Uma mulher de 62 anos com linfoma não Hodgkin em remissão há...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3950272 Medicina
Uma mulher de 62 anos com linfoma não Hodgkin em remissão há 6 meses apresenta episódios recorrentes de angioedema assimétrico afetando face, língua e abdome (com dor intensa e diarreia), sem urticária associada ou gatilhos identificáveis como medicamentos (não usa IECA ou AINEs). Os episódios duram 3-4 dias e respondem parcialmente a anti-histamínicos em alta dose, mas requerem hospitalização frequente por risco laríngeo. Laboratorialmente, C1-INH funcional 15% (normal >50%), C4 <2 mg/dL (normal 10-40), C3 normal, C1q <1 mg/dL (normal 12–22), sem mutações em SERPING1. Biópsia de lesão cutânea mostra edema dérmico sem vasculite. Considerando a fisiopatologia de consumo de C1-INH por autoanticorpos ou células linfoproliferativas na AAE tipo 1 associada a malignidade, integrando evidências de resposta variável a terapias de reposição e necessidade de imunossupressão adjuvante para reduzir recorrências, qual é a abordagem terapêutica inicial mais apropriada para profilaxia de longo prazo, priorizando redução de frequência de ataques e monitoramento oncológico?
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O caso é de AAE-C1-INH bradicinina-mediado associado a linfoproliferação, sugerido por início tardio aos 62 anos, ausência de urticária, crises prolongadas, C1-INH funcional e C4 baixos, C1q baixo e SERPING1 sem mutação; nessa situação, a profilaxia de longo prazo deve combinar reposição de C1-INH com abordagem do mecanismo B-linfocitário/autoanticorpo, o que torna C1-INH profilático associado a rituximabe a melhor resposta.

Tema central: Profilaxia na AAE-C1-INH
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa correta é a única que integra os dois alvos terapêuticos exigidos pelo caso. O concentrado de C1-INH pode ser usado na profilaxia, mesmo com resposta potencialmente variável por consumo acelerado na AAE. Já o rituximabe é racional porque a fisiopatologia descrita envolve consumo de C1-INH por autoanticorpos ou por doença B-linfoproliferativa, e a base cita séries observacionais em que a depleção de células B reduziu ataques e pode levar a controle/remissão em AAE associada a distúrbios monoclonais/linfoproliferativos. O seguimento onco-hematológico e de parâmetros do complemento é coerente porque a atividade do angioedema pode acompanhar a doença subjacente. A dose exata do C1-INH não é o ponto decisivo da questão; o acerto está no princípio terapêutico combinado, conforme a base.
B
Errada
Está errada porque icatibanto é estratégia de tratamento agudo sob demanda, não profilaxia de longo prazo. A paciente tem ataques recorrentes graves, com risco laríngeo e hospitalizações frequentes, o que torna inadequado ficar apenas com terapia on-demand. Além disso, a base afasta a ideia de esperar resolução espontânea apenas porque o linfoma está em remissão: isso não é conduta inicial apropriada diante da morbidade atual.
C
Errada
Está errada porque androgênios atenuados têm papel histórico, mas não enfrentam o mecanismo causal central desta AAE associada a malignidade/clone B/autoanticorpos. A base também explicita limitações e toxicidades desses agentes e nega que tenham perfil de segurança preferencial em idosos. Neste cenário, a necessidade é reduzir recorrências tratando também o processo imunolinfoproliferativo, o que o danazol não faz.
D
Errada
Está errada porque, embora a inibição da calicreína tenha lógica no angioedema bradicinina-mediado, a alternativa falha ao excluir a necessidade de imunossupressão/tratamento da doença subjacente. A base é clara: na AAE-C1-INH associada a malignidade, a abordagem deve mirar não só a via final da bradicinina, mas também o consumo/neutralização de C1-INH pelo processo B-linfocitário. Transferir automaticamente uma estratégia de HAE para AAE ignora a diferença etiológica que a questão cobra.
E
Errada
Está errada porque o ácido tranexâmico pode ter papel histórico/alternativo, mas a base não o sustenta como primeira escolha neste quadro de ataques graves e risco laríngeo. O erro decisivo da alternativa é afirmar que a reposição de C1-INH deve ser evitada por consumo acelerado: a base diz o contrário, ou seja, que a resposta pode ser variável, mas o C1-INH continua sendo opção válida para tratamento e profilaxia. Também não é o ecallantide que resolve a necessidade principal de profilaxia de longo prazo associada ao controle da doença subjacente.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre controlar crises de angioedema bradicinina-mediado e fazer profilaxia adequada da AAE associada a linfoproliferação: não basta escolher um fármaco eficaz na crise ou extrapolar condutas da HAE; o ponto decisivo é tratar também o mecanismo B-linfocitário/autoanticorpo indicado por C1q baixo, início tardio e história de linfoma.
Dica para questões semelhantes
  • Se o angioedema começa tardiamente, vem sem urticária, dura dias, responde mal a anti-histamínico e tem C1-INH funcional baixo com C1q baixo, pense primeiro em AAE-C1-INH, não em forma histaminérgica nem em HAE clássica.
  • Quando a questão pedir profilaxia de longo prazo na AAE associada a doença linfoproliferativa, procure a alternativa que trate simultaneamente a deficiência de C1-INH e a doença/clone B subjacente.
  • Não transforme resposta variável ao C1-INH em contraindicação: na AAE ele pode continuar indicado, embora o consumo acelerado torne o efeito menos previsível.
  • Em AAE associada a malignidade, terapia apenas sob demanda ou apenas bloqueio da via final da bradicinina costuma ficar incompleta se a alternativa despreza acompanhamento e tratamento do processo oncoimunológico.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo