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Q3105345 Português
Cuidado com o ‘171’: crime da moda, estelionato bate recorde em 2022


Segundo o Anuário da Segurança Pública, número de ocorrências chegou
a 1,8 milhão no ano passado, mais que o triplo de quatro anos atrás.


        O estelionato é um crime previsto no artigo 171 do Código Penal brasileiro, que o define assim: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

        Em razão da lei, o número “171” se tornou tão popular que passou a ser utilizado como uma gíria para definir quando alguém está tentando aplicar um golpe. Pois o crime que ele define também nunca foi tão popular no país quanto no ano passado.

        Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram 1.819.409 ocorrências de estelionato registradas no país no ano passado, uma alta de 326,3% em relação a 2018. Os dados são fornecidos pelas polícias e pelas Secretarias de Segurança Pública.

        O avanço espetacular desse tipo de crime tem a ver com a popularização do uso da internet, especialmente por meio dos celulares. Segundo o mesmo anuário, foram roubados ou furtados só no ano passado nada menos que 999.223 aparelhos desse tipo.

        Desde 2021, o artigo 171 ganhou um parágrafo para tipificar o crime de fraude eletrônica, que “é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo”. Ou seja, é o estelionato praticado por meios virtuais.

        Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário, estudos demonstram que o aumento do uso da internet e das redes sociais na pandemia tanto para as rotinas de trabalho e compras, como para manter laços em vista do distanciamento físico forçado, gerou um enorme campo de oportunidade para criminosos virtuais.

        Ainda de acordo com o anuário, “os estudos indicam que os criminosos têm explorado fatores situacionais ao identificar vítimas mais vulneráveis, diversificando os métodos de ataque e empregando técnicas de engenharia social (induzir usuários a enviar dados confidenciais)”, como informações pessoais, logins e senhas.

        Outro tipo de crime que tem se tornado cada vez mais comum é o “estelionato sentimental”, modalidade de golpe em que o autor estabelece uma relação amorosa com a vítima – que pode ser apenas virtual – e obtém vantagens financeiras. O próprio anuário lembra de um caso recente, de uma idosa que reside em São Paulo e perdeu 208 mil reais para um golpista que se passava pelo ator Johnny Depp, com quem ela pensava estar vivendo um romance.

(José Benedito da Silva. Editora Abril. Acesso em: 21/07/2023.)
Os parênteses são empregados no texto para intercalar qualquer indicação acessória. Em “[...] ‘os estudos indicam que os criminosos têm explorado fatores situacionais ao identificar vítimas mais vulneráveis, diversificando os métodos de ataque e empregando técnicas de engenharia social (induzir usuários a enviar dados confidenciais)’ [...]” (7º§), essa indicação acessória se trata de: 
Alternativas

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Tema central: Pontuação: Uso dos parênteses para explicação acessória.

A questão aborda o emprego dos parênteses na Língua Portuguesa, especialmente em contextos em que se deseja esclarecer ou detalhar um termo já citado na frase. Segundo a norma-padrão, conforme explicam Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Celso Cunha & Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), os parênteses são usados para isolar explicações, acréscimos, observações ou comentários acessórias, cuja retirada não prejudica o entendimento da mensagem principal.

No trecho analisado – "(induzir usuários a enviar dados confidenciais)" –, percebe-se claramente que esse segmento explica a expressão imediatamente anterior, "técnicas de engenharia social". Assim, o objetivo é detalhar em que consistem essas técnicas, oferecendo uma informação adicional e explicativa ao leitor. Esse é um exemplo clássico de uso dos parênteses para explicação referente ao que já foi mencionado.

Alternativas analisadas:

A) Oração intercalada: Incorreta. Não se trata de uma oração completa (com sujeito e predicado), mas de um esclarecimento sobre um termo da frase.

B) Observação secundária: Embora o conteúdo seja secundário, essa alternativa é vaga e não expressa, conforme a nomenclatura tradicional da gramática, o uso específico para explicação.

C) Reflexão à margem do que se afirma: Errada. Não é comentário subjetivo ou reflexão do autor, mas uma explicação objetiva.

D) Explicação referente ao que já foi mencionado: Correta. O conteúdo entre parênteses esclarece explicitamente o termo "técnicas de engenharia social". É a indicação exata esperada pela banca.

Dica de prova: Sempre que identificar informações entre parênteses, verifique se se trata de explicação, comentário, ou exemplificação, buscando o termo ao qual se refere. Na dúvida, tente retirar o trecho: se a estrutura e o sentido principal permanecem, provavelmente é explicação acessória.

Referências: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Cunha & Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

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D. Explicação referente ao que já foi mencionado.

Os parênteses no trecho em questão são usados para incluir uma explicação adicional sobre o que significa "técnicas de engenharia social", esclarecendo o termo para o leitor. Portanto, trata-se de uma explicação referente ao que já foi mencionado no texto.

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