Devido aos riscos de atonia uterina decorrente da sobredist...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3546951 Medicina
Devido aos riscos de atonia uterina decorrente da sobredistensão uterina, no parto de gemelares, é importante:

I - Monitorar o sangramento vaginal e a contratilidade uterina.
II - Manter ocitocina por pelo menos quatro horas.
III - Ter disponíveis outras drogas uterotônicas, como os derivados do ergot e misoprostol.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Tema central: prevenção de atonia uterina e hemorragia pós-parto (HPP) em partos gemelares, nos quais há sobredistensão uterina e maior risco de falha contrátil.

Fisiopatologia resumida: a sobredistensão reduz o encurtamento eficaz das fibras miometriais, prejudicando a hemostasia por “ligadura viva” dos vasos placentários — resultando em atonia e HPP.

Gabarito: Alternativa A — I, II e III.

Por que está correta:

I) Monitorar sangramento e contratilidade: avaliação seriada do volume de perda, tônus uterino (palpação do fundo) e sinais vitais permite detectar precocemente HPP. Recomendado em pacientes de alto risco (gestação múltipla). Referências: OMS 2018; ACOG PB 183; Ministério da Saúde-Brasil.

II) Manter ocitocina por pelo menos 4 horas: em alto risco de atonia, manter infusão (ex.: 10–40 UI em 500–1000 mL) por 2–4 h ou até tônus adequado reduz HPP. Em gemelares, “≥4 h” é conduta segura e frequentemente adotada. Referências: ACOG 2017; FIGO 2022; MS-Brasil.

III) Disponibilizar outras uterotônicas: ter à mão metilergometrina/ergonovina (evitar em hipertensas), misoprostol (600–800 mcg VO/SL/retal em prevenção/adiuvância) e carboprost (contraindicado em asma) é parte do pacote de segurança. Referências: OMS; FIGO; UpToDate.

Estratégia de prova: identifique “gemelar/sobredistensão” como alto risco de atonia. Nessas situações, pense em: monitorização intensiva + ocitocina contínua + prontidão com uterotônicos de segunda linha.

Análise das alternativas:

B (I e II): incompleta, pois omite a necessidade de prontidão terapêutica com outras drogas, essencial em alto risco.

C (II e III): falha ao excluir a monitorização, que é a principal medida para diagnóstico precoce de HPP.

D (III): isolada, não contempla nem a profilaxia com ocitocina nem o monitoramento, pilares da prevenção.

E (II): reduzir HPP não depende apenas da infusão; sem vigilância e sem drogas de resgate, aumenta o risco de atraso no manejo.

Dicas práticas: após a dequitação em gemelares: massageie o útero, mantenha ocitocina em infusão por ≥4 h, reavalie tônus e perdas a cada 15–30 min inicialmente, e tenha uterotônicos de segunda linha e material para manejo de HPP disponíveis.

Referências: OMS (Recommendations on Uterotonics, 2018); ACOG Practice Bulletin 183 (Postpartum Hemorrhage); FIGO 2022 PPH bundle; Ministério da Saúde do Brasil – Atenção ao Parto e Nascimento.

Resposta final: Alternativa A.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo