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Q3415060 Odontologia
Os cimentos de ionômero de vidro (CIV) são materiais versáteis, utilizados para restaurações, cimentações protéticas e ortodônticas, com diferentes viscosidades e apresentações comerciais. Seu papel na prática clínica destaca-se principalmente pelas suas propriedades. Assinale a alternativa incorreta:
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Tema central: Cimentos de Ionômero de Vidro (CIV) — materiais ácido‑base que aderem quimicamente ao dente (ligações iônicas ao cálcio), liberam flúor e são usados em restauração, cimentação e ortodontia. Variantes: convencionais, alta viscosidade (ART) e modificados por resina (RMGIC). Principais limitações: sensibilidade à umidade na presa e resistência mecânica inferior à resina composta.

Alternativa incorreta (D): “O aumento na indicação do uso do CIV está relacionado à sua praticidade e sua boa resistência nas restaurações.”

Justificativa: embora prático (manipulação simples, tolerância relativa à umidade e adesão intrínseca), o CIV não apresenta “boa resistência” quando comparado a resina composta ou amálgama: menor resistência à fratura e ao desgaste, e menor tenacidade. Mesmo os CIVs de alta viscosidade e os RMGICs, embora melhores, ainda ficam abaixo dos compósitos para cargas oclusais e áreas de estresse. Diretrizes e livros‑texto (Craig’s Restorative Dental Materials; Mount & Hume; recomendações WHO/ART) indicam CIV para lesões cervicais, ART, base/forramento e restaurações pequenas/moderadas em risco de cárie, não por “boa resistência”, mas por adesão e liberação de flúor.

Análise das demais alternativas:

A) Correta. O CIV adere quimicamente ao esmalte/dentina, dispensando sistema adesivo. Contudo, recomenda-se condicionamento com ácido poliacrílico para remover smear layer e otimizar a união, não sendo um “adesivo” propriamente dito (Craig’s; Mount & Hume).

B) Correta. Em odontopediatria, destaca-se pela liberação e recarga de flúor, contribuindo para efeito anticárie e indicação em ART e pacientes de alto risco (WHO/ART; revisões de materiais restauradores em Odontopediatria).

C) Correta com boa prática clínica. O CIV é biocompatível e indicado como base/forramento em cavidades profundas próximas à polpa. Atenção à pegadinha: em exposição pulpar, o material de escolha é hidróxido de cálcio ou biocerâmicos (ex.: MTA/Biodentine); o CIV vai por cima como base (Mount & Hume).

E) Correta. Possui estética aceitável, mas inferior à resina composta em translucidez, brilho e estabilidade de cor; acabamento/polimento também são mais limitados (Craig’s; Ferracane, Materials in Dentistry).

Estratégia de prova: Desconfie de termos absolutos como “boa resistência” para CIV; geralmente o ponto forte é adesão química + flúor + praticidade, não a resistência. Diferencie “adesivo” de “condicionador poliacrílico”. Em cavidades profundas, pense forramento/base com CIV, e material específico para contato direto com a polpa.

Referências essenciais: Powers & Sakaguchi – Craig’s Restorative Dental Materials; Mount & Hume – Preservation and Restoration of Tooth Structure; Diretrizes WHO/ART para CIV em atenção básica.

Gabarito: D

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