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Q3503127 Medicina
Um motorista de UTI Móvel é chamado para atender uma emergência em uma indústria química, onde um trabalhador foi exposto a um vazamento de pesticida organofosforado, um composto químico altamente tóxico. O motorista precisa identificar rapidamente a abordagem adequada para o manejo inicial do paciente. Qual é o tratamento inicial mais adequado para um paciente que foi exposto a um pesticida organofosforado e apresenta sinais de intoxicação aguda?
Alternativas

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Tema central: intoxicação por organofosforados (pesticidas) e o manejo inicial no cenário pré-hospitalar. Esses compostos inibem a acetilcolinesterase, levando a acúmulo de acetilcolina e a um quadro colinérgico: miose, sialorreia, broncorreia, broncoespasmo, bradicardia, vômitos/diarreia, sudorese, fasciculações, fraqueza e convulsões.

Alternativa correta: D – Iniciar atropina e oximas

Por quê? Em presença de sinais de intoxicação aguda, o tratamento específico deve ser iniciado imediatamente. A atropina antagoniza os efeitos muscarínicos (seca secreções, reverte broncoespasmo/bradicardia) e as oximas (p. ex., pralidoxima) reativam a acetilcolinesterase antes do “aging” do complexo, revertendo também efeitos nicotínicos (fraqueza/fasciculações). Diretrizes da OMS, UpToDate e Harrison’s recomendam atropinização rápida e oximas precoces quando disponível.

  • Atropina (adulto): 1–3 mg IV, repetir a cada 3–5 min até secar secreções e garantir boa ventilação; depois infusão contínua conforme resposta.
  • Pralidoxima (adulto): 1–2 g IV em 20–30 min, seguida de infusão (p. ex., 500 mg/h), idealmente nas primeiras horas.
  • Suporte: via aérea/oxigênio, benzodiazepínicos se convulsões, e descontaminação segura.

Estratégia de prova: Ao ver “organofosforado” + “sinais de intoxicação”, pense em quadro colinérgico e priorize antídotos. Descontaminação é importante, mas não substitui atropina/oximas quando há sintomas. Pode ser feita simultaneamente por equipe com EPI.

Análise das alternativas incorretas

A) Carvão ativado oral: só tem papel se ingestão recente (geralmente < 1 h) e com via aérea protegida. Em exposição dérmica ou inalatória, não ajuda. Não é a prioridade frente a sintomas graves. (OMS, UpToDate)

B) Oxigenoterapia 100%: oxigênio e suporte ventilatório são essenciais, mas são medidas de suporte. Não revertem a crise colinérgica. Sozinho, é insuficiente quando há broncorreia/bradicardia. Deve acompanhar, não substituir, o antídoto.

C) Lavar pele/roupas: a descontaminação imediata é correta para interromper a exposição e proteger a equipe, porém, em paciente já sintomático, não é o tratamento mais adequado isoladamente. Deve ocorrer junto ao início de atropina e oximas. Pegadinha clássica: “correto, mas incompleto para a prioridade clínica”.

Resumo prático (protocolo inicial):

  • Segurança da cena/EPI e remoção da fonte.
  • ABC: oxigênio, via aérea, ventilação.
  • Atropina em bolus repetidos até secar secreções + pralidoxima precoce.
  • Descontaminação: retirar roupas, lavar com água e sabão.
  • Controle de convulsões com benzodiazepínicos.

Referências: WHO Clinical management of acute pesticide intoxication; UpToDate: Organophosphate poisoning; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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