A tendência expressionista, nas artes, é anterior ao apareci...
“A Cidade do Halloween, assim como Gotham City, contém vastos complexos de formas recortadas, pontudas, lembrando muito os padrões góticos. Os cenários são repletos de objetos materiais que sofreram uma representação mais emocional. A cidade parece um recorte de filmes como O gabinete do Dr. Caligari e Nosferatu ou paisagens das telas de Münch, Klee, Chagall ou Kandinsky. Os tetos e as chaminés oblíquos e confusos, janelas com arabescos distorcidos, as sombras em desarmonia com os efeitos de luz, são todos elementos constantemente presentes em obras de conteúdo expressionista. Tais características são evidentes nas obras de Burton.
As personagens de O estranho mundo de Jack não fogem desses padrões. Jack Skellington, o protagonista, é feito de ossos e se veste todo de negro, usando uma gravata que imita um morcego. Arranca sua cabeça para citar Shakespeare com naturalidade e facilmente se desfaz de uma costela para entreter o seu estimado cão Zero. A mesmice e a passividade de sua rotina assolam a personagem, deixando-o angustiado e taciturno. Sally, a boneca de trapos, se desmembra com extrema facilidade, ora para escapar de seu criador, o Dr. Finklestein, que levanta habitualmente a parte superior se seu desfigurado crânio para coçar o cérebro, ora para salvar o próprio Papai Noel das garras do hilário Oogie Boogie, um ser totalmente recheado de insetos viscosos. Ao se desmem-brar, Sally costura por sua conta as partes de seu corpo. Essa alusão à obra de Mary Shelly é a grata surpresa do filme, sendo que a personagem não existe no livro. O andar desen-gonçado, o equilíbrio precário, os olhos esbugalhados e a boca toscamente cortada encantam o filme” (ABREU, p.229).
Com seu formato alternativo, o cinema expressionista apresenta como uma característica importante: