“A Colônia se diversificava. As formas de ocupação que havia...
“A Colônia se diversificava. As formas de ocupação que haviam garantido a presença portuguesa entre os séculos XVI e XVII, ou seja, o latifúndio e a monocultura, passaram a conviver crescentemente com outras atividades econômicas.” (Del priore, Mary. Venâncio, Renato. Uma breve história do Brasil. São Paulo. Planeta. 2010. p. 135).
Avalie as proposições a seguir, considerando a realidade sócio-economica da América portuguesa.
I- A vida urbana trouxe para a cena vários atores, entre eles os ciganos. Só não há registro, neste espaço, de artesãos, devido à proibição da metrópole da colônia ter sua própria produção.
II- Um intricado mundo de comerciantes dominava as várias áreas da América portuguesa. Sua imensidão territorial gerou, contudo, o aparecimento de comerciantes volantes, gente acostumada a percorrer grandes distâncias levando seus produtos em uma ou outra direção. A maioria branca, nascida no Brasil.
III- Em Salvador, no início do século XIX, um dado digno de registro é que não há na capital baiana a presença de indigentes mendigando em suas ruas devido a ser um centro administrativo onde centralizava recursos.
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Alternativa correta: E – II.
1. Tema central da questão:
A questão aborda a diversificação socioeconômica da colônia brasileira entre os séculos XVII e XIX, exigindo do aluno conhecimento sobre as diferentes atividades econômicas, a vida urbana e o perfil dos grupos sociais na América Portuguesa.
2. Resumo teórico:
Durante a colonização, o modelo dominante era o latifúndio monocultor (principalmente cana-de-açúcar), porém, com o tempo, surgiram outras atividades como pecuária, comércio interno e feiras. O território vasto favoreceu o surgimento dos comerciantes volantes (ambulantes), essenciais para ligar regiões distantes, sendo muitos deles brancos nascidos no Brasil (crioulos) (cf. Mary Del Priore & Renato Venâncio, 2010).
3. Justificativa da alternativa correta (II):
A proposição II descreve corretamente essa realidade: havia uma rede de comerciantes locais que viajavam pelo interior, muitos deles brasileiros brancos, transportando mercadorias entre diferentes regiões, devido à extensão da colônia e à dificuldade de comunicação. Isso está em acordo com as fontes acadêmicas sobre economia colonial.
4. Análise das alternativas incorretas:
- I – Incorreta:
Havia, sim, artesãos na colônia, mesmo com restrições da Coroa. Eles produziam objetos do cotidiano – roupas, sapatos, móveis – especialmente nas cidades. A proibição era sobre manufaturas em larga escala, não sobre o artesanato. - III – Incorreta:
A presença de indigentes em Salvador (e outras cidades coloniais) era registrada por viajantes e autoridades, resultado de desigualdades sociais. A centralização de recursos não eliminava a pobreza urbana.
5. Estratégias de interpretação:
Desconfie de afirmações absolutas (“não há registro”, “não havia”) e lembre-se de que a vida urbana colonial era muito diversificada. Sempre analise se o enunciado faz uma generalização que não condiz com a complexidade histórica.
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I - A vida urbana trouxe para a cena vários atores, entre eles os ciganos. Só não há registro, neste espaço, de artesãos, devido à proibição da metrópole da colônia ter sua própria produção.
- Incorreta (E). Embora a metrópole portuguesa, de fato, tenha controlado a produção e proibido o desenvolvimento de indústrias nas colônias para proteger seus próprios produtos, a afirmação de que não havia artesãos na América portuguesa é incorreta. Artesãos existiam e atuavam em diversas cidades coloniais, apesar das restrições. Esses trabalhadores exerciam atividades como marcenaria, carpintaria, construção, e até produção de bens de consumo básico para o mercado interno. A presença de ciganos também foi real, com alguns migrando para o Brasil, integrando-se a atividades como comércio e entretenimento.
II - Um intricado mundo de comerciantes dominava as várias áreas da América portuguesa. Sua imensidão territorial gerou, contudo, o aparecimento de comerciantes volantes, gente acostumada a percorrer grandes distâncias levando seus produtos em uma ou outra direção. A maioria branca, nascida no Brasil.
- Correta (C). A economia da América portuguesa era marcada pela circulação de bens, com comerciantes e tropeiros desempenhando papel essencial para conectar as diferentes regiões. Esses comerciantes volantes, conhecidos também como mascates ou tropeiros, percorriam grandes distâncias para vender produtos e transportar mercadorias, adaptando-se ao vasto território brasileiro. A maioria desses comerciantes era de brancos nascidos no Brasil (brasileiros natos), refletindo uma população urbana diversificada que se dedicava ao comércio, em parte devido às limitações impostas ao desenvolvimento de indústrias.
III - Em Salvador, no início do século XIX, um dado digno de registro é que não há na capital baiana a presença de indigentes mendigando em suas ruas devido a ser um centro administrativo onde centralizava recursos.
- Incorreta (E). Salvador, sendo a primeira capital e um centro administrativo importante até o início do século XIX, de fato concentrava recursos e atraía pessoas em busca de oportunidades, mas a afirmação de que não havia indigentes ou mendicância é incorreta. As cidades coloniais brasileiras, incluindo Salvador, abrigavam desigualdades sociais e, como em outras áreas urbanas, havia uma população marginalizada que incluía indigentes, escravos libertos sem recursos e pessoas em situação de pobreza. Esses grupos faziam parte da dinâmica social urbana, sendo uma realidade comum nas maiores cidades coloniais da época.
Resumo:
- I - Incorreta (E): Existiam artesãos na colônia, mesmo com restrições econômicas impostas por Portugal.
- II - Correta (C): O comércio ambulante era uma característica essencial da economia colonial, com comerciantes locais percorrendo grandes distâncias.
- III - Incorreta (E): A desigualdade social urbana fazia parte de Salvador, com presença de mendigos e indigentes, como em outras grandes cidades da época.
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Vamos analisar cada proposição de acordo com o contexto histórico da América portuguesa:
1️⃣ I - A vida urbana trouxe para a cena vários atores, entre eles os ciganos. Só não há registro, neste espaço, de artesãos, devido à proibição da metrópole da colônia ter sua própria produção.
❌ Falsa – A vida urbana, de fato, trouxe diversos atores sociais para as cidades da América portuguesa, mas não podemos afirmar que não havia registros de artesãos. Além disso, a metrópole não proibia totalmente a produção de bens na colônia, embora tenha estabelecido restrições e regulamentações sobre certos tipos de produção para evitar a concorrência com a produção portuguesa.
2️⃣ II - Um intricado mundo de comerciantes dominava as várias áreas da América portuguesa. Sua imensidão territorial gerou, contudo, o aparecimento de comerciantes volantes, gente acostumada a percorrer grandes distâncias levando seus produtos em uma ou outra direção. A maioria branca, nascida no Brasil.
✅ Verdadeira – De fato, o comércio era uma das principais atividades econômicas no Brasil colonial, e a imensidão territorial do país levou ao aparecimento de comerciantes volantes. Estes viajavam longas distâncias, trocando produtos entre as diversas regiões. Quanto à maioria branca, também está correto que, com o tempo, muitos comerciantes eram brancos nascidos no Brasil.
3️⃣ III - Em Salvador, no início do século XIX, um dado digno de registro é que não há na capital baiana a presença de indigentes mendigando em suas ruas devido a ser um centro administrativo onde centralizava recursos.
❌ Falsa – Salvador, assim como outras grandes cidades coloniais, tinha uma grande população de indigentes e mendigos. O fato de Salvador ser um centro administrativo não impediu a presença de pessoas em condições de pobreza extrema, muito menos a ausência de mendigos nas ruas.
✅ Resposta correta: Alternativa E (II).
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