O texto apresenta a organização de informações históricas d...

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Q4040135 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O passado português do estreito de Ormuz, no centro das atenções pela guerra no Irã


Em uma crônica do século XVI, o historiador português João de Barros descreveu Ormuz como uma cidade localizada quase na entrada do estreito do mar da Pérsia. Segundo ele, tratava-se de uma ilha árida, rica em sal e enxofre, onde não crescia vegetação. Ainda assim, destacava-se pela imponência de seus edifícios e pela intensa atividade comercial, funcionando como ponto de encontro de mercadorias vindas do Oriente e do Ocidente. Mesmo sem produzir riquezas naturais, a cidade prosperava por meio do comércio, sendo comparada a uma joia valiosa em meio ao mundo.


Atualmente, em evidência por questões geopolíticas envolvendo conflitos no Oriente Médio, o estreito de Ormuz já integrou o conjunto de territórios conquistados por Portugal durante o período das Grandes Navegações. Ao contrário do que ocorreu no Brasil, a presença portuguesa na região teve caráter predominantemente estratégico. Os portugueses estabeleceram uma fortaleza e utilizaram a cidade situada na ilha de Gerum como ponto de apoio para embarcações que percorriam as rotas comerciais do Oceano Índico.


Apesar das condições naturais adversas, a localização privilegiada de Ormuz favoreceu o surgimento de uma cidade cosmopolita, essencial para a navegação de cabotagem, prática comum na época, que exigia paradas frequentes para abastecimento e comércio. A principal marca da presença portuguesa é o Forte de Nossa Senhora da Conceição, inaugurado em 1515, cujas ruínas permanecem preservadas como patrimônio histórico.


A relevância de Ormuz, no entanto, é muito anterior à chegada dos portugueses. Registros indicam sua importância comercial desde pelo menos o século II. Inicialmente situada no interior do império persa, a cidade foi posteriormente transferida para a ilha de Gerum após sucessivos ataques, o que fortaleceu ainda mais sua posição estratégica. A partir daí, consolidou-se como centro de circulação de rotas comerciais que conectavam diversas regiões da Ásia e da Europa.


O interesse português pela região intensificou-se após a expedição de Vasco da Gama, que evidenciou a importância de Ormuz como elo entre rotas marítimas e caravanas terrestres. A cidade exercia domínio sobre áreas costeiras e ilhas do Golfo Pérsico, além de manter um comércio diversificado, com destaque para a exportação de cavalos à Índia, produto de grande valor estratégico. Também eram negociados itens como pérolas, especiarias, metais e tecidos, enquanto importavam-se alimentos e produtos aromáticos.


O domínio português foi consolidado a partir das ações de Afonso de Albuquerque, que, em 1507, iniciou a conquista da região. Após acordos e conflitos, a presença lusitana se firmou em 1515, quando a cidade foi definitivamente submetida. Ormuz passou a integrar o sistema comercial português, funcionando como elo entre as rotas do Oriente e os mercados ocidentais, além de permitir o controle e a tributação das mercadorias que circulavam pelo estreito.


Esse domínio, entretanto, não foi permanente. A posição estratégica da região a tornou alvo de disputas constantes, especialmente por parte do Império Otomano e, posteriormente, de forças persas com apoio inglês. Em 1622, após meses de cerco, as tropas portuguesas foram derrotadas e expulsas, encerrando sua presença no Golfo Pérsico.


Assim, a história de Ormuz revela a importância geopolítica e comercial do estreito ao longo dos séculos, destacando-se como ponto central nas disputas por controle das rotas entre Oriente e Ocidente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cedz755qj05o.adaptado.

O texto apresenta a organização de informações históricas de forma progressiva, articulando fatos, contextos e relações ao longo dos parágrafos.


De acordo com o texto-base, assinale a alternativa CORRETA. 

Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a coerência textual, fundada no encadeamento entre a posição estratégica de Ormuz e sua relevância comercial e geopolítica. A base explicita esse vínculo em trechos como "Apesar das condições naturais adversas, a localização privilegiada de Ormuz favoreceu o surgimento de uma cidade cosmopolita, essencial para a navegação de cabotagem", "consolidou-se como centro de circulação de rotas comerciais que conectavam diversas regiões da Ásia e da Europa" e "A posição estratégica da região a tornou alvo de disputas constantes". Esse eixo semântico confirma a alternativa C.

Tema central: coerência global textual
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao transformar o espaço geográfico em eixo predominante exclusivo da progressão temática. O espaço é relevante, mas o desenvolvimento do texto não se organiza apenas pela apresentação geográfica inicial; ele avança para a função comercial de Ormuz, para o interesse português, para a consolidação do domínio e para as disputas históricas. O critério decisivo aqui é que progressão temática e coerência global não se reduzem ao dado espacial isolado.
B
Errada
A alternativa erra por absolutizar relações de causa e efeito como base prioritária da organização textual. Essas relações aparecem em trechos pontuais, mas o texto é estruturado de modo expositivo-histórico, articulando descrição, contextualização temporal, função comercial e disputa geopolítica. O erro está em tomar um recurso lógico-semântico presente no texto como se fosse sua estrutura macrotextual predominante.
C
Certa
A alternativa C está correta porque identifica a unidade de sentido do texto ao relacionar a posição estratégica de Ormuz às suas funções comerciais e às disputas políticas e militares por seu controle. O texto mostra essa articulação ao afirmar que "A posição estratégica da região a tornou alvo de disputas constantes" e ao apresentar Ormuz como espaço de importância comercial e geopolítica ao longo dos séculos. Assim, a coerência do texto está nessa integração entre localização, comércio e conflito.
D
Errada
A alternativa erra ao afirmar que a principal forma de ligação entre as ideias é a repetição de termos ligados ao comércio. Há recorrência lexical desse campo semântico, mas a articulação do texto não depende principalmente disso. A unidade textual se constrói pela progressão histórica, pelas retomadas temáticas e, sobretudo, pela relação de sentido entre posição estratégica, comércio e disputas. Portanto, a coesão não se resume à repetição vocabular.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre elemento presente no texto e eixo organizador central: espaço geográfico, causalidade e repetição lexical aparecem, mas nenhum deles, isoladamente, explica a coerência global como a articulação entre estratégia, comércio e disputas políticas.
Dica para questões semelhantes
  • Procure primeiro a relação de sentido que une os parágrafos, não apenas o tema que aparece no começo.
  • Desconfie de alternativas que transformam um recurso presente no texto em princípio exclusivo de organização.
  • Diferencie mecanismo textual secundário, como repetição lexical ou causa e efeito pontual, do eixo central de coerência.
  • Em textos expositivos, observe como descrição, contexto histórico e consequência política podem formar um mesmo núcleo temático.

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