🎯 Saiba o que estudar

Avançado com Treinador a partir de R$ 0,76/dia

A palavra “psicológico”, que ocorre no texto, recebe o acen...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4233143 Português

A lua semeava crisântemos


    Recordo, sem nenhuma saudade, o tempo que passei redigindo anúncios. O leitor comum não pode imaginar que um pequeno anúncio é tão trabalhoso como um soneto.


    Foram os americanos que fixaram as normas do anúncio comercial. E essas normas funcionam. O redator tem de respeitar estes e aqueles princípios, tocar nestes e naqueles pontos. São regras fáceis de decorar e difíceis de aplicar. Claro que vale muito "bolar" alguma novidade para atrair ou prender o leitor, mas isto dentro de certos limites. O publicitário tem de examinar a frase depois de escrita, pesar sua força, limpá-la de todo o supérfluo, imaginar o efeito psicológico que ela poderá ter. Deve estudar todos os elementos de que pode lançar mão para convencer o leitor, pensar em tudo que lhe vai sugerir, despertar nele a vontade de comprar, apelando para o seu senso de economia, ou de conforto, ou sua vaidade, ou seu desejo de êxito social ou amoroso. E para isso, de acordo com o produto ou serviço que pretende vender, deve atender a mil pequenas circunstâncias, meditar sobre o estado psicológico do tipo de pessoa a que se dirige, nível social, sexo, idade, situação financeira, problemas, enfim uma interminável chateação.


    Bons escritores brasileiros fizeram publicidade: basta citar Bilac e Alvaro Moreyra; mas não viviam disso. O primeiro verdadeiro profissional que eu conheci foi Orígenes Lessa, lá por 1933. Ele acabara de publicar Não há de ser nada, crônicas sobre o movimento de 1932, de que participara: trabalhava, se não me engano, na Thompson, e era casado com a mulher mais bonita de S. Paulo e provavelmente da América do Sul, chamada Elsie (Pinheiro) Lessa, essa mesma que ainda hoje escreve de vez em quando no O Globo. Vem daí, talvez, o prestígio que aos meus olhos sempre tiveram os homens de publicidade; além do mais, Orígenes falava inglês, coisa rara naquele tempo.


    Hoje os grandes homens da publicidade nada têm com a literatura, e talvez mesmo a olhem com um certo desprezo condescendente. São figuras de alta prosa, que em geral nem usam nomes, mas apenas iniciais de misteriosos triunviratos — este é o P da GMP, aquele é o J da NRJ, assim por diante. Cavalheiros eminentes e ricos, jorges amados sem literatura, profetas de nosso capitalismo frenético.


    Mas voltemos ao escritor comum que faz publicidade. Valerá de alguma coisa o treino publicitário com toda a sua minuciosa disciplina? Não lhe será esse “serviço militar” útil para desenvolver o senso de economia verbal, precisão, clareza? “Não”, me diz um deles, “emburra”. A menos que na hora de folga ele jogue tudo aquilo fora e se entregue à literatura mais solta, escrevendo coisas assim: “A lua de agosto semeava crisântemos e bicicletas verdes no abril de teu sonho de mariposa tonta…”


BRAGA, R. A lua semeava crisântemos. In: FILHO, D. P (Org.) Um cartão de Paris. Record, 1997, pp. 57-59. Disponível em: <https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16246/a-lua-semeava-crisantemos>.

A palavra “psicológico”, que ocorre no texto, recebe o acento gráfico pela mesma razão que a palavra:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a regra de acentuação das proparoxítonas: “psicológico” é proparoxítona, e “frenético” também é proparoxítona; por isso, ambas recebem acento pela mesma regra, o que conduz ao gabarito A.

Tema central: acentuação de proparoxítonas
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque “frenético” e “psicológico” pertencem à mesma classe acentual: ambas são proparoxítonas. Como todas as proparoxítonas são acentuadas, a razão do acento gráfico coincide exatamente nas duas palavras.
B
Errada
“além” não segue a regra das proparoxítonas. Trata-se de oxítona, e seu acento decorre da regra das oxítonas terminadas em -em. O erro da alternativa é igualar regras de acentuação diferentes apenas porque a palavra também tem acento gráfico.
C
Errada
“interminável” não é proparoxítona. É paroxítona, e seu acento se justifica por terminar em -l. Portanto, a alternativa está errada por atribuir à palavra a mesma razão de acentuação de “psicológico”, quando a classificação tônica é outra.
D
Errada
“útil” é paroxítona terminada em -l, não proparoxítona. Logo, seu acento gráfico não decorre da mesma regra aplicada a “psicológico”. A exclusão aqui depende da identificação correta da sílaba tônica.
E
Errada
“nível” também é paroxítona terminada em -l. Embora tenha acento, não compartilha com “psicológico” a regra das proparoxítonas. O erro da alternativa está em confundir posição da tonicidade com simples presença de acento.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre palavras acentuadas por regras diferentes: o candidato que não identifica a sílaba tônica pode tratar qualquer palavra com acento como equivalente a “psicológico”, especialmente as paroxítonas terminadas em -l.
Dica para questões semelhantes
  • Primeiro identifique a sílaba tônica da palavra-modelo; só depois compare a regra com as alternativas.
  • Não basta haver acento gráfico nas duas palavras: é preciso que a classificação quanto à tonicidade seja a mesma.
  • Separe os casos de proparoxítonas dos de oxítonas e paroxítonas antes de decidir.
  • Em alternativas com palavras longas, confirme a posição da tonicidade para não confundir paroxítona com proparoxítona.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo