Assinale a alternativa que apresenta a CORRETA explicação a ...
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Ano: 2026
Banca:
CPCON
Órgão:
Prefeitura de Guarabira - PB
Prova:
CPCON - 2026 - Prefeitura de Guarabira - PB - Professor de Português |
Q4405165
Português
Texto associado
Leia o Texto II para responder à questão.
Texto II
AS TENSÕES INSTITUCIONAIS TENDEM A SE INTENSIFICAR
Janeiro sempre chega com água farta em Brasília. O céu fecha, a umidade sobe, as tempestades se formam rapidamente e, em
poucas horas, o que parecia rotina vira alagamento. O curioso é que, no Brasil, esse padrão climático encontra um paralelo quase
perfeito no funcionamento das instituições. Assim como a cidade parece precisar da chuva para se reorganizar, o sistema político
nacional parece depender da crise para se mover. Parece que o país só reage quando o mau tempo se instala. Na bonança, as
engrenagens rangem, a agenda emperra, o planejamento some do radar. Na tempestade, surgem decisões rápidas, pactos improvisados
e uma coordenação que raramente se vê em tempos normais.
O calendário ajuda a explicar. Janeiro é mês de recesso, transição administrativa e expectativas difusas. Mas também é
quando problemas acumulados transbordam. Déficits ocultos reaparecem, crises regulatórias emergem, conflitos entre poderes
ganham novo fôlego. A água que cai do céu funciona como metáfora de um sistema que só se dispõe a agir quando pressionado pelo
risco imediato. O novo ano, contudo, não herda apenas os problemas de sempre. Herda a mais grave crise institucional desde o golpe
militar de 1964 — uma crise que não eclodiu de repente, mas que vem se avolumando ao longo deste século, alimentada por tensões
sucessivas entre os poderes, pela erosão da confiança nas instituições e por um modelo de governança que há muito dá sinais de
esgotamento. O 8 de janeiro de 2023 foi apenas a erupção mais visível de um vulcão que já fumegava havia anos.
Nesse cenário, a agenda legislativa de 2026 será decisivamente influenciada por dois vetores que se reforçam mutuamente: o
conflito institucional ainda não resolvido e o ciclo eleitoral que se avizinha. Na prática, isso significa um Congresso em que cada ator
cuida prioritariamente de si. Deputados e senadores calcularão cada voto pensando nas urnas. O Executivo medirá cada gesto pela
repercussão na campanha. E o Judiciário seguirá oscilando entre a contenção e o protagonismo. Reformas de fundo tendem a ficar para
depois. O Brasil se acostumou a governar no modo emergência. Reformas avançam apenas quando há colapso fiscal à vista. Ajustes
institucionais só prosperam após escândalos ruidosos. A cooperação entre os poderes costuma surgir não por vocação, mas por medo
do transbordamento. Passada a tormenta, volta a estiagem decisória: comissões esvaziam, projetos dormem, diagnósticos ficam nas
gavetas. Esse vício tem custo alto. A previsibilidade se perde, o investimento recua, a confiança pública se desgasta. A exceção vira
norma, e a regra perde autoridade. Governa-se pelo improviso, não pelo planejamento; pela urgência, não pela estratégia. Como em
uma cidade que nunca investe em drenagem, prefere-se lidar com o alagamento a prevenir a enchente.
As chuvas de janeiro, portanto, não são apenas um fenômeno meteorológico. Elas anunciam, simbolicamente, um ano em que
as tensões institucionais tendem a se intensificar. O céu pesado sobre a Praça dos Três Poderes reflete um sistema que segue dependente
da tempestade para funcionar. Enquanto o país não aprender a operar sob céu aberto — com instituições capazes de agir sem o
empurrão da crise —, janeiro continuará sendo mais do que o início do ano. Será o prenúncio de novas tormentas políticas. E as águas
de março, que fecham o verão, ainda estão por vir.
Fonte: VEJA, 09/01/2026, edição nº 2977.
Assinale a alternativa que apresenta a CORRETA explicação a respeito das formas verbais em destaque nos fragmentos textuais.