O primitivismo, como tendência estética, despontou nas vangu...

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Ano: 2022 Banca: IF-PA Órgão: IF-PA Prova: IF-PA - 2022 - IF-PA - Professor EBTT - Artes |
Q3995329 Educação Artística
O primitivismo, como tendência estética, despontou nas vanguardas do século XX como o interesse pelas culturas de povos autóctones e se tornou um dos pilares do modernismo. Esse motivo ‐ que para os artistas europeus traduziu-se na concepção de que outras culturas, chamadas de “primitivas” conservariam a pureza de suas características originarias, por estarem mais distante do desenvolvimento da civilização ‐ foi incorporada ao modernismo brasileiro, a partir do contato de Oswald de Andrade com artistas primitivistas das vanguardas europeias, conforme descreve Paulo Prado no prefácio do livro Poesia Pau-Brasil:
“A poesia "pau-brasil" é o ovo de Colombo - esse ovo, como dizia um inventor meu amigo, em que ninguém acreditava e acabou enriquecendo o genovês. Oswald de Andrade, numa viagem a Paris, do alto de um atelier da Place Clichy - umbigo do mundo -descobriu, deslumbrado, a sua própria terra. A volta à pátria confirmou, no encantamento das descobertas manuelinas, a revelação surpreendente de que o Brasil existia. Esse fato, de que alguns já desconfiavam, abriu seus olhos à visão radiosa de um mundo novo, inexplorado e misterioso. Estava criada a poesia "pau-brasil” (p.67)
No continente americano, as populações ameríndias seriam esses povos autóctones, portanto, o primitivismo brasileiro protagonizado pelo movimento Antropofágico de Oswald se configurou:  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O decisivo era a oposição entre o indianismo romântico idealizador e a releitura modernista da matriz ameríndia, que rompe com a figura do índio romantizado. Por isso, a alternativa correta é a D.

Tema central: Antropofagia e indianismo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque apresenta o indianismo romântico de Gonçalves Dias e José de Alencar como modelo inspirador reconhecido pela antropofagia. Isso supõe continuidade afirmativa entre romantismo e modernismo antropofágico, quando o ponto decisivo é que a antropofagia não valida o índio romantizado já consagrado pelo romantismo.
B
Errada
Está errada porque, embora fale em reinterpretação, preserva o núcleo romântico do índio como herói nacional. A questão exige justamente a ruptura com essa heroicização idealizada, e não sua manutenção em versão modernizada.
C
Errada
Está errada porque reduz o fenômeno a uma modernização de representações antigas dos povos ameríndios. O que a base aponta é mudança de concepção: revisão crítica da figura romântica do índio, e não simples atualização formal de imagens anteriores.
D
Certa
A alternativa D é a compatível com o critério cobrado: a antropofagia modernista brasileira não se define como continuação do indianismo romântico, mas como reformulação crítica da matriz ameríndia. O ponto seguro da alternativa está em marcar a desconstrução da figura do índio romantizado, que é justamente o contraste decisivo com o romantismo. A sustentação do gabarito oficial está nesse afastamento da idealização anterior.
E
Errada
Está errada porque, apesar de tocar na busca de brasilidade e na tensão com modelos europeus, formula isso como idealização de um modelo nacional inspirado na arte indígena. Esse ponto contraria o critério decisivo da questão, que é a desconstrução crítica do índio idealizado, e não uma nova idealização nacionalista.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tratar toda valorização do elemento indígena como se fosse continuidade do indianismo romântico. A questão só se resolve quando se separa idealização romântica de reelaboração crítica modernista.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão aproximar romantismo e modernismo, verifique se há continuidade da idealização ou ruptura crítica com ela.
  • Se a alternativa mantiver o índio como herói nacional idealizado, ela se alinha ao indianismo romântico, não à antropofagia modernista.
  • Não basta a alternativa mencionar brasilidade, primitivismo ou crítica à Europa; é preciso observar como o elemento indígena está sendo conceituado.
  • Em comparações históricas, priorize a mudança de concepção antes de aceitar alternativas que falem apenas em atualização ou reaproveitamento.

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