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Q3879216 Veterinária
Uma cadela de pequeno porte, 5 anos de idade, foi atendida numa clínica veterinária de uma Universidade em caráter de emergência com histórico de início agudo de vômitos frequentes, esteatorreia, apatia, anorexia, dor abdominal intensa e dificuldade respiratória. Ao exame físico, apresentava mucosas hipocoradas, temperatura retal de 34,7 °C e abdome abaulado e doloroso à palpação. Nos exames laboratoriais, observou-se elevação acentuada da alanina aminotransferase (ALT = 587 U/L; VR: 10–125 U/L), hiperpotassemia (K⁺ = 7,5 mmol/L; VR: 3,5–5,8 mmol/L), hiperglicemia (glicose = 629 mg/dL; VR: 74–143 mg/dL) e hipoalbuminemia (albumina = 1,5 g/dL; VR: 2,3–4,0 g/dL). O hemograma revelou ausência de linfopenia ou leucopenia. A avaliação bioquímica não demonstrou aumento de ureia e creatinina, e a urinálise não evidenciou cetonúria. À ultrassonografia abdominal, evidenciou-se perda da definição dos contornos do pâncreas, líquido livre abdominal com aspecto serossanguinolento e espessamento reacional de alças intestinais adjacentes.

Diante do caso clínico apresentado, é correto afirmar que a principal suspeita clínica veterinária é de
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o reconhecimento de síndrome abdominal aguda compatível com pancreatite a partir da combinação de vômitos de início súbito, dor abdominal intensa, hipotermia e, principalmente, ultrassonografia com pâncreas mal definido, líquido livre abdominal serossanguinolento e espessamento reacional de alças adjacentes; esse conjunto localiza o processo no pâncreas/peripâncreas e sustenta a pancreatite aguda como principal suspeita.

Tema central: Pancreatite aguda canina
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa correta se sustenta pelo padrão clínico-imaginológico. Em cães, pancreatite aguda pode cursar com vômitos agudos, anorexia, apatia, dor abdominal e hipotermia em quadros graves. No caso, o elemento mais forte é a ultrassonografia: perda da definição dos contornos do pâncreas, efusão abdominal e reação inflamatória de alças intestinais adjacentes são achados compatíveis com inflamação pancreática/peripancreática. As alterações laboratoriais descritas podem ocorrer secundariamente em pancreatite grave, mas não são elas que fecham a questão; o decisivo é a convergência entre abdome agudo doloroso e imagem pancreática inflamatória.
B
Errada
Parvovirose não se sustenta como principal suspeita porque faltam achados hematológicos típicos, especialmente leucopenia/linfopenia em quadro agudo relevante, e o exame de imagem aponta para processo pancreático/peritoneal, não para enterite viral primária. Vômitos e abatimento são inespecíficos e não superam a incompatibilidade do hemograma com o foco ultrassonográfico no pâncreas.
C
Errada
Cinomose é afastada pela incompatibilidade sindrômica. O caso é de abdome agudo focal com dor intensa e ultrassom compatível com inflamação pancreática e reação local. A base descreve que cinomose tipicamente envolve combinação de sinais respiratórios, oculares, cutâneos e neurológicos, ausentes aqui como eixo do quadro.
D
Errada
Corpo estranho gastrointestinal poderia causar vômitos e dor, mas o enunciado não traz evidência de obstrução mecânica focal, distensão obstrutiva de alças ou identificação de corpo estranho. Ao contrário, a ultrassonografia descreve alteração primária do pâncreas com efusão abdominal e espessamento reacional adjacente, o que favorece pancreatite como hipótese principal.
E
Errada
Cetoacidose diabética é eliminada pelo critério diagnóstico central: hiperglicemia isolada não basta. A base é explícita em que cetoacidose diabética exige cetose/cetonúria associada ao distúrbio glicêmico, e a urinálise não mostrou cetonúria. Além disso, o quadro clínico e o ultrassom localizam o processo principal no pâncreas, não em uma descompensação metabólica diabética primária.
Pegadinha da questão
A banca tentou induzir para cetoacidose diabética pela hiperglicemia intensa e pela hiperpotassemia, mas o diagnóstico principal não é definido por um dado bioquímico isolado: faltou cetonúria e sobraram achados clínicos e ultrassonográficos típicos de pancreatite aguda.
Dica para questões semelhantes
  • Em abdome agudo, dê mais peso ao padrão clínico associado ao exame de imagem do que a uma alteração laboratorial isolada.
  • Hiperglicemia não fecha cetoacidose diabética sem evidência de cetose/cetonúria.
  • Para parvovirose como hipótese principal, confronte obrigatoriamente o hemograma, especialmente leucopenia/linfopenia.
  • Quando o ultrassom localiza inflamação no pâncreas com reação peripancreática, essa informação tem alto valor para priorizar pancreatite aguda.

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