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Gabarito comentado
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Tema central: diferenças morfológicas e estruturais entre dentes decíduos e permanentes e suas implicações clínicas (cárie, preparo cavitário, endodontia e extração).
Alternativa correta: C — Os dentes decíduos possuem esmalte e dentina mais delgados e menos mineralizados que os permanentes. Consequências clínicas: câmara pulpar proporcionalmente maior, pontas de cúspides mais próximas da polpa e maior risco de exposição pulpar por cárie ou por preparo cavitário. Isso explica a progressão mais rápida da lesão cariosa e a necessidade de preparos conservadores, forramentos/calços protetores e, muitas vezes, restaurações de cobertura (p. ex., coroas de aço em molares com lesões extensas). Referências: AAPD Best Practices – Restorative Dentistry; McDonald and Avery’s Dentistry for the Child and Adolescent.
Por que as demais estão incorretas?
A. Afirma que os decíduos são mais mineralizados e mais resistentes. Isso contraria a evidência: o esmalte/dentina decíduos são menos mineralizados e mais porosos, favorecendo a difusão ácida e a rápida desmineralização. A conclusão sobre “destruição rápida” até ocorre na clínica, mas não por maior mineralização, e sim pelo menor espessamento e menor conteúdo mineral. Pegadinha clássica: trocar “menos” por “mais” mineralização. Fontes: AAPD; Pinkham – Odontopediatria.
B. Diz haver menor risco de fratura radicular em extrações de molares decíduos por “afastamento e delicadeza” das raízes. Na prática, ocorre o oposto: as raízes dos molares decíduos são delgadas, longas, divergentes e passam por reabsorção fisiológica, ficando mais suscetíveis à fratura durante a exodontia e com risco de deslocamento do ápice para o folículo do sucessor permanente. Conduta: luxação suave, possível seccionamento coronário e controle radiográfico. Referências: McDonald and Avery; AAPD – Management of the Developing Dentition.
D. Reduz a anatomia interna dos molares decíduos a “um único canal”. Isso é falso. Molares decíduos geralmente possuem múltiplos canais, canais em fita, anastomoses e canais acessórios, além de alterações por reabsorção, o que torna a terapia pulpar mais desafiadora e exige materiais reabsorvíveis em pulpectomias. Fontes: AAPD – Pulp Therapy; Cameron & Widmer – Handbook of Pediatric Dentistry.
Estratégia de prova: identifique palavras-chave: “espessura do esmalte/dentina”, “mineralização”, “volume pulpar”, “morfologia radicular” e “complexidade de canais”. Desconfie de absolutismos como “único canal” e de inversões comuns (“maior” vs “menor” mineralização).
Referências essenciais: AAPD Reference Manual 2023–2024 (Best Practices: Restorative Dentistry; Pulp Therapy; Developing Dentition); McDonald and Avery’s Dentistry for the Child and Adolescent; Cameron & Widmer, Handbook of Pediatric Dentistry.
Gabarito: C
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