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Ano: 2026 Banca: FCC Órgão: ABGF Prova: FCC - 2026 - ABGF - Contador |
Q4428376 Português
Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.

    Quando a tecnologia serve para concentrar controle, ela amplia desigualdades; quando é desenhada para distribuir oportunidades, ela promove bem-estar e crescimento. O progresso não é linear nem neutro: é produto de decisões humanas e institucionais.
     A IA generativa redefine tarefas e papéis, mas também desafia o significado do trabalho. Ao automatizar o que antes expressava o talento humano, pode corroer o senso de competência. Ao impor processos padronizados, reduz a autonomia. E ao substituir interações humanas por algoritmos fragiliza o pertencimento.
    São três dimensões que, segundo a psicologia do trabalho, sustentam o bem-estar e a produtividade. A IA pode encurtar o árduo percurso do aprendizado, aquele que desenvolve instinto, julgamento e experiência. A eficiência não deve substituir o amadurecimento.
    As evidências são eloquentes. Pesquisas de Puntoni e outros autores mostram que trabalhadores avaliados por algoritmos demonstram menos empatia. Segundo testes estatísticos, consumidores, por sua vez, valorizam mais produtos quando percebem participação humana em sua criação.
    Mas a IA também pode abrir um novo ciclo de oportunidades. Como nos mostrou o prof. Christian Terwiesch, a IA generativa pode transformar o próprio processo de inovação. Em vez de restringir decisões a poucos, ela permite que mais pessoas criem, testem e proponham soluções apoiadas por lA; o que ele chama de "torneios de inovação". O papel humano, nesse contexto, seria o de curador, não de executor.
     A GenAl ajuda a criar mais e melhores ideias, e mais rápido, mas continua precisando de gente para dar direção, propósito e juízo de valor. Empresas que souberem equilibrar as forças entre a velocidade da máquina e o discernimento humano abrirão novos horizontes de vantagem competitiva.
     O futuro da inovação, portanto, não pertence apenas à tecnologia, mas à cultura que a cerca.
    Mas, em última instância, essas escolhas não se farão no vácuo. Elas serão moldadas pelos incentivos econômicos, pelas políticas públicas e pela forma como os mercados valorizam - ou não - o investimento em pessoas.
    Se o sistema recompensar apenas ganhos de produtividade de curto prazo, o uso da IA tenderá à substituição e à concentração. Se, ao contrário, premiar a criação de valor humano e a difusão do conhecimento, o avanço tecnológico poderá se tornar um novo motor de prosperidade compartilhada. O equilíbrio econômico dessa nova era estará em unir produtividade com desenvolvimento humano; eficiência com aprendizado.
    O desafio, portanto, não é apenas das empresas, mas também da regulação: fazer com que o progresso técnico caminhe ao lado do progresso econômico e social. A inteligência artificial pode gerar abundância ou desigualdade. O que determinará o resultado não é o algoritmo, mas o conjunto de escolhas, incentivos e valores construídos em torno dele.

(VESCOVI, Ana Paula. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ana-paula-vescovi/2025/10/o-poder-e-o-progresso-na-erada-inteligencia-artificial.shtml. Adaptado)
Respeitando as normas de concordância verbal, uma redação alternativa para um trecho do texto está em:
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