Analisando a conjunção que introduz o oitavo parágrafo do te...

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Q3079027 Português
Atenção: Leia atentamente o texto a seguir e responda a questão:

IA testa a credulidade humana

Quem acredita naquelas cafonices com iluminação perfeita acredita em tudo.

         A imagem em movimento mostra um pássaro filhote com mais cores e plumas que uma escola de samba inteira, pés mergulhados num fio d’água tão cristalino quanto uma taça cheia de San Pellegrino ao sol do Mediterrâneo.
       Parecendo desconfortável com a proximidade da câmera, mas não a ponto de fugir, o bichinho nos mira com olhos de desenho animado. É como se dissesse: "Pode existir criatura mais linda e cativante do que eu?".
     Reparamos então, com assombro, que o festival de cores em seu peito e suas asas se organiza em pinceladas desconcertantes que lembram um pintor atormentado, talvez Van Gogh; ao mesmo tempo, explode em mil tons alegres e solares, como numa tela naïf.
        O que dizer diante de imagem tão singular? O que muitas pessoas têm dito, nas redes sociais, são variações em torno desta ideia emocionada: "Ah, como a natureza é incrível! Como ela é generosa com a gente!".
        Ah, e como essas pessoas estão erradas! Há tanta "natureza" no filhote com plumagem de catálogo de loja de tintas quanto num pacote de Baconzitos. O mesmo pode ser dito dos seus colegas.
       Espera aí - colegas? Sim: mergulhando meio palmo no tema dos pássaros artificiais (digitando "AI birds" no Google, por exemplo), vamos descobrir que essas criaturas de fantasia já são incontáveis; se ainda não superaram em número as espécies do mundo *ornitológico, isso parece uma questão de tempo.
      Justiça seja feita: a maioria dos bichos é tão bizarra que não parece querer enganar ninguém. Como nosso filhote fofo, quase todos gritam, berram "inteligência artificial" em cada **pixel. Quando os pixels acabam, continuam a berrar eternidade afora.
      No entanto, por alguma razão a ser desvendada, parte considerável da nossa espécie parece incapaz de ouvir a gritaria. A aceitação de tudo o que a IA produz é, para essa turma crédula, uma espécie de reflexo.
     Depois de tantos anos vendo pessoas letradas que merecem (mereciam?) meu respeito compartilharem frases de autoajuda em para-choque de caminhão como se fossem de Drummond e Clarice, talvez eu não devesse me chocar. Mas me choco.
      Não sou o único. O linguista Marcos Bagno é outro que anda indignado. Esta semana, a propósito da comoção provocada por uma imagem de "Chico Buarque criança", explodiu no Facebook: "Acordem para a vida, criaturas! Será que vamos mesmo ficar reféns da robozada?".

*ornitológico=parte da zoologia que estuda a morfologia, a fisiologia, a anatomia e os hábitos das aves. **pixel=qualquer dos mínimos elementos discretos que em conjunto constituem uma imagem.

Adaptado - 26/06/2024
*Sérgio Rodrigues - Escritor e jornalista
https://www1.folha.uol.com.br
Analisando a conjunção que introduz o oitavo parágrafo do texto, é correto afirmar que ela expressa a ideia de:
Alternativas

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Comentário da questão – Tema central:

Esta questão aborda o uso de conjunções coordenativas adversativas, conceito fundamental da morfologia e sintaxe da Língua Portuguesa. A banca exige saber identificar a ideia expressa por uma conjunção específica – no caso, a palavra “mas”.

Justificativa da alternativa correta (A – Contraste):

Segundo a norma-padrão, e conforme explicitam Celso Cunha & Lindley Cintra e Evanildo Bechara em suas gramáticas, a conjunção “mas” tem valor adversativo, ou seja, indica oposição ou contraste entre as ideias das orações em que aparece.

No oitavo parágrafo, ao afirmar “talvez eu não devesse me chocar. Mas me choco.”, o autor apresenta duas ideias contrárias:

— uma expectativa: não deveria se chocar;

— uma realidade oposta: se choca de fato.

Ou seja, a conjunção “mas” introduz uma quebra, mostrando o contraste entre aquilo que seria esperado e o que ocorre realmente, caracterizando oposição.

Análise das alternativas incorretas:

B) Acréscimo: Conjunções como “e”, “nem”, “também” indicam soma, não oposição. “Mas” não adiciona, contrasta. Exemplo: “Estudei e passei.” (acréscimo)

C) Conclusão: Conjunções conclusivas (“portanto”, “logo”, “assim”) indicam resultado, consequência. “Mas” não conclui, estabelece resistência à ideia anterior.

D) Condição: Conjunções como “se”, “caso”, “desde que” expressam relação condicional. “Mas” não depende de condição, apenas opõe ideias.

Estratégia para concursos:

Identifique sempre a função da conjunção no texto: se opõe, acrescenta, conclui ou condiciona. Muitos candidatos confundem adversidade com conclusão — atenção à ideia expressa!

Segundo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), a conjunção “mas” sempre estabelece contraste entre o que se disse antes e depois dela.

Gabarito: A) Contraste.

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conjunção adversativa

No entanto, por alguma razão a ser desvendada, parte considerável da nossa espécie parece incapaz de ouvir a gritaria. A aceitação de tudo o que a IA produz é, para essa turma crédula, uma espécie de reflexo.

Conjunções adversativas são aquelas que indicam oposição e contraste.

  • mas
  • porém
  • contudo
  • todavia
  • entretanto
  • no entanto
  • senão
  • não obstante
  • apesar disso
  • ao passo que
  • antes ( = pelo contrário)
  • em todo caso

https://www.todamateria.com.br/conjuncoes-adversativas/

Gabarito A

A conjunção que introduz o oitavo parágrafo do texto - No Entanto - faz alusão à ideia de Contraste. Pode ser substituída também por: Mas, Porém, Contudo, Entretanto, Todavia, No Entanto, Não Obstante.

CFOPMBA

No entanto, por alguma razão a ser desvendada ...

ideia de contraste

_

 Adversativa: ideia de ressalva, contraste

mas, porém, entretanto, contudo, todavia, no entanto, não obstante, senão (com sentido de “mas”)

Ex: Falou pouco, mas falou bonito.

Ex: Tentei, porém não consegui.

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