Um homem de 45 anos apresenta anafilaxia grave (hipotensão, ...

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Q3950274 Medicina
Um homem de 45 anos apresenta anafilaxia grave (hipotensão, urticária generalizada, angioedema orofaríngeo e broncoespasmo) 10 minutos após infusão intravenosa de cefazolina perioperatória para cirurgia ortopédica eletiva. História prévia de rash maculopapular não pruriginoso a amoxicilina há 20 anos, sem anafilaxia. Testes laboratoriais durante o episódio mostram triptase sérica elevada (45 ng/mL, normal <11.4), mas IgE específica para penicilina G/V e cefazolina negativa 6 semanas após. Biópsia cutânea revela degranulação de mastócitos sem infiltração eosinofílica. Considerando os mecanismos imunológicos de reações imediatas a betalactâmicos (IgE-dependente vs. não IgE mediada por ativação direta de mastócitos/basófilos) e a necessidade de testes diagnósticos padronizados para evitar diagnóstico errôneo com riscos substanciais (ex.: uso desnecessário de alternativas de amplo espectro), qual é a abordagem diagnóstica mais apropriada para confirmar hipersensibilidade imediata e guiar futura antibioticoterapia, integrando evidências de sensibilidade limitada de testes in vitro/in vivo e padrão-ouro para provocação? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto central é que a anafilaxia imediata por cefazolina ficou documentada pela clínica e pela triptase elevada, mas os testes específicos negativos não excluem alergia a betalactâmicos; por isso, a confirmação/exclusão prática deve se apoiar na provocação medicamentosa controlada, quando clinicamente viável, como padrão-ouro.

Tema central: Provocação em betalactâmicos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a correta porque é a única que incorpora o núcleo diagnóstico exigido: testes in vitro e in vivo podem ser negativos mesmo em hipersensibilidade imediata a betalactâmicos, de modo que sua negatividade não exclui alergia com segurança após anafilaxia. Nesse contexto, a provocação em ambiente controlado é o método de maior valor confirmatório/excludente para evitar rotulagem errônea de alergia e orientar antibioticoterapia futura. A base ainda ressalta que a menção a amoxicilina simplifica a escolha do agente de teste, já que o evento índice foi com cefazolina, mas isso não invalida o princípio decisivo cobrado pela banca.
B
Errada
Está errada por dois motivos técnicos. Primeiro, triptase elevada não sugere mecanismo não-IgE; ela apenas documenta ativação mastocitária na anafilaxia. Segundo, teste intradérmico e IgE específica negativos para cefalosporinas não têm desempenho suficiente para liberar uso de betalactâmicos sem provocação após reação imediata grave. O erro da alternativa é tratar testes negativos como exclusão definitiva e usar a triptase para inferir mecanismo, o que a base explicitamente nega.
C
Errada
Está errada porque anticorpos anti-FcεRI e anti-IgE não compõem a abordagem diagnóstica padronizada de hipersensibilidade imediata a betalactâmicos. Além disso, a alternativa extrapola para proibir todos os betalactâmicos de forma permanente sem demonstrar causalidade específica da droga nem confirmação diagnóstica. A base não sustenta esse eixo investigativo nem essa exclusão ampla da classe.
D
Errada
Está errada porque o teste de ativação de basófilos pode, no máximo, ter papel complementar, mas não é o teste primário de referência nem substitui a provocação. Também é inadequado indicar dessensibilização rápida com base em BAT negativo: dessensibilização não confirma diagnóstico e só faz sentido quando a droga é necessária em paciente com alergia confirmada ou altamente provável. A alternativa troca o padrão-ouro por um exame não padronizado como eixo principal e ainda usa dessensibilização como atalho indevido.
E
Errada
Está errada porque normalização da triptase após o evento não redefine etiologia; o esperado é que ela retorne ao basal, e isso não diferencia mecanismo imunológico de reação idiossincrática. Repetir IgE específica e obter resultado negativo também não exclui hipersensibilidade imediata a cefazolina/betalactâmicos. Portanto, liberar cefalosporinas de primeira geração sem investigação adicional contraria o critério central da questão: testes laboratoriais negativos não bastam para excluir alergia após anafilaxia grave.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre confirmar anafilaxia e definir seu mecanismo: a triptase alta prova degranulação mastocitária, mas não prova reação não-IgE; somado a isso, a IgE específica negativa pode induzir o erro de liberar betalactâmicos sem provocação, apesar da sensibilidade limitada desses testes.
Dica para questões semelhantes
  • Em anafilaxia por betalactâmico, triptase elevada confirma ativação mastocitária, mas não distingue mecanismo IgE de não-IgE.
  • IgE específica e testes cutâneos negativos não excluem, sozinhos, hipersensibilidade imediata a betalactâmicos.
  • Se a questão pedir confirmação diagnóstica prática após testes inconclusivos, procure a alternativa que reconhece a provocação controlada como padrão-ouro.
  • Desconfie de alternativas que liberam reexposição irrestrita ou indicam dessensibilização sem confirmação diagnóstica adequada.

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