Sobre a doença trofoblástica gestacional, considere a alter...
Gabarito comentado
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Tema central: A doença trofoblástica gestacional (DTG) abrange mola hidatiforme (completa e parcial) e a neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) (mola invasora, coriocarcinoma, PSTT/ETT). É condição caracterizada por proliferação anômala do trofoblasto, com hCG muito elevado e risco de evolução para NTG.
Alternativa incorreta: E. A mola completa (MC) é tipicamente diploide androgenética (46XX na maioria; 46XY em menor frequência), com todos os cromossomos de origem paterna por duplicação de um espermatozoide em óvulo anucleado (ou dispermia). Logo, a afirmação de que “todos os cromossomos são de origem materna” está errada. Esse é um ponto clássico e muito cobrado.
Estratégia/pegadinha: memorize: MC = androgenética (paterna); MP = triploide, diandrica (2 paternos + 1 materno). A inversão “materna vs paterna” costuma ser a armadilha.
Por que as demais estão corretas?
A – DTG inclui mola e NTG; a NTG pode surgir após mola (mais comum) ou qualquer gestação (aborto, parto, ectópica). Conceito alinhado a FIGO/OMS e UpToDate.
B – Define mola como proliferação hiperplásica das vilosidades coriônicas (placentárias). Correto.
C – A hiperplasia trofoblástica leva a hCG elevado (frequentemente >100.000 mUI/mL na MC), podendo causar vômitos intensos, cistos tecaluteínicos e tireotoxicose. Correto.
D – Classificação em MC e MP com diferenças citogenéticas, histológicas e clínicas é correta: MC sem embrião/feto, vilos difusamente hidrópicas; MP geralmente triploide (69, XXY/XXX/XYY) com feto e vilos anormais focais.
Diagnóstico na prática: sangramento de 1º trimestre, útero maior que a IG, hCG muito alto, USG com padrão “tempestade de neve” na MC; confirmação por histopatologia e estudos genéticos quando necessário. Solicite hemograma, função tireoidiana, radiografia/TC se suspeita de NTG.
Conduta resumida: esvaziamento uterino por aspiração a vácuo, anti-D se Rh negativo, contracepção confiável e seguimento com hCG seriado (semanal até negativar, depois mensal por 6–12 meses). Indicadores de NTG (FIGO): platô/elevação do hCG, histologia de coriocarcinoma, hCG detectável >6 meses. Tratamento da NTG conforme escore FIGO: baixo risco (metotrexato ou actinomicina D) vs alto risco (esquemas combinados, ex.: EMA-CO).
Fontes: FIGO/OMS (Guidelines DTG), UpToDate (Gestational trophoblastic disease), ACOG Practice Bulletin; Novak & Berek; Ministério da Saúde – Protocolos DTG.
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