Tinha a ideia de ler os processos [da Inquisição] nas entrel...
(“Entrevista de Carlo Ginsburg”. In: Maria Lúcia Garcia Pallares – Burke. As muitas faces da história. Nove entrevistas, 2000)
O historiador refere-se
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Alternativa correta: E - ao diálogo crítico do pesquisador com a ótica das fontes.
Tema central da questão: Esta questão aborda a postura crítica do historiador diante das fontes históricas. O texto faz referência à necessidade de ir além do que está explícito nos documentos históricos, analisando-os de modo questionador e buscando significados ocultos ou indiretos. Trata-se de um dos princípios metodológicos defendidos por alguns dos maiores historiadores do século XX, como Marc Bloch e Carlo Ginzburg, fundadores da História das Mentalidades e da Micro-história.
Resumo teórico: Para a pesquisa histórica contemporânea, as fontes não são vistas como verdades absolutas, mas como construções humanas, sujeitas a intenções, manipulações e contextos. O historiador deve analisá-las criticamente, dialogando com elas, desconfiando, cruzando informações e, muitas vezes, tentando ler “nas entrelinhas”. Essa postura foi recomendada por Marc Bloch, que propôs a análise das intenções e dos silêncios das fontes (Apologia da História).
Justificativa da alternativa correta (E): A alternativa E indica exatamente essa abordagem: um diálogo crítico com as fontes. O historiador investiga os documentos, questiona suas intenções e seus limites, buscando ir além da superfície. Isso é essencial para evitar conclusões ingênuas ou enviesadas.
Análise das alternativas incorretas:
- A: Fala em predomínio das fontes primárias, mas o texto discute interpretação, não hierarquia de fontes.
- B: Sugere submissão às fontes oficiais, enquanto o texto defende justamente o contrário: uma postura ativa e crítica do pesquisador.
- C: Trata de comprovação de conhecimentos prévios (“apriorísticos”), o que é um erro metodológico rejeitado pela historiografia contemporânea.
- D: A organização cronológica pode ser importante, mas o texto não discute sua relevância ou irrelevância, e sim o modo como se lê e interpreta as fontes.
Dica de interpretação: Procure sempre identificar, no enunciado e nas alternativas, palavras-chave relacionadas à crítica, análise, questionamento ou intenção das fontes. Desconfie de opções que defendam passividade ou aceitação literal dos documentos.
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