Em pacientes com hipertensão arterial sistêmica, a escolha ...
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Tema central: Escolha de anti-hipertensivos conforme perfil clínico e função renal, destacando quando preferir diuréticos tiazídicos versus diuréticos de alça e o papel dos betabloqueadores.
Alternativa correta: D – Em insuficiência renal avançada (creatinina > 2,0 mg/dL ou RFG < 30 mL/min/1,73m²), os diuréticos de alça (furosemida, bumetanida) são preferidos para controle pressórico por melhor eficácia natriurética quando a taxa de filtração glomerular é baixa. Tiazídicos perdem potência nessa faixa de RFG. Diretrizes da SBC (HAS), ACC/AHA e KDIGO 2021 recomendam diuréticos de alça em DRC avançada, especialmente com sobrecarga volêmica. Observação: clortalidona pode ter algum efeito em DRC estágio 4 (CLICK trial), mas, na prática de prova, a preferência é por diuréticos de alça.
Por que as demais estão erradas?
A) Diuréticos de alça não são monoterapia inicial em adultos com função renal preservada. Primeiras linhas: tiazídicos/tiazídico-like (clortalidona, indapamida), IECA/BRAs e BCC (SBC, ACC/AHA, UpToDate). Diuréticos de alça ficam para DRC avançada, IC com congestão ou edema significativo.
B) Combinar betabloqueador + tiazídico pode aumentar risco de intolerância à glicose/DM, mas não é contraindicado. É associação que exige cautela em pacientes com alto risco metabólico; preferir IECA/BRAs/BCC quando possível. Se houver indicação forte (ex.: coronariopatia, IC), pode ser usada com monitorização glicêmica (Harrison’s, ACC/AHA).
C) Betabloqueadores reduzem PA principalmente por ↓ frequência cardíaca, ↓ débito cardíaco e ↓ renina. Não atuam via bloqueio direto de receptores alfa vasculares (isso é próprio de carvedilol/labetalol, que são beta + alfa1). Logo, a afirmação generaliza um mecanismo que não é da classe como um todo (UpToDate).
E) Betabloqueadores de 3ª geração, como carvedilol, não devem ser evitados na IC; pelo contrário, são indicados em IC com fração de ejeção reduzida, reduzindo mortalidade e hospitalizações (SBC-IC, ACC/AHA-HF). A ação vasodilatadora por bloqueio alfa1 é benéfica nesse contexto.
Dicas de prova: - Associe RFG < 30 a preferência por diurético de alça para controle volêmico/pressórico. - Desconfie de termos absolutos como “contraindicada” quando a evidência fala em cautela. - Lembre que a primeira linha em HAS sem comorbidades são tiazídicos-like, IECA/BRAs e BCC.
Referências rápidas: Diretrizes SBC HAS; ACC/AHA Hypertension Guideline; KDIGO 2021 (BP in CKD); Harrison’s; UpToDate.
Gabarito: D
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Comentários
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A. Incorreta. Para a monoterapia inicial em adultos com hipertensão e função renal preservada, a preferência é geralmente por diuréticos tiazídicos (ou similares, como a clortalidona e indapamida), IECA, BRA ou BCC. Os diuréticos de alça são mais potentes, mas de ação mais curta e mais associados a desequilíbrios eletrolíticos (principalmente hipocalemia) e são reservados principalmente para situações de sobrecarga volêmica e edema, como na insuficiência cardíaca e na insuficiência renal avançada.
B. Incorreta. Embora essa combinação não seja ideal para pacientes com alto risco de diabetes de novo (novo início), pois tanto os betabloqueadores mais antigos quanto os diuréticos tiazídicos podem estar associados a um aumento da resistência à insulina e piora do metabolismo da glicose, ela não é formalmente contraindicada. É uma combinação comum, mas seu uso requer monitoramento mais rigoroso da glicemia e a preferência, nesses casos, recai sobre betabloqueadores com efeito vasodilatador (como carvedilol ou nebivolol), que não demonstram o mesmo efeito adverso metabólico.
C. Incorreta. A maioria dos betabloqueadores (como metoprolol, atenolol) exerce seu efeito anti-hipertensivo primariamente pela redução do débito cardíaco e, em geral, tendem a aumentar a resistência vascular periférica (RVP) através do bloqueio dos receptores beta-2, que mediam a vasodilatação. A exceção são os betabloqueadores de terceira geração (como carvedilol e labetalol), que possuem a capacidade adicional de bloquear receptores alfa-1 adrenérgicos (alfa-bloqueio) e, por isso, promovem vasodilatação e redução da RVP. A afirmação generaliza uma característica que é específica da terceira geração.
D. Correta. Pacientes com Doença Renal Crônica em estágio avançado (TFG abaixo de 30 mL/min/1,73m²) frequentemente desenvolvem retenção hídrica e salina devido à diminuição da função renal. Os diuréticos tiazídicos, a primeira linha para HAS em pacientes com função renal preservada, perdem sua eficácia de forma progressiva quando a TFG cai abaixo de 30 mL/min/1,73m². Os diuréticos de alça (Furosemida, Bumetanida, Torsemida) atuam na porção espessa da alça ascendente de Henle e mantêm sua eficácia mesmo com TFG muito baixa, sendo, portanto, a classe de diuréticos de escolha para o manejo da hipertensão e da sobrecarga volêmica em pacientes com insuficiência renal avançada (DRC estágios 4 e 5).
E. Incorreta. Os betabloqueadores (especificamente carvedilol, bisoprolol, succinato de metoprolol e nebivolol) são fármacos essenciais e de primeira linha no tratamento da IC crônica com fração de ejeção reduzida. A ação vasodilatadora do carvedilol, em particular (devido ao seu alfa-bloqueio), é benéfica, pois reduz a pós-carga. A terapia com betabloqueadores na IC é iniciada em doses baixas e titulada lentamente, justamente para evitar a descompensação inicial, mas o benefício a longo prazo é a redução de morbidade e mortalidade.
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