Paciente feminina, 68 anos, deu entrada no pronto-socorro q...
Ao exame, estava prostrada, ictérica ++/4+, corada, taquicárdica, taquipneica, acianótica, febril. Sem alterações nos aparelhos cardiológico e pulmonar. Abdome distendido, doloroso à palpação em hipocôndrio direito e epigástrio, sem massas palpáveis. O exame laboratorial evidenciou leucocitose (18.700) com 9 bastões, bilirrubina total de 3,8 às custas de direta (2,7), elevação das transaminases, fosfatase alcalina e gama GT. amilase e lipase normais. O exame de ultrassonografia mostrou vesícula de paredes pouco espessadas, com vários focos ecogênicos no interior, vias biliares intrahepáticas dilatadas e colédoco com aproximadamente 1,3cm de diâmetro.
Diante deste caso, indique a melhor conduta.
Gabarito comentado
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Tema central: O caso descreve uma colangite aguda grave, infecção das vias biliares geralmente causada por obstrução (coledocolitíase). Os achados clínico-laboratoriais da paciente revelam a Tríade de Charcot (dor abdominal, icterícia, febre) e sinais sistêmicos de gravidade, como prostração, taquicardia e febre alta.
Análise da alternativa correta (B):
Antibioticoterapia, suporte clínico e drenagem endoscópica das vias biliares nas primeiras 24 horas são a conduta recomendada em casos de colangite aguda grave. Segundo as Diretrizes de Tóquio (Tokyo Guidelines), o manejo deve priorizar o início imediato de antibióticos de amplo espectro para gram-negativos e anaeróbios, suporte hemodinâmico e, nos quadros graves, descompressão da via biliar por métodos menos invasivos — de preferência, CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) nas primeiras 24 horas (“early drainage”).
Essa abordagem reduz significativamente a mortalidade (evidência nível 1A), como citado nas Tokyo Guidelines 2018 - Part II: “urgent biliary drainage is recommended in severe acute cholangitis (recommendation 1, level A)”.
Análise das alternativas incorretas:
A) Colecistectomia videolaparoscópica imediata não é indicada em fase aguda da colangite grave, pois o risco cirúrgico é elevado. O foco deve ser a estabilização e a descompressão da via biliar, não a retirada da vesícula.
C) Colecistectomia e drenagem cirúrgica imediata aumentam a morbimortalidade. Cirurgias abertas só são indicadas quando não há acesso endoscópico ou percutâneo.
D) Drenagem endoscópica tardia (primeira semana): o atraso no alívio da obstrução eleva risco de sepse, choque séptico e falência orgânica. O adequado é realizar SEMPRE nas primeiras 24h nos quadros graves, conforme citado em protocolos internacionais e nacionais.
E) Colecistostomia percutânea tem papel limitado em colangite, sendo reservada à colecistite aguda quando não há condições cirúrgicas ou acesso endoscópico à via biliar. No caso, há cálculo em colédoco e dilatação de vias biliares — a prioridade é drenar o colédoco!
Dica de prova: Ao identificar quadro de infecção sistêmica + obstrução biliar (laboratorial ou por imagem), pense em colangite aguda e marque condutas que envolvam suporte, antibióticos e drenagem imediata da via biliar. Evite alternativas cirúrgicas definitivas ou que adiem a descompressão.
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