Considerando a regência do verbo "prever" no enunciado apre...

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Q3954248 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Não sou igual a você


Topar de cara com realidades e ideologias diferentes da sua é algo estranho para qualquer pessoa. Nem sempre pode ser bom, mas sempre trará algum benefício. Crescer com as divergências, poder conhecer e aceitar diferentes formas de pensamento, ideologias e costumes é um grande desafio para o ser humano.

Saber que ao seu lado tem uma pessoa que pensa diferente de você e faz coisas que você não faz e vive outras realidades que nada tem a ver com a sua desperta emoções inesperadas em qualquer pessoa. Pode ser alegria, raiva, tristeza, amor etc. Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.

O que vale a pena quando o seu grupo entra em choque com outro grupo? Brigar, discutir, partir para a agressão − isso é fácil. Difícil mesmo é aceitar a ideia do outro e saber que, assim como você, o outro tem seus costumes, suas crenças e comportamentos e que ele vai defendê-los, assim como você defende os seus. Difícil é viver em paz com o vizinho totalmente diferente de você.

Se todos fossem iguais, a vida seria muito sem graça. Olhar para o lado e não ver nada diferente seria muito ruim. É um desafio para o ser humano conviver pacificamente com as diferentes formas de viver. Será que você consegue?


CASTRO, Kika. Manifesto a favor do direito de divergir. 6 abr. 2013. Disponível em: https://kikacastro.com.br/2013/04/06/manifesto-a-favor-do-direito-de-div ergir/ . Acesso em: 18 fev. 2026. 
Considerando a regência do verbo "prever" no enunciado apresentado, analise o comportamento sintático do verbo e o valor da oração que o complementa, levando em conta sua transitividade e sua relação com o conteúdo semântico expresso, e assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: No trecho "Não é possível prever como receberemos uma diferente forma de viver.", o verbo "prever" exige complemento no contexto; a oração "como receberemos uma diferente forma de viver" completa diretamente esse verbo, sem preposição, funcionando como oração subordinada substantiva objetiva direta. Isso confirma o emprego de "prever" como transitivo direto e sustenta o gabarito D.

Tema central: Transitividade verbal e oração subordinada substantiva objetiva direta
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque trata "prever" como intransitivo e a oração seguinte como acessória. No trecho, isso não se sustenta: "como receberemos uma diferente forma de viver" não amplia informação de modo secundário; ela completa o sentido verbal e informa precisamente aquilo que não é possível prever. Portanto, há complemento verbal obrigatório no contexto, com função de objeto direto oracional.
B
Errada
Está errada porque classifica "prever" como transitivo indireto e supõe preposição elíptica. A base é expressa: não há preposição regida por "prever", nem explícita nem subentendida. A ligação do verbo com a oração completiva é direta, o que exclui a análise por transitividade indireta.
C
Errada
Está errada porque atribui ao verbo valor predicativo e à oração posterior a função de predicativo do sujeito implícito. Esse não é o comportamento sintático da estrutura. Predicativo atribui característica ao sujeito ou ao objeto; aqui, a oração não atribui qualidade, mas completa o verbo com o conteúdo previsto. Sua função é objetiva, não atributiva.
D
Certa
A alternativa D acerta no ponto que decide a questão: "prever" está usado como verbo transitivo direto, e a estrutura posterior exprime exatamente o conteúdo previsto. No trecho, não se diz apenas "prever"; diz-se o que não é possível prever: "como receberemos uma diferente forma de viver". Essa oração tem valor substantivo e exerce função de objeto direto oracional, porque completa o sentido do verbo sem mediação de preposição. A base registra uma imprecisão técnica na menção a "conjunção integrante", já que a oração aparece introduzida por "como"; ainda assim, o núcleo correto da alternativa é a identificação da função sintática da oração como complemento objetivo direto de "prever".
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de olhar apenas para o conector "como" e perder a função sintática da oração. A confusão real é tomar a oração por acessória, predicativa ou indireta, quando ela completa diretamente o verbo "prever" como objeto direto oracional.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o verbo fica semanticamente incompleto sem a oração seguinte; se ficar, há forte indício de complemento verbal, não de termo acessório.
  • Para distinguir transitivo direto de indireto, procure a preposição exigida pelo verbo no trecho; sem preposição regida, não se sustenta objeto indireto.
  • Não classifique a oração pelo conector isolado; classifique pela função que ela exerce na frase.
  • Se a oração responde ao conteúdo daquilo que se diz, pensa, sabe, prevê ou deseja, teste se ela está completando o verbo como objeto.

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