De acordo com a autora, na sua criação, seus paisI- ensinara...

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Q3948575 Português
Texto 01


O vício da aprovação


    Por muito tempo, eu nutri a necessidade de ser aprovada em tudo, até nas mínimas coisas. E isso vem lá de trás. Meus pais foram muito rígidos, exigentes e preocupados com a minha criação. Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser. Por isso, além do desejo por aprovação, eu desenvolvi também um olhar julgador sobre mim.
    Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada. No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles. Entretanto, hoje sei que esse foi o melhor jeito que encontraram para me criar.
     Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência. E somos tomados pelo medo, ficamos mais acuados, reféns de elogios, gestos, olhares e reconhecimentos alheios.
     Colocamos nossa felicidade, nosso senso de valor nas mãos dos outros, desejando receber de volta o que nunca aprendemos a nos dar. Contudo, a busca por aprovação é como um vício, potencializado pela vergonha de ser quem somos e pelas mentiras que dizem a nosso respeito: você é insuficiente, inadequada e desinteressante.
     Aos poucos, acreditamos em tudo isso e, quando não recebemos o que desejamos, entramos no ciclo de nos movimentar para sermos aprovados novamente. O vício faz isso: nos alimenta, nos sacia, mas essa sensação não dura muito e logo traz a solidão, a dúvida, além de um grande sofrimento.
    Quando entendi tal dinâmica, concluí que precisava perdoar e acolher a Jack criança, para então quebrar os ciclos e sair do meu próprio vício por aprovação. Percorri um longo caminho de volta para mim, para viver a liberdade do meu próprio voo, e, hoje, enfim, escolho atravessar o medo da desaprovação: prefiro ser julgada a trair a minha própria alma.
[...]


Fonte: PEREIRA, Jacqueline. O vício da aprovação. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-emocional/. Acesso em: 23 ja
De acordo com a autora, na sua criação, seus pais

I- ensinaram-na a enxergar a si mesma com os olhos dos outros. II- fizeram comparações para lhe mostrar como ela deveria ser. III- permitiram que ela fosse sempre espontânea, autêntica e livre. IV- compreenderam que ela esperava deles, principalmente, afeto. V- mostraram-lhe a importância do respeito à própria essência.

Estão CORRETAS apenas as afirmativas
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a correspondência direta com informações explícitas do texto, sem inferências sobre os pais: “Sem perceber, com frequência eles me fizeram olhar para mim mesma com os olhos dos outros ou com a ideia de como os outros estavam me vendo. Faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser.” Esse trecho sustenta literalmente I e II, e isso leva à alternativa A.

Tema central: Leitura literal do texto
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque reúne exatamente as duas afirmativas confirmadas de modo expresso pela autora sobre sua criação. A afirmativa I se apoia no trecho em que ela diz que os pais a fizeram olhar para si “com os olhos dos outros”. A afirmativa II se apoia no trecho em que afirma que eles “faziam comparações para ditar como eu deveria ou não ser”. Como a questão cobra o que está de acordo com a autora, essas duas são as únicas sustentadas literalmente pelo texto.
B
Errada
Está errada porque inclui a afirmativa III, que é contrariada pelo texto: “Desse jeito, fui deixando de ser a pequena Jack espontânea e autêntica, achando que, assim, seria aceita e aprovada.” Portanto, a autora não diz que os pais permitiram que ela fosse sempre espontânea, autêntica e livre; diz o oposto.
C
Errada
Está errada por dois motivos. A afirmativa III é falsa, porque o texto afirma a perda da espontaneidade e da autenticidade. A afirmativa IV também é falsa, porque “No fundo, eu era só uma menina em busca do amor e do afeto deles.” expressa o sentimento da autora, não uma compreensão dos pais sobre isso. A alternativa transforma expectativa da filha em atitude compreensiva dos pais, e o texto não autoriza essa passagem.
D
Errada
Está errada porque III é refutada pelo trecho em que a autora diz que foi deixando de ser espontânea e autêntica. Além disso, V inverte o sentido do texto: “Quando paramos de nos ouvir, de nos sentir e de nos expressar de acordo com a nossa verdade, nos desconectamos da nossa essência.” O relato associa a dinâmica vivida ao afastamento da própria essência, não a um ensinamento dos pais sobre respeitá-la.
E
Errada
Está errada porque IV não tem apoio textual: o texto mostra que a autora buscava amor e afeto, mas não afirma que os pais compreenderam isso. V também é incompatível com o texto, que relaciona a busca de aprovação e a criação narrada à desconexão da essência, não à valorização dela. A alternativa depende de inferências conciliadoras que a autora não afirma.
Pegadinha da questão
A banca mistura afirmações literais do texto com inferências indevidas: transforma o que a autora sentia em suposta compreensão dos pais e confunde a reflexão madura da narradora com o modo como ela foi criada.
Dica para questões semelhantes
  • Em questão de interpretação com itens I, II, III, confirme cada afirmação por trecho expresso antes de marcar a alternativa.
  • Diferencie o que o texto diz sobre o sentimento do narrador daquilo que atribui a outras personagens.
  • Quando houver trecho que contradiz diretamente uma afirmativa, essa afirmativa deve ser eliminada mesmo que a alternativa contenha itens corretos.

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