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Q3057371 Medicina
Menina, 12 anos de idade, apresenta queixa de dor na virilha e joelho esquerdo, associada à claudicação e marcha em rotação externa. O quadro tem duração de uma semana. Ao exame refere dor intensa à mobilização do membro inferior esquerdo e quadril. Não há história de trauma. Qual a principal hipótese diagnóstica?
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Tema central: dor no quadril/joelho em adolescente com claudicação e marcha em rotação externa. Esse conjunto é clássico de Epifisiólise Proximal do Fêmur (SCFE).

Alternativa correta: B – Epifisiólise proximal do fêmur

Justificativa clínica: Adolescente (12 anos), dor na virilha com dor referida ao joelho, claudicação e marcha em rotação externa apontam fortemente para SCFE. No exame, é típico dor à mobilização e limitação/obrigatoriedade de rotação externa ao flexionar o quadril (sinal de Drehmann). Fisiopatologia: escorregamento da epífise femoral sobre a fise durante o estirão puberal, com enfraquecimento da placa de crescimento. Referências: UpToDate; AAOS; Lovell & Winter’s Pediatric Orthopaedics.

Diagnóstico (provas/assistência): Radiografias da bacia AP e perfil em rã (frog-leg) quando estável; evitar perfil forçado se instável. Achados: linha de Klein que não cruza a epífise, sinal de Trethowan, aumento do ângulo de Southwick. Se RX normal e alta suspeita, considerar RM. Exames laboratoriais geralmente normais. Pegadinha: dor no joelho pode ser referida do quadril.

Conduta de escolha: Urgência ortopédica: suspender carga (cadeira de rodas/muletas), internação e fixação in situ com um parafuso. Avaliar profilaxia contralateral em alto risco. Complicações: necrose avascular e condrolise. Diretrizes: AAOS/UpToDate.

Por que as outras estão incorretas?

A – Artrite séptica gonocócica: Típica de sexualmente ativos, costuma cursar com febre, poliartralgias, tenossinovite e lesões cutâneas; articulações mais acometidas: joelho, punho, tornozelo. A marcha em rotação externa não é característica. Faltam sinais sistêmicos. Referência: Harrison’s; UpToDate.

C – Sinovite transitória do quadril: Idade mais comum 3–8 anos, geralmente após virose, dor leve a moderada e melhora em 48–72 h. Pode haver limitação de rotação interna, mas não costuma haver rotação externa obrigatória marcante nem dor intensa com 1 semana em adolescente de 12 anos. Referência: SBP; UpToDate.

D – Doença de Legg-Calvé-Perthes: Mais comum em meninos 4–8 anos, evolução insidiosa por meses, com limitação de abdução e rotação interna. O quadro agudo com marcha em rotação externa é atípico para Perthes aos 12 anos. Referência: Lovell & Winter; UpToDate.

Estratégia de prova: Fixe três pistas-chave para SCFE: 1) idade 10–16 anos; 2) dor no quadril/joelho por dor referida; 3) marcha e flexão do quadril em rotação externa. Lembre-se dos critérios de Kocher para artrite séptica (febre, VSG/ PCR elevadas, leucocitose, incapacidade de apoiar) – ausentes aqui.

Resumo: Em adolescente com claudicação e rotação externa do quadril, pense primeiro em Epifisiólise proximal do fêmur; confirme com RX e trate com fixação in situ e descarga imediata.

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