Sobre o texto de Marcelo Gleiser, assinale a alternativa qu...
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Ano: 2021
Banca:
CONTEMAX
Órgão:
Prefeitura de Granito - PE
Prova:
CONTEMAX - 2021 - Prefeitura de Granito - PE - Professor de Matemática |
Q4264532
Não definido
Texto associado
TEXTO I
O poder criativo da imperfeição
Já escrevi sobre como nossas teorias científicas
sobre o mundo são aproximações de uma realidade que
podemos compreender apenas em parte. Nossos
instrumentos de pesquisa, que tanto ampliam nossa
visão de mundo, têm necessariamente limites de
precisão. Não há dúvida de que Galileu, com seu
telescópio, viu mais longe do que todos antes dele.
Também não há dúvida de que hoje vemos muito mais
longe do que Galileu poderia ter sonhado em 1610. E
certamente, em cem anos, nossa visão cósmica terá sido
ampliada de forma imprevisível.
No avanço do conhecimento científico, vemos
um conceito que tem um papel essencial: simetria. Já
desde os tempos de Platão, há a noção de que existe
uma linguagem secreta da natureza, uma matemática por
trás da ordem que observamos.
Platão – e, com ele, muitos matemáticos até hoje
– acreditava que os conceitos matemáticos existiam em
uma espécie de dimensão paralela, acessível apenas
através da razão. Nesse caso, os teoremas da
matemática (como o famoso teorema de Pitágoras)
existem como verdades absolutas, que a mente humana,
ao menos as mais aptas, pode ocasionalmente descobrir.
Para os platônicos, a matemática é uma descoberta, e
não uma invenção humana.
Ao menos no que diz respeito às forças que
agem nas partículas fundamentais da matéria, a busca
por uma teoria final da natureza é a encarnação moderna
do sonho platônico de um código secreto da natureza. As
teorias de unificação, como são chamadas, visam
justamente a isso, formular todas as forças como
manifestações de uma única, com sua simetria
abrangendo as demais.
Culturalmente, é difícil não traçar uma linha entre
as fés monoteístas e a busca por uma unidade da
natureza nas ciências. Esse sonho, porém, é impossível
de ser realizado.
Primeiro, porque nossas teorias são sempre
temporárias, passíveis de ajustes e revisões futuras. Não
existe uma teoria que possamos dizer final, pois nossas
explicações mudam de acordo com o conhecimento
acumulado que temos das coisas. Um século atrás, um
elétron era algo muito diferente do que é hoje. Em cem
anos, será algo muito diferente outra vez. Não podemos
saber se as forças que conhecemos hoje são as únicas
que existem.
Segundo, porque nossas teorias e as simetrias
que detectamos nos padrões regulares da natureza são
em geral aproximações. Não existe uma perfeição no
mundo, apenas em nossas mentes. De fato, quando
analisamos com calma as “unificações” da física, vemos
que são aproximações que funcionam apenas dentro de
certas condições.
O que encontramos são assimetrias,
imperfeições que surgem desde as descrições das
propriedades da matéria até as das moléculas que
determinam a vida, as proteínas e os ácidos nucleicos
(RNA e DNA). Por trás da riqueza que vemos nas formas
materiais, encontramos a força criativa das imperfeições.
GLEISER, Marcelo. Folha de São Paulo, 25/08/2013.
(Adaptado)
Sobre o texto de Marcelo Gleiser, assinale a
alternativa que contém informação correta: