O flúor desempenha um papel crucial na odontologia, principa...
Gabarito comentado
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Tema central: Flúor e prevenção de cárie. A cárie resulta de episódios repetidos de desmineralização do esmalte por ácidos produzidos pelas bactérias do biofilme ao fermentar açúcares. O flúor atua principalmente de forma tópica, modulando o equilíbrio desmineralização–remineralização.
Gabarito: E – Incorporação do flúor no esmalte, tornando-o mais resistente à desmineralização. O flúor promove a formação de cristais mais estáveis (fluorapatita/apatita fluorada) e depósitos tipo CaF2 na superfície, que liberam F⁻ durante os desafios ácidos. Isso inibe a desmineralização e acelera a remineralização ao favorecer a reintegração de Ca²⁺/PO₄³⁻. Esse é o mecanismo principal descrito por diretrizes e textos de referência (Fejerskov & Kidd, Ten Cate; OMS/WHO e ADA recomendam o uso tópico justamente por esse efeito).
Por que é a resposta correta? A evidência atual mostra que o benefício do flúor é predominantemente pós-eruptivo e tópico (dentifrícios, bochechos, vernizes), reduzindo a solubilidade do esmalte e promovendo remineralização em pH crítico. Referências: WHO (Guidelines on fluoride use), ADA (guidelines de dentifrícios fluoretados), Fejerskov & Kidd; Ten Cate’s Oral Histology/Cariology.
Análise das alternativas incorretas
A – “Bloqueia enzimas bacterianas”. O flúor pode inibir enolase e reduzir acidogênese em concentrações elevadas, mas esse não é o mecanismo primário de prevenção em condições clínicas habituais. A banca costuma distinguir “efeitos secundários” de “principal mecanismo”.
B – “Aumenta produção de saliva”. Flúor não é sialagogo. Saliva protege por tampão e remineralização, mas o flúor não age estimulando sua produção. Incompatível com diretrizes.
C – “Aumenta o pH da superfície dental”. O flúor não eleva pH diretamente. Ele reduz a solubilidade do esmalte e favorece remineralização; eventual menor acidogênese é indireta e não se traduz em “aumento de pH” como mecanismo central.
D – “Absorção gástrica e retorno pela saliva”. A afirmação é parcialmente verdadeira para flúor sistêmico, mas não descreve o principal mecanismo anticariogênico. O benefício maior é tópico, não o trânsito sistêmico. Diretrizes OMS/ADA priorizam exposição tópica contínua.
Estratégia de prova: Quando a pergunta trouxer “principal mecanismo”, pense em “efeito tópico: inibir desmineralização + favorecer remineralização (fluorapatita/CaF2)”. Desconfie de alternativas que falem em “aumentar saliva” ou “elevar pH” diretamente.
Aplicação clínica: Use dentifrício fluoretado diário (1000–1500 ppm para adultos; adequar para crianças), bochechos/vernizes conforme risco. Isso mantém F⁻ disponível no biofilme e na interface esmalte-saliva, maximizando o efeito protetor.
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