Assinale a alternativa que apresente a função sintática exe...
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Ano: 2021
Banca:
FAU
Órgão:
Prefeitura de Terra Roxa - PR
Provas:
FAU - 2021 - Prefeitura de Terra Roxa - PR - Assistente Social
|
FAU - 2021 - Prefeitura de Terra Roxa - PR - Dentista II |
FAU - 2021 - Prefeitura de Terra Roxa - PR - Fisioterapia I |
Q4353620
Português
Texto associado
Com emprego e solidariedade, Paraná acolhe
imigrantes da Venezuela
Mais de 4 milhões de venezuelanos
deixaram o seu país desde 2015 por conta da
crise política e social que vem assolando a
região. Os dados são da Agência da ONU para
Refugiados (ACNUR) e Organização
Internacional para as Migrações (OIM). Os
cidadãos da Venezuela já são um dos maiores
grupos populacionais deslocados do mundo e os
países latino-americanos recebem a vasta
maioria – o Brasil é o quarto na América do Sul a
abrigar os migrantes, atrás da Colômbia, Peru e
Chile. Fora a dor de deixar para trás casa e
família, em uma travessia que na maioria das
vezes é feita a pé até Pacaraima (município no
norte de Roraima), os cidadãos enfrentam períodos de vulnerabilidade até conseguirem se
estabelecer nos novos países.
O ritmo de fluxo de saída fez com que os
países vizinhos tomassem medidas para acolher
os venezuelanos. No Brasil, por exemplo, desde
meados de 2018, ocorre a Operação Acolhida,
uma ação das Forças Armadas em conjunto com
outras agências governamentais e auxílio da
ONU e de entidades da sociedade civil. Com
abrigos em Pacaraima e também na capital Boa
Vista, os imigrantes são recebidos nas
acomodações com refeições, banheiros e
atendimento médico. Além disso, a Operação tem
feito parcerias com empresas de todo o país para
que os venezuelanos consigam empregos em
outras partes do país, em um banco de dados
chamado de sistema acolhedor.
Segundo a tenente Stéphane da Silva,
uma das integrantes da Operação em Boa Vista,
não existe incentivo fiscal para as empresas. “É
mais a questão do serviço social por parte dos
empresários que desejam apoiar”, diz. O
empregador deixa claro qual perfil necessita e os
profissionais são selecionados pelo sistema. Com
o trabalho garantido, o imigrante é levado de
ônibus ou em um voo da Força Aérea Brasileira
para a cidade ou o aeroporto mais próximo para
que seja feito o que o Exército chama de
interiorização, ou seja, realocação em uma nova
cidade. Além disso, segundo a tenente, há apoio
das agências da ONU e acordo com companhias
aéreas brasileiras, que cedem assentos
gratuitamente. Na nova cidade, é realizado apoio
social ao imigrante com subsídio para aluguel no
primeiro mês, até o recebimento do salário.
Dados da Operação Acolhida de
dezembro de 2019 mostram que mais de 27 mil venezuelanos foram assistidos desde abril de
2018 (mas estima-se que, desde o começo da
crise imigratória, mais de 260 mil venezuelanos
vieram ao Brasil). Atualmente, a cidade que mais
recebe os imigrantes via Acolhida é Manaus
(cerca de 4 mil pessoas); Curitiba é a quarta (1,2
mil), e o Paraná um dos estados que mais ofertou
empregos – foram 174 vagas preenchidas de
agosto a dezembro de 2019.
“Temos recebido muitas vagas do Sul do
país, principalmente no setor de agricultura”, fala
a tenente, que destaca ainda a importância da
redistribuição de pessoas possibilitada pela ação.
“Boa Vista é uma cidade que está inchada, com
poucas oportunidades de trabalho. Com a
sensibilização que temos feito com as empresas
em todo o país, há uma consciência maior sobre
o problema”, acredita. Essa sensibilização à qual
Stephanie se refere é a conversa dos integrantes
da Acolhida em companhias por todo o país.
De Maringá, a empresa de transporte
Transpanorama é uma das parceiras da
Operação Acolhida, que iniciou processo seletivo
para contratação de imigrantes em junho de
2019; dos 1.954 colaboradores, 38 são
venezuelanos. Uma equipe foi a Roraima para
fazer a seleção no abrigo em Boa Vista. “A
primeira política foi efetivar todos os imigrantes
assim que chegaram em Maringá, com as
mesmas condições dos motoristas brasileiros.
Eles ficaram em alojamentos montados pela
empresa, na estrutura da matriz, inspirada na
utilizada pelo Exército em Roraima”, explica o
gerente de RH da Transpanorama, Jean Salgals.
Depois disso, os novos funcionários receberam
um treinamento de 90 dias que incluiu não só a
parte prática de direção mas também língua
portuguesa, cultura brasileira, gestão financeira e
legislação de trânsito. Outra medida tomada pela
empresa para facilitar o processo de integração foi a de fornecer aulas de espanhol para
colaboradores brasileiros que teriam maior
interface com os venezuelanos. As famílias dos
imigrantes chegaram à cidade após 90 dias, com
orientação profissional e informações sobre o
sistema educacional brasileiro, em uma parceria
com o Instituto Sendas, de Maringá.
Em Curitiba, uma das empresas que
ofereceu vagas aos venezuelanos foi o Shopping
Mueller – são sete funcionários estrangeiros em
diferentes áreas do shopping, como atendimento
e setor administrativo. No início, o shopping teve
dúvidas sobre a barreira da língua. “Mas foi uma
grata surpresa. São pessoas que vieram ao Brasil
com uma disposição incrível de recomeçar, de
fazer parte. Os lojistas aderiram e a diversidade
foi bem interessante, ocorreu uma troca ótima com os funcionários brasileiros”, destaca a
superintendente do Mueller, Daniela Baruch. O
shopping também firmou uma parceria com o
Sesi Paraná para que os estrangeiros possam
aprender português e revalidar seus diplomas –
muitas pessoas com ensino superior trabalham
atualmente em vagas operacionais.
Auxiliar de auditoria no Shopping Mueller,
Carlos Ramos, 27 anos, chegou ao Brasil em
maio de 2018. Morou em Boa Vista e
Rorainópolis antes de chegar a Curitiba em junho
do ano passado. Decidiu, por conta própria, tentar
a sorte na capital paranaense após assistir a
vídeos sobre a cidade no YouTube. “Via que era
uma cidade legal para morar, juntei dinheiro e
vim. As pessoas aqui ajudam muito e as
oportunidades para crescer e viver são muito
boas, mas é preciso trabalhar e estudar para tudo
sair bem”, diz ele, que costuma passear pelo
Jardim Botânico em suas folgas do trabalho. “É o
melhor lugar aqui de Curitiba”. Com o trabalho
fixo, conseguiu trazer da Venezuela a irmã,
Yolicar, que trabalha em uma loja de brinquedos
no centro da cidade. Os pais continuam na
Venezuela. “Eles não querem vir para cá por causa da idade e por medo de perder a casa”.
Carlos não tem planos de voltar ao país natal. “Se
as coisas melhorarem por lá, vai demorar uns 10
anos. E nesse tempo eu posso fazer a minha vida
aqui no Brasil, formar minha família, conseguir
outras coisas. Voltar seria começar do zero”. Foi
sua origem imigrante – de uma família de
libaneses fugida da guerra civil – que impulsionou
o empresário Rachid Cury, proprietário da rede de
restaurantes Kharina, a abrir oportunidades de
emprego para imigrantes e refugiados. Desde a
vinda de haitianos ao Brasil, a partir de 2010,
Cury iniciou as contratações. “Fizemos alguns
testes e gostamos do resultado. É para eles
terem uma primeira oportunidade de se
estabelecer no Brasil”. Hoje, a rede conta com
funcionários do Haiti, Venezuela, Chile e Paraguai.
FONTE: Jornal Gazeta do Povo. Disponível no endereço eletrônico:
https://www.gazetadopovo.com.br/parana/operacao-acolhida-empregovenezuelanos-pr/?ref=mais-na-gazeta Acesso em 26 de fevereiro de 2020.
Assinale a alternativa que apresente a
função sintática exercida pelo termo em
destaque no período: “O empregador deixa
claro qual perfil necessita e os profissionais
são selecionados pelo sistema”.