porque é causa frequente de pancreatite aguda.
D
Errada
Está errada porque não há no enunciado achados que sustentem pancreatite autoimune. Faltam elementos típicos de doença autoimune correlata, e o caso traz um marcador etiológico forte e objetivo em sentido oposto: hipertrigliceridemia grave. Além disso, a alternativa inverte a lógica da questão ao colocar pancreatite por hipertrigliceridemia como diferencial, quando ela é justamente a hipótese etiológica principal.
E
Errada
Está errada porque a etiologia alcoólica perde sustentação diante de dois dados concretos do enunciado: o paciente nega etilismo e há triglicerídeos em nível classicamente associado a pancreatite. Embora a pancreatite biliar seja de fato um diferencial etiológico relevante, a primeira metade da alternativa está medicamente incompatível com o caso, o que invalida o item.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre fator predisponente e causa etiológica direta: o diabetes está presente, mas o dado que define a etiologia é a hipertrigliceridemia grave; além disso, o diferencial pedido é etiológico, não infeccioso nem ulceroso.
Dica para questões semelhantes
  • Em pancreatite aguda, use o dado laboratorial com maior peso causal para definir etiologia; triglicerídeos acima de 1.000 mg/dL favorecem pancreatite por hipertrigliceridemia.
  • Não atribua a causa ao diabetes isoladamente quando ele aparece como fator que precipita hipertrigliceridemia.
  • Leucocitose e creatinina elevada podem refletir resposta inflamatória e gravidade do quadro, sem definir a etiologia.
  • Quando a questão pedir diagnóstico diferencial etiológico de pancreatite, pancreatite biliar deve ser lembrada como contraponto frequente.

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