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Com base no mesmo assunto
Ano: 2026
Banca:
FAFIPA
Órgão:
Prefeitura de Colombo - PR
Prova:
FAFIPA - 2026 - Prefeitura de Colombo - PR - Professor |
Q4341838
Português
Texto associado
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Bom dia, solidão
-
Que eu sou fã da Tamara Klink não é nenhuma novidade. Como não ser? Corajosa, inteligente,
determinada — mas um modelo a não ser seguido: essa coisa de passar oito meses sozinha em um
barco, com temperaturas abaixo de zero, isolada no fim do mundo, não é para o nosso bico. Melhor
continuar sonhando em ser um BBB, porque Tamara é de outra natureza.
Acabei de ler Bom dia, inverno, o diário de bordo da expedição de Tamara pelo Ártico, durante o
período mais hostil da região. Já havia lido Nós, também de sua autoria, e mais uma vez fiquei
encantada e apavorada: como é que os pais dela não prendem essa garota ao pé da cama? Tamara é
uma profissional da navegação, se prepara obstinadamente e tem a aventura no DNA, mas são
muitos os inimigos: as nevascas, as tempestades, os icebergs, os animais selvagens, os enguiços
mecânicos, sem falar no próprio corpo, que pode dar defeito de uma hora para outra. Ela ainda não
fez 30 anos e enfrenta tudo isso com um prazer desavergonhado e um autocontrole de Buda.
Alguém aí deve estar pensando: faltou falar na solidão, pior inimigo de todos.
Essa é a parte em que Tamara brilha ainda mais. A despeito de toda a palpitação que seus relatos
provocam, vê-la falar sobre solidão nos acalma. Ela desestigmatiza esse estado que é natural e
intrínseco a todos. Sempre defendi a importância de ter amigos íntimos e amores que façam bem à
saúde, mas a relação que precisa, mesmo, dar certo, a gente sabe qual é. Se não tolerarmos nossa
própria companhia, se não formos capazes de nos entretermos a sós por longos períodos, o resto
desanda.
A necessidade de estar com os outros a qualquer custo, para fugir de si, é uma síndrome ainda
pouco debatida e que se alimenta da desonestidade social. Casados gastam mais que solteiros, e ter
filhos duplica a conta. Apoiados pela religião, nações enchem os cofres tentando nos convencer de
que viver sozinho é triste e perigoso. Ora, perigoso é conviver com pessoas falsas, perigoso é se
deixar guiar por convenções que nos desviam de nós mesmos. "Estar sozinha diminui as
dificuldades, não aumenta". Não sou eu, é a moça do barco que diz, aquela que passava semanas
sem ouvir a própria voz, mas que não parava de conversar com seus pensamentos. Em tempos de
conexão frenética com desconhecidos pelas redes sociais, em que todos têm um pitaco para dar e
uma verdade para vender, você confia que seus pensamentos têm sido, de fato, seus?
Adoro namorar, ser mãe, ser filha e fazer parte de turmas reais (em vez de grupos de WhatsApp),
mas eu sei, ninguém me contou: a solidão escolhida é a conexão mais profunda e fértil que se pode
ter na vida. Não impede outras, mas as outras serão simulacros se ela não vier primeiro.
Em "Em tempos de conexão frenética com desconhecidos pelas redes sociais, em que todos têm um
pitaco para dar e uma verdade para vender, você confia que seus pensamentos têm sido, de fato,
seus?", a função da linguagem que se sobressai é a: