Tomando-se o exemplo da palavra “pré-requisito”, localizada ...
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Desumanizado mundo novo
- Vivemos em um mundo repleto de ironias, de contradições, de paradoxos, em um mundo
- confuso e confusamente percebido, como escreveu Milton Santos. Vemos, de um lado, a
- tecnologia se desenvolver em uma velocidade cada vez maior, enquanto nós parecemos ir no
- sentido contrário, em um processo contínuo e acelerado de desumanização. É óbvio que o
- desenvolvimento tecnológico em si não é o causador do problema, mas o progresso humano
- está paulatinamente mais distante do progresso da máquina e das grandes cidades. É como se,
- para que um exista, o outro tenha que ceder espaço de si mesmo, adaptar-se, abnegar-se,
- transformar-se no que não é.
- Por mais que o desenvolvimento da ciência e da tecnologia seja importante e traga
- benefícios para a vida individual e coletiva, é preciso considerar que um mundo de coisas não é
- um mundo de pessoas. Todo “progresso” conseguido através da tecnologia deve servir como
- instrumento para que haja uma melhora na condição humana. Desse modo, caso não seja
- percebido um progresso similar entre o mundo das máquinas e o mundo dos homens, é
- necessário repensar e reorganizar as bases em que tal “desenvolvimento” tem ocorrido.
- Se analisarmos os altos índices (com projeções ainda maiores) de doenças psicológicas,
- perceberemos que as áreas com maior incidência são as grandes cidades, onde a modernidade,
- com todo o seu “progresso” material, consegue se “desenvolver” com maior êxito. Além disso,
- os jovens são o grupo mais afetado, o que não significa que outras pessoas não possam sofrer
- com os mesmos problemas. Esses dados separados podem não ter muito nexo. Contudo, se
- analisados juntos, fazem todo o sentido, já que há uma pressão muito maior sobre as atuais
- gerações para que elas consigam se afirmar e obter sucesso dentro dos parâmetros
- estabelecidos pela sociedade, pautada, evidentemente, pelo consumismo e espetacularização
- de bens que afirmam a magnificência do mundo líquido moderno.
- Com isso, na medida em que o “sucesso” não é atingido, uma vez que nem todos possuem
- os “pré-requisitos” necessários para adentrar no oásis de prazer da sociedade de consumo, nem
- os “talentos” necessários para agradar à plateia do espetáculo permanente, que é a nossa
- sociedade, passa-se a ter sujeitos frustrados, insatisfeitos e desindividualizados, que ao mesmo
- tempo em que não conseguem se encaixar no mundo, não conseguem reconhecer a si próprios.
- Em outras palavras, não há espaço para todos brilharem e/ou nem todos querem, de fato,
- “brilhar”. Logo, muitos acabam ficando no meio do caminho, entre ser um sujeito individual,
- mas desencaixado; ou ser um sujeito despersonalizado, porém ajustado. O preço cobrado por
- sair __ um lugar, mas não chegar __ outro, é ficar perdido da sociedade e, sobretudo, de si
- mesmo.
- Apesar desses casos serem, aparentemente, mais graves, não se deve entender que
- renunciar à própria individualidade em favor do cumprimento de protocolos sociais seja algo
- saudável ou normal. Pelo contrário, é no enquadramento, na subserviência às regras de uma
- sociedade que se apresenta em um temível estado patológico que reside o âmago do problema,
- pois é por meio da conversão de novas ovelhas que a “igreja” expande o seu rebanho e,
- consequentemente, o seu poder.
- É urgente repensar o nosso mundo e declarar a ironia de uma sociedade que transverte o
- fracasso em uma roupa de sucesso e que, ao criar a ilusão de uma sociedade de indivíduos,
- criou uma sociedade de massa, uniforme e prisioneira em um reino de ignorância, indiferença,
- egoísmo e apatia, em que todos, em alguma medida, vivem de forma mecânica, anônima,
- invisível e solitária, distantes de si, distantes do mundo, chorando as lágrimas escassas de
- quem não acredita mais no choro. Estamos todos doentes e precisamos nos curar. Entretanto, a
- cura não está na sanidade de um mundo aparentemente são, mas completamente adoecido, e
- sim na lou(cura) de ser a si mesmo e permitir que os outros também sejam, pois qualquer
- caminho que tomemos deve ter como destino o nosso ser.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://www.contioutra.com/desumanizado-mundo-novo/. Acesso em 14 mar. 2019.
Tomando-se o exemplo da palavra “pré-requisito”, localizada no texto, qual das seguintes alternativas contém outra palavra corretamente hifenizada?
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: A questão avalia o conhecimento do candidato sobre hifenização segundo o Novo Acordo Ortográfico, um conteúdo essencial para a escrita formal e fundamental em provas de concursos públicos, especialmente para redação de documentos e relatórios na atuação de assistentes sociais.
As regras de hifenização foram modificadas pelo Novo Acordo Ortográfico (2009), e sua correta aplicação é crucial para atender à norma-padrão da Língua Portuguesa.
Regra geral: O hífen é usado com alguns prefixos (ex: pré, pós, além, aquém) quando o segundo termo começa com “h” ou quando há repetição de letras iguais. Se o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com “r” ou “s”, estas consoantes se duplicam (antissocial, minissaia), sem hífen.
Análise das alternativas:
A) Supra-auricular
Correta. O prefixo “supra-” admite o uso do hífen mesmo antes de vogal, por regra tradicional (manual de referência: Bechara), especialmente em termos técnicos e na área da saúde (“supra-auricular”, “supra-renal”). Esta formação está correta.
B) Infra-som
Incorreta. O correto é infrassom (com dois “s”, sem hífen), pois, conforme o Acordo Ortográfico, duplica-se o “s” sem hífen.
C) Geo-física
Incorreta. O correto é geofísica (sem hífen), pois “geo-” termina em vogal e “física” começa com consoante.
D) Anti-religioso
Incorreta. O correto é antirreligioso (sem hífen, com dois “r”). Prefixos terminados em vogal seguidos de “r” duplicam o “r”, sem hífen.
E) Termo-elétrico
Incorreta. O correto é termoelétrico (sem hífen). Prefixo terminado em vogal, seguido de vogal diferente, não recebe hífen.
Dicas para questões assim: Atenção especial aos prefixos e às letras iniciais do segundo elemento. O uso do hífen ainda confunde muitos candidatos; decorar exemplos e observar exceções pode ser estratégico.
Referência: Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”); Celso Cunha & Lindley Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”).
Resumo: A alternativa A) está de acordo com a nova ortografia. Estude os prefixos e pratique!
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