Assinale a alternativa em que o trecho destacado em “... ten...
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 10.
Felicidade
Felicidade é pássaro irrequieto concebido para a liberdade. Mal pousa em nosso espírito, já bate as asas. Contra todas as evidências, no entanto, vivemos na ilusão de um dia aprisioná-lo.
Na infância, a felicidade faz visitas mais demoradas. É a única fase em que conseguimos acordar, passar o dia inteiro e ir para a cama felizes, por dias consecutivos. A primeira da qual tenho lembrança aconteceu aos 7 anos. Nasci num bairro cinzento em que o apito das fábricas marcava a rotina das famílias. Para avistar uma árvore, era preciso andar até o largo na frente da Igreja de Santo Antônio, a vários quarteirões de distância. Naquelas férias de janeiro, meus tios me levaram com meu irmão para uma fazenda a muitas horas de São Paulo, na companhia de seis primos com idades próximas às nossas. Pela primeira vez montei num cavalo, nadei em riacho, senti nos ombros o impacto de uma cachoeira, chupei manga trepado na árvore e joguei bola num gramado.
Como as memórias carregadas de emoção ficam impregnadas nas profundezas da consciência, tendemos a esquecer experiências que trouxeram prazer, para dar prioridade às que nos fizeram sofrer. Lembro de detalhes do dia da morte de minha mãe, com mais nitidez do que da viagem a trabalho que fiz ao Acre, três semanas atrás.
Na vida adulta, a felicidade costuma nos visitar em situações que veem ao encontro de expectativas íntimas. A duração da visita dependerá da intensidade do desejo, do esforço para atingir aquele objetivo, do valor dado a ele e da ansiedade com que aguardávamos o desfecho. Nos adultos, a felicidade chega em ondas de cristas à meia altura, contidas pelo entulho das contradições mesquinhas do cotidiano. Explosões que levam às fronteiras com a loucura, só conhecem os que vivem uma paixão amorosa ou situações excepcionais como a do nascimento de um filho, de uma neta ou a do jogador que faz o gol da vitória na final do campeonato.
A maturidade, no entanto, não me fez desistir de correr atrás da felicidade suprema, embora saiba que ela será episódica e fugaz, fatalmente turvada por pensamentos invasores e pela maldita insatisfação humana, até acabar confinada ao quarto de despejo do subconsciente.
(Drauzio Varella. https://drauziovarella.uol.com.br. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho destacado em “... tendemos a esquecer experiências que trouxeram prazer...” (3o parágrafo) está corretamente reescrito, conforme a norma-padrão da língua.
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Comentário do Gabarito – Questão de Língua Portuguesa (Interpretação e Gramática)
Tema central: A questão avalia conhecimento sobre orações subordinadas adjetivas, uso de pronomes relativos e colocação pronominal, conforme a norma-padrão. Pede-se, na prática, a reescrita adequada de um trecho, respeitando a ligação entre as ideias e a correta estrutura sintática.
Justificativa da Alternativa Correta (B):
O trecho “que trouxeram prazer” emprega o pronome relativo “que” para retomar o substantivo “experiências”. Conforme Evanildo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), “que” introduz orações adjetivas e exerce o papel de objeto direto, quando necessário; é o caso do verbo “trazer”, que é transitivo direto.
O pronome “nos” é empregado em próclise (antes do verbo), pois o relativo “que” é considerado fator de atração. Assim, a alternativa correta é:
B) ...que nos trouxeram prazer...
Análise das Alternativas Incorretas:
A) ... às quais nos trouxeram prazer ...
Erro: “às quais” indica uso indevido de preposição. O verbo “trazer”, nesse contexto, não exige preposição antes do objeto direto (“experiências que trouxeram prazer”).
C) ... que trouxeram-nos prazer ...
Erro de colocação pronominal: o correto seria próclise (“nos trouxeram”), visto que o relativo “que” exige essa colocação.
D) ... às quais trouxeram prazer a nós ...
Erro semelhante ao da alternativa A (preposição indevida) e redação redundante (“a nós” é desnecessário).
E) ... que trouxeram prazer à nós ...
Erro de crase: “nós” não admite artigo antes, portanto é incorreto o uso de crase.
Dicas para provas:
→ Identifique sempre quem é o termo retomado pelo pronome relativo.
→ Conheça as regras de regência verbal e os casos de próclise após pronomes relativos.
→ Fique atento a erros comuns de preposição e de uso da crase, principalmente antes de pronomes pessoais.
Referências essenciais:
Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo; Bechara, Moderna Gramática Portuguesa.
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Comentários
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Pronome relativo "que" atrai o oblíquo "nos".
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