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Q2040469 Medicina
Paciente, feminina, 53 anos, deu entrada no PS com quadro de dor abdominal de forte intensidade no abdome inferior, mais proeminente na FIE e hipogástrio. No auge da dor apresentou 01 episódio de síncope. Nega febre e/ou outros sintomas. Nega episódios semelhantes prévios.
Ao exame: bom estado geral, lúcida e orientada, epneica, normocorada, hidratada, apirética, com fácies de dor. PA: 110 X 70 mmHg; FC: 78 bpm; FR: 17 ipm SAT02: 100%; aparelhos cardiovascular e pulmonar sem alterações. Abdome: plano, depressível, doloroso à palpação em FIE e hipogástrio, sem massas palpáveis, sem sinais de irritação peritoneal, peristáltico. LAB: Hgb: 14, Leuco: 15.000 c/ 2 bastões; PLAQ: 397.000, Bioquímica e hepatograma normais. TC: Divertículos esparsos no cólon descendente e mais intensos no sigmoide, associado a espessamento parietal, densificação da gordura mesentérica, focos gasosos de permeio e liquido circunjacente no teço médio do sigmoide, sugerindo processo inflamatório/infeccioso diverticular.
Para o caso acima, indique qual é a melhor conduta. 
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Tema central: O foco da questão é o manejo da diverticulite aguda não complicada, situação frequente no pronto-socorro e de grande importância para o cirurgião geral.

Análise do caso clínico: Paciente com quadro típico de dor em fossa ilíaca esquerda e hipogástrio, com TC evidenciando diverticulite sigmoide, sem sinais claros de perfuração livre ou peritonite. Laboratório mostra leucocitose leve/moderada, sem anemia, e estado hemodinâmico estável após episódio isolado de síncope. Ausência de complicações (Hinchey 0 ou I).

Justificativa para a alternativa correta – D: O tratamento conservador baseia-se em:

  • Dieta sem resíduos (ou líquida nos casos iniciais): reduz estímulo ao colo e favorece cicatrização.
  • Antibioticoterapia empírica: deve abranger gram-negativos e anaeróbios, preferencialmente por via endovenosa nas primeiras 48-72h.
  • Colonoscopia após 2 meses: indicada após resolução completa do quadro, para excluir diagnóstico diferencial, especialmente neoplasia. No período agudo, está contraindicada devido ao risco de perfuração.

Conforme consta no Projeto Diretrizes/AMB (p. 3): “A colonoscopia deve ser postergada até a resolução do quadro clínico, geralmente após 6 a 8 semanas.”

Análise crítica das alternativas incorretas:

  • A): Propõe cirurgia de urgência em quadro sem indicação cirúrgica imediata (ausência de peritonite, obstrução ou perfuração livre).
  • B) e E): Cirurgia só é recomendada em casos complicados (abscesso grande, perfuração, peritonite difusa).
  • C): Colonoscopia após 7 dias é precipitada e arriscada durante fase inflamatória aguda (maior risco de perfuração colônica).

Ponto-chave: O principal erro nas opções incorretas é antecipar a colonoscopia para o período pós-agudo imediato ou indicar cirurgia sem critérios. A estratégia correta é aguardar 2 meses após a resolução do quadro clínico para realizar a colonoscopia, conforme diretriz nacional e literatura internacional (UpToDate, Sabiston, AMB).

Dicas de prova: Fique atento a prazos e à indicação de procedimentos invasivos em diverticulite! Sempre busque nos enunciados sinais de gravidade (instabilidade, peritonite, massa, abscesso grande) antes de indicar cirurgia.

Conclusão: A alternativa D está de acordo com as melhores práticas clínicas e protocolos oficiais em diverticulite aguda não complicada.

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Comentários

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A melhor conduta para o caso apresentado é a alternativa D - Dieta sem resíduos, antibioticoterapia, colonoscopia para confirmação diagnóstica, após 2 meses. A paciente apresenta quadro de dor abdominal com localização em FIE e hipogástrio, além de espessamento parietal, densificação da gordura mesentérica, focos gasosos de permeio e liquido circunjacente no teço médio do sigmoide, sugerindo processo inflamatório/infeccioso diverticular. Sendo assim, a conduta mais adequada é o tratamento clínico com antibioticoterapia e dieta sem resíduos, além de uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença inflamatória/infecciosa. A realização da colonoscopia após 2 meses permite que a inflamação e infecção sejam controladas antes do exame, minimizando riscos de complicações. A conduta cirúrgica deve ser avaliada caso haja recorrência ou complicações graves.

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