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Considerando a construção sintática do trecho "Pouca coisa ...

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Q4113015 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando a construção sintática do trecho "Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade", analise o uso do acento indicativo de crase em "à noite" e assinale a alternativa que apresenta a justificativa gramatical correta para sua ocorrência.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Em "Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade.", a crase decorre da regência da forma pronominal "comparar-se a" e da presença do artigo definido feminino antes de "noite"; a fusão de "a + a" resulta em "à", o que confirma o gabarito A.

Tema central: Crase por regência verbal
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A identifica o ponto normativo exato da construção: o verbo aparece na forma pronominal "se compara", cuja regência é "a"; como o termo seguinte é "noite" com artigo definido feminino, ocorre a fusão entre preposição e artigo. Portanto, o acento grave não é facultativo nem decorre apenas de "noite" ser feminino: ele resulta da estrutura sintática efetiva do trecho.
B
Errada
Está errada por erro de regência verbal. No trecho, a construção é "se compara a", e não um uso sem preposição. Ao afirmar que o verbo "comparar" não exige preposição e que o correto seria "compara a noite", a alternativa desconsidera a forma efetivamente usada: "Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade."
C
Errada
Está errada porque generaliza indevidamente o uso da crase em expressões temporais. A base não autoriza dizer que toda expressão de valor temporal deve receber acento grave. Aqui, o fator decisivo não é o valor temporal de "à noite", mas a regência verbal de "comparar-se a" combinada com o artigo feminino.
D
Errada
Está errada porque dispensa justamente a análise necessária para decidir a crase. A simples presença de termo feminino determinado não basta; é indispensável haver preposição exigida pelo termo regente. Neste caso, a crase só se justifica porque há regência verbal mais artigo feminino.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre reconhecer "à noite" como expressão temporal e concluir, de modo automático, que a crase vem daí; no trecho, a causa normativa decisiva é a regência de "comparar-se a", não uma regra geral para expressões de tempo.
Dica para questões semelhantes
  • Antes de decidir a crase, localize o termo regente e verifique se ele exige preposição "a".
  • Não trate substantivo feminino determinado como condição suficiente: sem preposição, não há crase.
  • Não transforme casos frequentes, como expressões temporais, em regra absoluta; confirme sempre a estrutura sintática do trecho.

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