De acordo com o texto, só NÃO contribui para o cultismo na l...
Gabarito comentado
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Tema central da questão:
O tema aqui é interpretação de texto, associada à compreensão do fenômeno chamado cultismo na linguagem jurídica. Por trás dela, envolve também semântica e sintaxe, especialmente na identificação de elementos de rebuscamento e vocabulário erudito no Direito. A questão pede a identificação de qual alternativa não contribui para esse cultismo segundo o texto-base.
Justificativa da alternativa correta (B):
A alternativa B) Presença constante de próclises e mesóclises é a correta.
No texto, discute-se que, embora a mesóclise (ex: estabelecer-se-á) seja formal e de uso incomum no dia a dia, ela é um traço de tradição jurídica, não de cultismo propriamente. Já a próclise (ex: não me disse) é até vista erroneamente como menos erudita, mas representa uso corriqueiro e natural.
Portanto, o emprego de próclise e mesóclise não torna o texto hermético ou rebuscado; está em conformidade com a norma-padrão, sem adicionar artificialidade que dificulte a comunicação.
Análise das incorretas:
A) Emprego frequente de advérbios de negação:
O próprio texto diz que o "excesso de partículas de negação" contribui para a complexidade injustificada no discurso jurídico, elemento típico do cultismo. Por exemplo, as lítotes (“não repousa nos autos qualquer missiva...”) dificultam o entendimento.
C) Alteração na ordem direta dos termos da frase:
Mudanças sintáticas, como o sujeito posposto ao verbo (“Assentou o tribunal de origem”), conferem complexidade e artificialidade ao texto. Essa inversão é mencionada explicitamente como parte do estilo rebuscado.
D) Léxico rebuscado pela ocorrência de latinismos:
A presença de latinismos, cultismos e eruditismos, como “teratologia” ou “ergástulo”, claramente dificulta a comunicação e caracteriza o cultismo. O texto destaca que termos do Direito Romano ainda são frequentes e contribuem para essa barreira linguística.
Dicas e pegadinha:
Note que a banca poderia induzir o candidato ao erro usando a mesóclise como traço formal e confundi-lo com rebuscamento – mas, pela norma-padrão (cf. Cunha & Cintra, Bechara), trata-se apenas de traço culto, não de cultismo. Atenção a diferenças sutis entre formalidade e rebuscamento.
Resumo da Estratégia:
Procure distinguir entre o que é recurso formal da Língua (mesóclise, próclise) e o que é, de fato, artifício rebuscado e elitista (vocabulário raro, inversão sintática, excesso negador, latinismo). Faça sempre a busca de correspondência no texto-base.
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Comentários
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Em nenhum momento, no texto, citou-se próclise, apenas mesóclise, por isso essa é a alternativa incorreta que o caput da questão solicitou.
O texto menciona que a colocação pronominal (como próclise e mesóclise) não é o principal problema na discussão sobre a dificuldade da linguagem jurídica. A autora até diz que isso é "o menor dos problemas" e que não se propõe a abolir esse sistema. Portanto, o uso dessas formas não é o que caracteriza o cultismo na linguagem jurídica.
O texto faz justamente essa crítica. Muitas vezes os caras forçam uma ênclise só pq fica com aquela cara de texto mais rebuscado, no entanto uma simples próclise já resolveria o problema.
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