Em “Por uma outra globalização” (2021), Milton Santos propõe...

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Q4109472 Geografia
Em “Por uma outra globalização” (2021), Milton Santos propõe uma leitura crítica da globalização, distinguindo entre a “globalização como fábula”, a “globalização como perversidade” e a “globalização como possibilidade”. O autor enfatiza o papel do território e da técnica como elementos centrais para compreender as contradições do mundo contemporâneo. Considerando essa perspectiva, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era comparar as formulações de Milton Santos e identificar que a “globalização como perversidade” é a que descreve a globalização efetiva sob a lógica do capital, com uso seletivo da técnica e da informação, o que leva à alternativa B.

Tema central: Crítica da globalização
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma a fábula em realidade consumada. Para Milton Santos, a globalização como fábula é o discurso ideológico que apresenta benefícios universais, e não a efetiva concretização de desenvolvimento equitativo e cidadania plena.
B
Certa
A alternativa B está correta porque expressa a formulação de Milton Santos sobre a globalização como perversidade. Nessa leitura, a difusão da técnica e da informação não produz inclusão automática nem benefícios universais, pois seu uso é seletivo e subordinado à lógica do capital financeiro. O resultado é o aprofundamento de desigualdades territoriais e sociais, exatamente o núcleo da crítica do autor à globalização realmente existente.
C
Errada
Está errada porque atribui à possibilidade uma superação espontânea das contradições pela autorregulação dos mercados. Na base apresentada, a globalização como possibilidade depende de transformação política, ação coletiva e outros usos do território, da técnica e da informação, o que exclui automatismo mercantil.
D
Errada
Está errada porque afirma neutralidade e homogeneidade do território globalizado. Isso contraria diretamente a ideia de que técnica e território são apropriados de forma desigual e reproduzem assimetrias entre espaços.
E
Errada
Está errada porque converte a análise do autor em fatalismo. A base afirma que Milton Santos reconhece a potência dos lugares e a existência de resistências locais e nacionais na construção de alternativas à globalização hegemônica.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi trocar a crítica de Milton Santos por uma visão celebratória ou automática da globalização: tratar a fábula como realidade, a possibilidade como autorregulação do mercado e a técnica como fator neutro de democratização espacial.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie, no autor, discurso ideológico de benefício universal (fábula) e funcionamento real da globalização sob comando das finanças (perversidade).
  • Quando a alternativa falar em técnica e informação, verifique se elas aparecem como uso seletivo e gerador de desigualdade, não como fatores automaticamente inclusivos.
  • Se a opção atribuir neutralidade ao território ou homogeneidade espacial, elimine-a, porque a leitura do autor é hierárquica e assimétrica.
  • Se a alternativa negar ação coletiva ou resistência dos lugares, ela contraria a ideia de possibilidade em Milton Santos.

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