Não há dúvida______ a televisão pode prejudicar o movimento...
Ela tem alma de pomba
Que a televisão prejudica o movimento da pracinha Jerônimo Monteiro, em todos os Cachoeiros de Itapemirim, não há dúvida. Sete horas da noite era hora de uma pessoa acabar de jantar, dar uma volta pela praça para depois pegar uma sessão das 8 no cinema. Agora todo mundo fica em casa vendo uma novela, depois outra novela.
O futebol também pode ser prejudicado. Quem vai ver um jogo do Estrela do Norte F.C., se pode ficar tomando cervejinha e assistindo a um bom Fla-Flu, ou a um Inter x Cruzeiro, ou qualquer coisa assim?
Que a televisão prejudica a leitura de livros, também não há dúvida. Eu mesmo confesso que lia mais quando não tinha televisão. Rádio, a gente pode ouvir baixinho, enquanto está lendo um livro. Televisão é incompatível com livro - e tudo mais nesta vida, inclusive a boa conversa.
Também acho que a televisão paralisa a criança numa cadeira mais do que o desejável. O menino fica ali parado, vendo e ouvindo, em vez de sair por aí, chutar uma bola, brincar de bandido, inventar uma besteira qualquer para fazer.
Só não acredito que televisão seja máquina de fazer doido. Até acho que é o contrário, ou quase o contrário: é máquina de amansar doido, distrair doido, acalmar, fazer doido dormir.
(Rubem Braga, 200 Crônicas Escolhidas. Adaptado)
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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Tema central da questão: Regência verbal, uso de preposição e aplicação da crase.
Para responder corretamente, é necessário aplicar as regras normativas da Língua Portuguesa, especialmente quanto à expressão "não há dúvida de que", ao uso do verbo prejudicar e ao emprego da crase antes de substantivo feminino.
Justificativa para a alternativa correta (B):
1) "Não há dúvida de que...": Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, expressões como "não há dúvida" exigem a preposição “de” antes da conjunção “que”. Portanto, o correto é “não há dúvida de que...”.
2) “...prejuízo a uma boa conversa...”: "Prejuízo" é um substantivo que rege a preposição "a" (prejuízo a alguém/algo), mas não há necessidade de crase porque “conversa” está no feminino, mas antecedida de “uma” (artigo indefinido), formando “a uma boa conversa” (sem crase, pois não ocorre fusão de preposições nesse caso).
3) “...ir à rua...”: O verbo “ir” exige a preposição “a”, e como “rua” é um substantivo feminino antecedido de artigo definido, haverá crase: “à rua” (a + a = à).
Análise das alternativas incorretas:
A) que ... à ... a: Falta o "de" em "não há dúvida de que". “à uma boa conversa” está incorreto pois não se usa crase antes de artigo indefinido (“uma”).
C) que ... a ... à: Repete o erro ao omitir o “de”; “a uma boa conversa” está correto, mas falha no primeiro item.
D) que ... à ... à: Mesmos desvios das anteriores: falta o “de”; crase indevida em “à uma boa conversa”.
E) de que ... à ... a: “de que” está certo, mas “à uma boa conversa” tem crase indevida antes do artigo indefinido “uma”, e “ir a rua” carece da crase correta (“à rua”).
Estrategicamente, para resolver questões assim, sempre observe:
- Regência de expressões e verbos;
- Quando há artigo feminino após preposição “a” – se houver, há crase;
- Crase não ocorre antes de artigos indefinidos ou palavras masculinas.
Referência normativa: Evanildo Bechara destaca a importância do reconhecimento da regência e da fusão da preposição a com o artigo como condição básica para o uso correto da crase.
Alternativa correta: B) de que ... a ... à
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Comentários
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Não há dúvida (de que?)
Causar prejuízo a UMA boa conversa ( não há o artigo A, pois já existe o artigo UMA, para se somar a preposição A).
ir a + a rua jogar bola
Não há dúvida DE alguma coisa. DE + QUE
Causa prejuízo a UMA boa conversa (art. indefenido. Em ambiente de indefinição não existe crase)
Menino de ir "à rua jogar bolar". Quem vai, vai em algum lugar ou a algum lugar.
A algum lugar + A RUA = à
Se que pode ser substituído por pelo qual e faz sentido.
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