O poema “Meus oito anos” de Casimiro de Abreu tem a finalid...

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Q2689215 Português

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Meus oito anos


Casimiro de Abreu

Oh! que saudades que tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida

Que os anos não trazem mais!

Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras

À sombra das bananeiras,

Debaixo dos laranjais!


Como são belos os dias

Do despontar da existência!

— Respira a alma inocência

Como perfumes a flor;

O mar é — lago sereno,

O céu — um manto azulado,

O mundo — um sonho dourado,

A vida — um hino d'amor!


Que aurora, que sol, que vida,

Que noites de melodia

Naquela doce alegria,

Naquele ingênuo folgar!

O céu bordado d'estrelas,

A terra de aromas cheia

As ondas beijando a areia

E a lua beijando o mar!


Oh! dias da minha infância!

Oh! meu céu de primavera!

Que doce a vida não era

Nessa risonha manhã!

Em vez das mágoas de agora,

Eu tinha nessas delícias

De minha mãe as carícias

E beijos de minha irmã!


Livre filho das montanhas,


Eu ia bem satisfeito,

Da camisa aberta o peito,

— Pés descalços, braços nus

— Correndo pelas campinas

A roda das cachoeiras,

Atrás das asas ligeiras

Das borboletas azuis!


Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;

Rezava às Ave-Marias,

Achava o céu sempre lindo.

Adormecia sorrindo

E despertava a cantar!

[...]

O poema “Meus oito anos” de Casimiro de Abreu tem a finalidade de

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Comentário da Questão – Interpretação de Texto (Poema “Meus oito anos” de Casimiro de Abreu)

Tema central da questão: Interpretação de texto literário, centrada na identificação da finalidade do poema, ou seja, na intenção do eu lírico ao expor seus sentimentos sobre a infância.

Análise da alternativa correta (C):

A opção C) expressar sentimentos saudosistas da infância é a correta porque sintetiza o sentimento predominante do poema: saudade da infância e idealização desse tempo como “a aurora da minha vida”. O eu lírico faz uso recorrente de expressões como: “Oh! que saudades que tenho” e “Da minha infância querida”, além de passagens em que compara as “mágoas de agora” às “delícias” do passado.

Segundo a norma-padrão e as gramáticas de referência (Celso Cunha & Lindley Cintra, Evanildo Bechara), textos poéticos frequentemente expressam emoções profundas, principalmente em primeira pessoa, funcionando como veículo para emoções subjetivas, nesse caso a saudade (sentimento saudosista).

Análise das alternativas incorretas:

A) expor uma opinião sobre a infância:
Apesar de existir uma perspectiva pessoal, a estrutura do poema não apresenta argumentação ou juízo objetivo; sua intenção é evocar sentimento, não opinião racional.

B) descrever as brincadeiras de infância:
Há menção a atividades infantis (“correndo pelas campinas”, “colher as pitangas”), porém essas lembranças servem para ressaltar a emoção de saudade, não são o eixo central do poema.

D) noticiar sobre acontecimentos tristes da infância:
O poema não noticia fatos; ele celebra, com nostalgia, as alegrias da infância e o contraste com a fase adulta. O termo “mágoas” refere-se ao presente, não à infância.

Estratégia para questões semelhantes:

Procure identificar palavras-chave que demonstrem sentimento (ex: “saudade”, “querida”, “alegria”, “carícias”), e avalie qual emoção ou ideia permeia o texto. Cuidado com pegadinhas que focam em detalhes secundários (como apenas as atividades ou opiniões).

Obras como “Moderna Gramática Portuguesa” (Bechara) ensinam que, na interpretação, sentimentos predominantes e figuras de linguagem também orientam a identificação do tema principal.

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