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Ano: 2021
Banca:
Instituto Consulplan
Órgão:
SEED-PR
Prova:
Instituto Consulplan - 2021 - SEED-PR - Professor - Área de Conhecimento: Professor para Séries Iniciais |
Q4380118
Não definido
Texto associado
O texto contextualiza a questão. Leia-o atentamente.
Impactos da pandemia na educação
Os impactos negativos causados pela pandemia de Covid-
-19 na educação brasileira podem ser graves e duradouros,
segundo relatório do Banco Mundial.
Dois a cada três alunos brasileiros podem não aprender a
ler adequadamente um texto simples aos dez anos. Esta informação é de um estudo do Banco Mundial, divulgado na última
semana, que analisou o impacto da Covid-19 na educação dos
países da América Latina e Caribe.
Segundo o relatório, 70% das crianças brasileiras podem
não aprender a ler adequadamente. Mesmo diante deste cenário, a professora Ellen Ferreira, coordenadora executiva do
“Projeto Pretinhas Leitoras” e articuladora territorial e educacional de iniciativas em arte-educação, ressalta que o ensino
remoto não substitui a sala de aula, mas é o melhor a ser feito
neste momento. “O ensino remoto nem de perto substitui o
ensino presencial porque a educação não é só conteúdo.
Educação é construção de conhecimento coletivo, educação é
partilha de saberes e, ao mesmo tempo, é acúmulo de habilidades para construção de um bem comum, para construção,
sobretudo, de um bem que exige da gente habilidades emocionais, habilidades intelectuais, que transformam o nosso eu e
que incidem na coletividade da qual pertencemos”, explica.
Outro dado destacado no estudo do Banco Mundial é em
relação ao que chamam de “índice da pobreza de aprendizagem”, analisado com base em estatísticas educacionais. Ele
indica o percentual de crianças com dez anos incapazes de ler
e entender um texto simples. A pandemia, segundo o levantamento, aumentaria esse índice para 70% dos alunos no Brasil,
que já tinha 50% dos alunos em pobreza de aprendizagem.
Essas perdas correspondem a 1,3 ano de escolaridade, ou
seja, o estudante teria o conhecimento de mais de uma série
anterior a que é correspondente à sua idade. Com um tempo
maior de escolas fechadas, a defasagem pode subir para 1,7
ano de escolaridade.
Apesar do cenário ser preocupante, a professora ressalta
que ainda não há recursos necessários para a reabertura das
escolas nesse momento: “Nesse momento é imprescindível
entender que a educação é um processo, e não o fim. Uma
alfabetização tardia a gente consegue recuperar, ainda que,
por vezes, infelizmente fora do tempo, mas, em momento
algum, nós iremos conseguir retomar vidas. Portanto, nesse
momento, nós necessitamos de vacina, e antecipação de recursos econômicos para que as pessoas tenham condições de ficar
em suas casas e se resguardar o máximo possível”.
Desigualdade social e os impactos na educação
O relatório alerta ainda que a pandemia pode fazer com
que os sistemas educacionais da América Latina regridam e
voltem ao que eram nos anos 1960, com consequências duradouras para toda uma geração. A América Latina e o Caribe tem
hoje 170 milhões de estudantes e já vive a chamada “crise de
aprendizagem”, com sérios problemas na qualidade e equidade da educação.
Para o professor Everton Pereira, especialista em sociologia no Ensino Médio e professor na rede estadual de Minas
Gerais, o impacto no Brasil pode ser ainda mais brutal já que
temos um nível de desigualdade maior que outros países da América Latina: “essa defasagem, essa dificuldade de aprendizagem, ela pode, de fato, como o estudo aponta, prolongar
para toda uma geração, uma geração inteira fica “condenada”
à uma forma pouco crítica do conhecimento e da autonomia
do indivíduo. Isso gera uma população que pode ter dificuldade
até mesmo de inserção ao mercado de trabalho”, diz.
Dupla jornada dos estudantes: trabalho e estudo
O sociólogo ressalta, ainda, outra realidade de diversos
estudantes brasileiros: a dupla jornada. Um levantamento
da consultoria IDados, com base em números da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), aponta
que cresce no Brasil o número de jovens em idade universitária que estudam e trabalham ao mesmo tempo, particularmente entre aqueles que frequentam instituições de
ensino privado. Entre os jovens de 19 a 24 anos que estudam, o percentual daqueles que também trabalham subiu
de 45,4% em 2016 para 48,3% em 2019.
“Durante a pandemia, as pessoas também precisam buscar
alternativas para o seu sustento e, com isso, muitos filhos, que
ainda estão estudando, mesmo que de maneira remota, acabam
tendo que trabalhar para ajudar em casa. Não é uma opção, eles
têm que fazer esse caminho por uma necessidade. Isso é uma
realidade que precisa estar bem evidente nesse momento que a
gente vive”, ressalta o sociólogo.
(Disponível em: https://www.futura.org.br/impactos-da-pandemia-naeducacao/. Acesso em: 30/08/2021. Com adaptações.)
Considerando o segmento “Dupla jornada dos estudantes:
trabalho e estudo” referente ao texto “Impactos da pandemia
na educação”, “Entre os jovens de 19 a 24 anos que estudam, o
percentual daqueles que também trabalham subiu de 45,4%
em 2016 para 48,3% em 2019” (9º§). Sabendo que a população
de jovens de 19 a 24 anos que estudavam em 2016 e em 2019
era, exatamente, a mesma e correspondia a 22.300.000 jovens,
sobre os que fazem dupla jornada, assinale o INCORRETO.