A posição estratégica da região a "tornou" alvo de disputas...

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Q4040128 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



O passado português do estreito de Ormuz, no centro das atenções pela guerra no Irã


Em uma crônica do século XVI, o historiador português João de Barros descreveu Ormuz como uma cidade localizada quase na entrada do estreito do mar da Pérsia. Segundo ele, tratava-se de uma ilha árida, rica em sal e enxofre, onde não crescia vegetação. Ainda assim, destacava-se pela imponência de seus edifícios e pela intensa atividade comercial, funcionando como ponto de encontro de mercadorias vindas do Oriente e do Ocidente. Mesmo sem produzir riquezas naturais, a cidade prosperava por meio do comércio, sendo comparada a uma joia valiosa em meio ao mundo.


Atualmente, em evidência por questões geopolíticas envolvendo conflitos no Oriente Médio, o estreito de Ormuz já integrou o conjunto de territórios conquistados por Portugal durante o período das Grandes Navegações. Ao contrário do que ocorreu no Brasil, a presença portuguesa na região teve caráter predominantemente estratégico. Os portugueses estabeleceram uma fortaleza e utilizaram a cidade situada na ilha de Gerum como ponto de apoio para embarcações que percorriam as rotas comerciais do Oceano Índico.


Apesar das condições naturais adversas, a localização privilegiada de Ormuz favoreceu o surgimento de uma cidade cosmopolita, essencial para a navegação de cabotagem, prática comum na época, que exigia paradas frequentes para abastecimento e comércio. A principal marca da presença portuguesa é o Forte de Nossa Senhora da Conceição, inaugurado em 1515, cujas ruínas permanecem preservadas como patrimônio histórico.


A relevância de Ormuz, no entanto, é muito anterior à chegada dos portugueses. Registros indicam sua importância comercial desde pelo menos o século II. Inicialmente situada no interior do império persa, a cidade foi posteriormente transferida para a ilha de Gerum após sucessivos ataques, o que fortaleceu ainda mais sua posição estratégica. A partir daí, consolidou-se como centro de circulação de rotas comerciais que conectavam diversas regiões da Ásia e da Europa.


O interesse português pela região intensificou-se após a expedição de Vasco da Gama, que evidenciou a importância de Ormuz como elo entre rotas marítimas e caravanas terrestres. A cidade exercia domínio sobre áreas costeiras e ilhas do Golfo Pérsico, além de manter um comércio diversificado, com destaque para a exportação de cavalos à Índia, produto de grande valor estratégico. Também eram negociados itens como pérolas, especiarias, metais e tecidos, enquanto importavam-se alimentos e produtos aromáticos.


O domínio português foi consolidado a partir das ações de Afonso de Albuquerque, que, em 1507, iniciou a conquista da região. Após acordos e conflitos, a presença lusitana se firmou em 1515, quando a cidade foi definitivamente submetida. Ormuz passou a integrar o sistema comercial português, funcionando como elo entre as rotas do Oriente e os mercados ocidentais, além de permitir o controle e a tributação das mercadorias que circulavam pelo estreito.


Esse domínio, entretanto, não foi permanente. A posição estratégica da região a tornou alvo de disputas constantes, especialmente por parte do Império Otomano e, posteriormente, de forças persas com apoio inglês. Em 1622, após meses de cerco, as tropas portuguesas foram derrotadas e expulsas, encerrando sua presença no Golfo Pérsico.


Assim, a história de Ormuz revela a importância geopolítica e comercial do estreito ao longo dos séculos, destacando-se como ponto central nas disputas por controle das rotas entre Oriente e Ocidente.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cedz755qj05o.adaptado.

A posição estratégica da região a "tornou" alvo de disputas constantes, especialmente por parte do Império Otomano.
Assinale a alternativa CORRETA quanto à regência e à classificação sintática do verbo destacado. 
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Na oração “A posição estratégica da região a tornou alvo de disputas constantes, especialmente por parte do Império Otomano.”, “tornou” é verbo transitivo direto; o pronome “a” retoma “a região” e funciona como objeto direto, enquanto “alvo de disputas constantes” é predicativo do objeto. Essa estrutura confirma a alternativa A e afasta as demais classificações.

Tema central: Regência e classificação sintática de tornar
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque identifica exatamente a organização da oração: “tornou” é verbo transitivo direto, “a” é objeto direto pronominal com referente em “a região”, e “alvo de disputas constantes” é predicativo do objeto, pois qualifica o objeto após a ação verbal. O ponto decisivo é que a expressão final não completa o verbo como complemento preposicionado; ela atribui estado ou condição ao objeto direto.
B
Errada
Está errada porque não há complemento verbal preposicionado exigido por “tornou”. A preposição “de” aparece dentro do sintagma nominal “alvo de disputas constantes” e integra esse nome; não decorre da regência do verbo. Portanto, não se trata de transitivo direto preposicionado.
C
Errada
Está errada porque a oração não traz dois complementos verbais. O único complemento do verbo é o pronome “a”, que funciona como objeto direto. Já “alvo de disputas constantes” não é objeto indireto nem segundo complemento: é predicativo do objeto.
D
Errada
Está errada porque “tornou” não exige preposição para introduzir seu complemento nessa construção. O termo que recebe diretamente a ação verbal é “a”, objeto direto. A noção de consequência ou condição atribuída ao objeto não transforma o verbo em transitivo indireto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre complemento verbal e predicativo do objeto, principalmente porque há a preposição “de” em “alvo de disputas constantes”, o que pode levar à falsa leitura de objeto indireto ou de regência preposicionada do verbo.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o termo após o verbo completa o sentido verbal ou se atribui característica ao objeto; no segundo caso, há predicativo do objeto.
  • Quando houver pronome oblíquo átono, identifique seu referente no texto para confirmar sua função sintática.
  • Não trate a simples presença de preposição após o verbo como prova de transitividade indireta; ela pode integrar um sintagma nominal.

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Comentários

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GAB A

O verbo "tornar" atua como transitivo direto, tendo o pronome "a" como seu objeto direto.

O pronome oblíquo "a" substitui "a região" e funciona como o complemento direto do verbo (Quem torna, torna algo).

O termo "alvo de disputas constantes" é uma característica, um estado ou uma qualidade que é atribuída ao objeto ("a"/região) em decorrência da ação do verbo. Predicativo do Objeto

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