Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa corr...
( ) A crise epiléptica é definida por sinais ou sintomas transitórios focais ou generalizados decorrentes de atividade neuronal excessiva ou síncrona no cérebro.
( ) As epilepsias constituem um grupo de doenças nas quais um transtorno neurológico subjacente resulta em uma tendência crônica de manifestar crises epilépticas recorrentes não provocadas.
( ) Crises epilépticas são sempre sinônimo de epilepsia. Qualquer pessoa que tenha uma crise epiléptica, mesmo que apenas uma vez na vida, é considerada epiléptica.
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Tema central: Crise epiléptica x Epilepsia. A questão avalia se você distingue o evento clínico (crise) da condição crônica (epilepsia), conforme definições da ILAE.
Gabarito: D — V, V, F
Justificativa da alternativa correta:
(1) Verdadeiro: Crise epiléptica é um episódio transitório de sinais/sintomas devido a descarga neuronal excessiva e/ou síncrona cerebral. Essa é a definição clássica da ILAE (Fisher et al., 2014; UpToDate; Harrison’s).
(2) Verdadeiro: Epilepsia é um estado de predisposição duradoura para gerar crises não provocadas e recorrentes, ou um risco de recorrência ≥60% após uma crise não provocada, ou diagnóstico de uma síndrome epiléptica (ILAE 2014).
(3) Falso: Uma crise ≠ epilepsia. Crises podem ser provocadas (p.ex., hipoglicemia, abstinência alcoólica, AVC agudo, febre na infância) e não implicam epilepsia. Mesmo uma única crise não provocada só configura epilepsia se o risco de recorrência for alto (≥60%) ou se houver síndrome epiléptica definida (ILAE).
Estratégia de prova: palavras absolutas como “sempre” e “qualquer pessoa” costumam sinalizar afirmações falsas em Neurologia, principalmente ao confundir evento único com diagnóstico crônico.
Análise das alternativas incorretas:
A (F, V, V): Erra a 1ª (na verdade é verdadeira) e a 3ª (é falsa). A definição de crise está correta e crise não é sinônimo de epilepsia.
B (V, F, F): A 2ª não é falsa; descreve exatamente a noção de predisposição duradoura e recorrência não provocada.
C (F, F, V): Erra as duas primeiras, que são definidas pela ILAE, e valida a 3ª, que é incorreta.
E (V, V, V): Torna verdadeira a 3ª, contrariando a definição moderna de epilepsia.
Dicas práticas: Diante de uma crise única, investigue causa aguda (metabólica, tóxica, infecciosa, estrutural). EEG e neuroimagem ajudam a estratificar risco de recorrência; diagnóstico de epilepsia exige recorrência ou alto risco (ILAE 2014; UpToDate).
Referências essenciais: ILAE Position Paper (Fisher et al., 2014); UpToDate – First seizure in adults; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
Resposta final: D — V, V, F
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A questão propõe uma diferenciação fundamental na neurologia clínica: os conceitos de Crise Epiléptica (o evento agudo) e Epilepsia (a doença crônica). A clareza nessa distinção é vital para o diagnóstico e tratamento adequados. A definição dessas condições é padronizada pela Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE).
( ) A crise epiléptica é definida por sinais ou sintomas transitórios focais ou generalizados decorrentes de atividade neuronal excessiva ou síncrona no cérebro.
Verdadeira (V). Esta é a definição precisa de crise epiléptica (ILAE). O termo descreve um evento isolado e transitório (com duração limitada) de disfunção cerebral. Essa disfunção se manifesta por sinais (objetivos, observáveis) ou sintomas (subjetivos, sentidos pelo paciente), que podem ser motores, sensoriais, autonômicos ou psíquicos, e resultam da descarga elétrica anormal, excessiva e hipersincrônica de um grupo de neurônios.
( ) As epilepsias constituem um grupo de doenças nas quais um transtorno neurológico subjacente resulta em uma tendência crônica de manifestar crises epilépticas recorrentes não provocadas.
Verdadeira (V). Esta é a definição de epilepsia (ILAE). Epilepsia não é a crise em si, mas sim um transtorno cerebral crônico caracterizado pela predisposição duradoura do cérebro a gerar crises epilépticas. O diagnóstico de epilepsia geralmente requer a ocorrência de:
Duas ou mais crises epilépticas não provocadas (ou reflexas) com um intervalo superior a 24 horas; OU
Uma crise epiléptica não provocada e uma probabilidade de crises recorrentes (≥60%) similar ao risco geral de recorrência (ILAE). A chave é a tendência crônica e a natureza não provocada das crises (ou seja, não causadas por uma injúria aguda, como hipoglicemia, abstinência alcoólica ou febre alta em adultos).
( ) Crises epilépticas são sempre sinônimo de epilepsia. Qualquer pessoa que tenha uma crise epiléptica, mesmo que apenas uma vez na vida, é considerada epiléptica.
Falsa (F). Esta afirmação confunde os dois conceitos. Uma crise epiléptica é um evento (o sintoma). Epilepsia é a doença (a síndrome ou o transtorno crônico). Muitas pessoas experimentam uma única crise epiléptica na vida que é provocada por uma causa aguda e reversível (ex: febre alta - crise febril, trauma craniano agudo, hipoglicemia grave, intoxicação). Nesses casos, a pessoa teve uma crise epiléptica, mas não tem o diagnóstico de epilepsia, pois não apresenta a tendência crônica de ter crises recorrentes não provocadas. Portanto, crise epiléptica não é sinônimo de epilepsia.
Sequência Correta: Com base na análise, a sequência correta é: (V) (V) (F). A sequência V, V, F corresponde ao item (D).
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