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Q3615641 Radiologia
Paciente W.L.S, 22 anos, vítima em um acidente de motocicleta, foi admitido no pronto-socorro com dor intensa no quadril direito. Ao examiná-lo, o médico observou um encurtamento do membro inferior direito com rotação externa acentuada. Para melhor investigação, foram solicitadas radiografias da pelve e quadril. Sobre a anatomia da região, pode-se concluir que: 
Alternativas

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Tema central: anatomia e anatomia radiológica do quadril/pelve em trauma. O quadro clínico (encurtamento e rotação externa do membro) é típico de fratura proximal do fêmur (colo ou intertrocantérica), muito relevante para interpretar os achados radiográficos iniciais (AP de pelve e perfil do quadril).

Alternativa correta: D
A linha intertrocantérica é uma proeminência óssea anterior que liga o trocânter maior ao trocânter menor no fêmur proximal. Marca a inserção do ligamento iliofemoral e o limite anterior da cápsula articular. Diferencia-se do “intertrochanteric crest”, que é posterior. Essa descrição está de acordo com Moore – Anatomia Orientada para a Clínica e Gray’s Anatomy.

Análise das incorretas

  • A) Em AP de pelve bem posicionada, os forames obturadores são simétricos. Assimetria indica rotação da pelve (além de assimetria das asas ilíacas e desvio do cóccix em relação à sínfise púbica). A assertiva inverte o conceito. Referência: boas práticas de posicionamento radiográfico e ACR Appropriateness Criteria para trauma do quadril/pelve.
  • B) Fratura do colo femoral é mais comum em idosos por osteoporose e fragilidade trabecular, não por “aumento de vascularização” após “redução da epífise distal” (termo desconexo). Com a idade, há vulnerabilidade vascular (ramos da artéria circunflexa femoral medial) e maior risco de necrose avascular. Fontes: UpToDate, Harrison’s (cap. doenças do osso), Rockwood & Green.
  • C) A cabeça femoral articula-se com a superfície lunada do acetábulo, aprofundada pelo lábio acetabular. O acetábulo é formado majoritariamente por ílio e ísquio; o púbis contribui em menor parte. Logo, não é “majoritariamente púbis”. Referência: Moore, Gray’s Anatomy.

Estratégia de prova: identifique palavras “chave-pegadinha”: - “simétricos indicam rotação” (inversão conceitual); - “aumento da vascularização” em idosos (contraria a fisiopatologia); - “majoritariamente púbis” no acetábulo (erro anatômico). Prefira enunciados que distinguem linha (anterior) de crista intertrocantérica (posterior).

Aplicação clínica: no trauma de quadril, inicie com AP de pelve e perfil do quadril em raios-X (cross-table). A simetria dos forames ajuda a validar o posicionamento. TC é indicada se suspeita de fratura acetabular/oculta. Diretrizes: ATLS e ACR Appropriateness Criteria.

Dica rápida: membro encurtado e em rotação externa sugere fratura proximal do fêmur; membro em rotação interna sugere luxação posterior do quadril.

Gabarito: D

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Comentários

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Vamos analisar cada alternativa com base na anatomia radiográfica do quadril e pelve:

  • A — "a radiografia AP da pelve mostra os forames obturadores simétricos, pois tamanhos iguais entre si indicam rotação da pelve durante o exame" Falso. Na incidência AP, os forames obturadores devem aparecer simétricos quando não há rotação. Se um forame aparece maior que o outro, isso indica rotação da pelve.
  • B — "a fratura do colo femoral é mais comum em idosos devido ao aumento da vascularização na região após a redução da epífise distal" Falso. A fratura do colo femoral é mais comum em idosos, mas por causa da osteoporose e da diminuição da vascularização, não pelo aumento.
  • C — "a cabeça femoral articula-se diretamente com o acetábulo, cuja superfície é majoritariamente formada pelo osso púbis"Falso. O acetábulo é formado principalmente pelo ílio, seguido pelo ísquio e apenas uma pequena parte pelo púbis.
  • D — "a linha intertrocantérica é uma proeminência óssea que liga o trocânter maior ao trocânter menor no fêmur proximal" Verdadeiro. Essa é exatamente a definição da linha intertrocantérica.

Alternativa correta: D

Para fixar: pense que o acetábulo é como uma “cavidade” formada principalmente pelo ílio, e a linha intertrocantérica é como uma “ponte óssea” entre os dois trocânteres.

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