“Justiça seja feita: a maioria dos bichos é tão bizarra que ...

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Q3079033 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão:

IA testa a credulidade humana

Quem acredita naquelas cafonices com iluminação perfeita acredita em tudo.

         A imagem em movimento mostra um pássaro filhote com mais cores e plumas que uma escola de samba inteira, pés mergulhados num fio d’água tão cristalino quanto uma taça cheia de San Pellegrino ao sol do Mediterrâneo.
       Parecendo desconfortável com a proximidade da câmera, mas não a ponto de fugir, o bichinho nos mira com olhos de desenho animado. É como se dissesse: "Pode existir criatura mais linda e cativante do que eu?".
     Reparamos então, com assombro, que o festival de cores em seu peito e suas asas se organiza em pinceladas desconcertantes que lembram um pintor atormentado, talvez Van Gogh; ao mesmo tempo, explode em mil tons alegres e solares, como numa tela naïf.
        O que dizer diante de imagem tão singular? O que muitas pessoas têm dito, nas redes sociais, são variações em torno desta ideia emocionada: "Ah, como a natureza é incrível! Como ela é generosa com a gente!".
        Ah, e como essas pessoas estão erradas! Há tanta "natureza" no filhote com plumagem de catálogo de loja de tintas quanto num pacote de Baconzitos. O mesmo pode ser dito dos seus colegas.
       Espera aí - colegas? Sim: mergulhando meio palmo no tema dos pássaros artificiais (digitando "AI birds" no Google, por exemplo), vamos descobrir que essas criaturas de fantasia já são incontáveis; se ainda não superaram em número as espécies do mundo *ornitológico, isso parece uma questão de tempo.
      Justiça seja feita: a maioria dos bichos é tão bizarra que não parece querer enganar ninguém. Como nosso filhote fofo, quase todos gritam, berram "inteligência artificial" em cada **pixel. Quando os pixels acabam, continuam a berrar eternidade afora.
      No entanto, por alguma razão a ser desvendada, parte considerável da nossa espécie parece incapaz de ouvir a gritaria. A aceitação de tudo o que a IA produz é, para essa turma crédula, uma espécie de reflexo.
     Depois de tantos anos vendo pessoas letradas que merecem (mereciam?) meu respeito compartilharem frases de autoajuda em para-choque de caminhão como se fossem de Drummond e Clarice, talvez eu não devesse me chocar. Mas me choco.
      Não sou o único. O linguista Marcos Bagno é outro que anda indignado. Esta semana, a propósito da comoção provocada por uma imagem de "Chico Buarque criança", explodiu no Facebook: "Acordem para a vida, criaturas! Será que vamos mesmo ficar reféns da robozada?".

*ornitológico=parte da zoologia que estuda a morfologia, a fisiologia, a anatomia e os hábitos das aves. **pixel=qualquer dos mínimos elementos discretos que em conjunto constituem uma imagem.

Adaptado - 26/06/2024
*Sérgio Rodrigues - Escritor e jornalista
https://www1.folha.uol.com.br
“Justiça seja feita: a maioria dos bichos é tão bizarra que não parece querer enganar ninguém.”. A oração destacada apresenta sentido de:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Interpretação de Texto e Identificação de Orações Subordinadas Adverbiais Consecutivas.

Nesta questão, o foco está na identificação do sentido expresso por uma oração introduzida por “que”, após o intensificador “tão”. No trecho analisado, destaca-se a estrutura:

"a maioria dos bichos é tão bizarra que não parece querer enganar ninguém."

Justificativa da alternativa correta — C) Consequência:

Segundo a norma-padrão, as orações subordinadas adverbiais consecutivas indicam uma consequência causada pelo enunciado principal. Gramáticas renomadas, como a de Evanildo Bechara, explicam que essas orações costumam aparecer após intensificadores como “tão”, “tanto”, “tamanho”, seguidos de “que”.

No exemplo, temos:

  • Oração principal: "a maioria dos bichos é tão bizarra"
  • Oração subordinada: "que não parece querer enganar ninguém"

A ideia expressa é a consequência: por serem tão bizarros, não parecem querer enganar.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Causa: Orações causais apresentam a razão de algo (“porque”, “já que”). No trecho, não se vê causa, mas o efeito do fato apresentado.
  • B) Conformidade: Conformativas indicam acordo ou conformidade com algo (“conforme”, “segundo”). Não há nenhum termo de acordo aplicado entre as orações.
  • D) Conclusão: Conclusivas trazem um resultado lógico e utilizam conectivos como “logo”, “portanto”. O trecho não expressa conclusão, mas aquilo que decorre diretamente da bizarrice dos bichos.

Estratégia para não errar: Sempre observe se há um intensificador antes da conjunção “que” (“tão… que”). Esse é um marcador inequívoco de consequência!

Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), a construção “tão... que” é um clássico exemplo de oração consecutiva: “Ela falou tão baixo que ninguém ouviu”.

Gabarito: C) Consequência.

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Comentários

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GAB: C

“Justiça seja feita: a maioria dos bichos é tão bizarra que não parece querer enganar ninguém.”. A oração destacada apresenta sentido de:

"Tão que" é uma locução conjuntiva que introduz uma oração subordinada adverbial consecutiva, ou seja, que expressa uma ideia de consequência: 

  • "Eu estudei tanto que fui aprovada no mestrado". 

  • "Magali comeu exageradamente, tanto que passou mal". 

  • "Falou tanto na reunião que ficou sem voz"

CAUSA E CONSEQUÊNCIAS

Utilize o macete: 

O FATO DE ... (causa), 

FEZ COM QUE ... (consequência). Observe:

a maioria dos bichos é tão bizarra que não parece querer enganar ninguém.”

O fato da maioria dos bichos é tão bizarra FEZ COM QUE APARECE QUERER ENGANAR NINGUÉM.

Sabia professora Adriana Figueredo

O fato de ,,,,,,,,Faz com que

Gabarito C

esse o fato de... faz com que... foi forçado aí

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