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Q3649742 Medicina
Qual é o principal achado fisiopatológico da beta-talassemia maior que leva à anemia grave em pacientes afetados?
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Tema central: Fisiopatologia da beta-talassemia maior. Na beta-talassemia maior há redução ou ausência da síntese das cadeias beta, gerando excesso de cadeias alfa. Essas cadeias alfa se precipitam nos eritroblastos e eritrócitos, danificando a membrana, provocando eritropoiese ineficaz (apoptose intramedular) e hemólise extravascular (baço). O resultado é anemia grave, com medula hiperplásica, deformidades ósseas e necessidade de transfusões.

Alternativa correta: C — A redução/ausência de cadeias beta leva ao excesso de cadeias alfa, que precipitam e lesionam os eritrócitos, causando sua destruição precoce. Esse é o mecanismo-chave da anemia na beta-talassemia maior, conforme descrito em Harrison’s Principles of Internal Medicine e UpToDate.

Análise das incorretas

A — Sugere que a formação de HbF reduziria a afinidade pelo O₂. Incorreto: a HbF tem maior afinidade por O₂. Além disso, a HbF aumentada é compensatória, não a causa principal da anemia. O problema central é o excesso de cadeias alfa.

B — Descreve ausência de cadeias alfa, que é a alfa-talassemia (p. ex., Hb Bart’s no período fetal), não a beta-talassemia. Erro de doença.

D — Fala em aumento de cadeias beta com agregados e hemólise intravascular. Na beta-talassemia há diminuição de beta e o excesso é de alfa; a hemólise é predominantemente extravascular e a maior perda ocorre por eritropoiese ineficaz.

E — Aumento de cadeias gama (HbF) realmente ocorre como compensação, mas não é a causa primária da anemia. A eritropoiese é ineficaz por precipitação de alfa, não por aumento de gama.

Como pensar na prova

- Palavras-chave que apontam para a resposta: “redução das cadeias beta” + “excesso de cadeias alfa” + “precipitação/eritropoiese ineficaz”.

- Desconfie de itens que trocam beta por alfa ou que falem em hemólise intravascular como mecanismo principal.

- Lembre: na beta-talassemia maior há HbF aumentada (compensatória), HbA ausente; anemia microcítica hipocrômica com target cells na lâmina.

Aplicação clínica: manejo inclui transfusões regulares, quelantes de ferro (p. ex., deferasirox/deferoxamina) e avaliação para transplante de células-tronco. Diretrizes da OMS e revisões no UpToDate reforçam esse padrão de cuidado.

Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine; UpToDate (Beta-thalassemia: pathophysiology and clinical features); OMS/WHO – manejo de hemoglobinopatias.

Gabarito: C

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Comentários

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A. A produção excessiva de cadeias alfa leva à formação de Hemoglobina Fetal (HbF), que reduz a afinidade pelo oxigênio nos tecidos periféricos.

 

Falsa. O problema primário é a redução/ausência da cadeia beta, o que causa um excesso de cadeias alfa. Embora a HbF (α2​γ2​) realmente persista em níveis elevados na beta-talassemia (tentativa de compensação), a anemia grave não é causada pela HbF. O principal mecanismo destrutivo é a precipitação das cadeias alfa livres.

 

B. A ausência de síntese das cadeias alfa resulta em eritropoiese ineficaz e destruição precoce dos eritrócitos na medula óssea.

 

Falsa. A talassemia beta é causada por um defeito na síntese da cadeia beta, não da cadeia alfa. A ausência de síntese das cadeias alfa define a alfa-talassemia (que, em suas formas mais graves, também causa eritropoiese ineficaz).

 

C. A redução ou ausência da síntese de cadeias beta de hemoglobina leva à formação de cadeias alfa em excesso, que se precipitam nos eritrócitos, causando sua destruição prematura.

 

Verdadeira. Este item descreve com precisão o mecanismo central da beta-talassemia maior: Mutações no gene da beta-globina resultam em síntese reduzida (β+) ou nula (β0) das cadeias beta. A produção das cadeias alfa continua normal, resultando em um excesso não pareado de cadeias alfa livres. Essas cadeias alfa em excesso são insolúveis e se precipitam (formam inclusões) dentro dos precursores eritroides na medula óssea e nos eritrócitos maduros. A precipitação das cadeias alfa danifica a membrana celular e as organelas das hemácias, levando a dois problemas cruciais: Destruição precoce dos precursores na medula óssea. Os eritrócitos defeituosos que conseguem ser liberados na circulação são reconhecidos e destruídos prematuramente pelo baço. Este ciclo de destruição celular precoce é o que leva à anemia crônica e grave (comum na beta-talassemia maior), além de causar a hiperplasia da medula óssea e o acúmulo de ferro (hemossiderose).

 

D. A produção aumentada de cadeias beta resulta em agregados que danificam a membrana dos eritrócitos, resultando em hemólise intravascular.

 

Falsa. A produção da cadeia beta é reduzida ou ausente, e não aumentada. O excesso é de cadeias alfa. Além disso, o principal local de destruição é extravascular (baço/medula), embora a hemólise intravascular também possa ocorrer em menor grau.

 

E. A síntese aumentada de cadeias gama em substituição às cadeias beta resulta em eritropoiese acelerada, mas ineficaz, com maior destruição extravascular dos eritrócitos.

 

Falsa. A síntese da cadeia gama é uma resposta compensatória (resultando em HbF alta), mas não é a causa da patologia. O problema é a eritropoiese ineficaz causada pelo excesso de cadeias alfa. A eritropoiese é de fato acelerada (como resposta à anemia), mas a ineficácia se deve à precipitação das cadeias alfa.

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