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Q4113009 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As tempestades sempre passam


As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam. Umas demoras mais, outras são quase tão rápidas quanto a queda de um raio, mas, passam. Passam como o vento passa, como as marés se repetem, sempre outras em seu movimento de subir e descer. Passam como o ciclo das mulheres, como o corpo que se abre, como a vida que nasce de dentro do ventre e ilumina este mundo no primeiro choro saudando a luz.


As tempestades passam e deixam no céu a transparência que me fala de outros mundos, de outras dimensões, de momentos esquecidos que precisam ser resgatados, e de outros não vividos, que se perdem na distância, além de qualquer possibilidade, até mesmo para o sonho.


As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante, que faz mais alegre o dia, para dar lugar a uma lua que, se estiver cheia é uma ode impressa no céu, mas que, se estiver crescente, é um soneto, e é o momento mais terno e mais suave de todos os que a natureza dá.


Pouca coisa se compara à noite depois duma tempestade. Pouca coisa tem mais poesia do que o céu limpo mudando de cor, até atingir o azul profundo, onde a lua se deita, como uma cimitarra de ouro, apontando os rumos e as rotas das vidas de cada um de nós.


A lua depois da chuva é poesia pura, é o encontro da alma com o eterno, do atávico com o futuro, como se todos fossemos um único corpo, e o universo não se fragmentasse em estrelas e cometas rodeados de planetas, onde, algumas vezes, a vida se faz, sem explicação capaz de nos explicar, mas real como cada um de nós, como cada corpo e cada pensamento.


A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada, na semente carregada pelo vento, no encontro da luz com as águas escuras onde ela reflete os sonhos de Deus, antes de criar o paraíso.


MENDONÇA, Antonio Penteado. As tempestades sempre passam. Crônicas da Cidade, 28 nov. 2021. Disponível em: https://cronicasdacidade.com.br/cronicas/2021/11/28/as-tempestades-s empre-passam/ . Acesso em: 16 nov. 2025.
Considerando os recursos discursivos e os elementos de progressão temática do texto, assinale a alternativa que apresenta uma análise coerente com a construção simbólica do texto e os mecanismos linguísticos empregados para sua articulação semântica. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a progressão temática sustentada pela rede metafórica do texto, em que a tempestade deixa de ser apenas fenômeno natural e passa a simbolizar transitoriedade, depuração e renovação. Isso se evidencia em trechos como “As tempestades, vêm, caem, destroem e passam. Sempre passam.”, “As tempestades passam e dão lugar a um sol mais limpo e mais brilhante” e “A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada”, o que confirma a alternativa C como a única coerente com esse eixo semântico-discursivo.

Tema central: construção simbólica da tempestade
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao afirmar conflito argumentativo entre efemeridade da natureza e eternidade do ser humano. O texto não opõe homem e natureza; ele os aproxima em uma integração simbólica, como em “como se todos fossemos um único corpo”. Também erra ao dizer que a última frase abandona a linguagem figurada, porque o fechamento permanece metafórico: “A lua depois da tempestade é a chegada da vida na terra molhada”.
B
Errada
A alternativa é excluída porque o texto não descreve fenômenos meteorológicos de modo objetivo nem emprega termos técnicos. A articulação semântica é subjetiva e conotativa, como mostram “a transparência que me fala de outros mundos”, “poesia pura”, “encontro da alma com o eterno” e “sonhos de Deus”. Portanto, a natureza não limita a interpretação simbólica; ela a sustenta.
C
Certa
A alternativa C acerta ao identificar a tempestade como imagem de conflitos transitórios superados e ao reconhecer que a natureza é usada para representar purificação e renascimento. Isso se confirma na passagem de “destroem e passam” para “um sol mais limpo e mais brilhante” e, ao final, para “a chegada da vida na terra molhada”. A formulação “linearidade narrativa” é menos precisa do que progressão temática encadeada, porque o texto é predominantemente lírico-reflexivo, mas essa imprecisão não afeta o núcleo correto da análise.
D
Errada
A alternativa erra ao dizer que a alternância entre concreto e abstrato anula a coerência interna. No texto, esse trânsito é o próprio mecanismo de construção simbólica: as imagens concretas da tempestade, do céu, do sol e da lua se articulam às abstrações de alma, eterno, poesia e criação. Em vez de comprometer a espiritualidade, essa articulação a reforça.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar a presença de fenômenos naturais como descrição objetiva e rejeitar a alternativa C por causa da expressão “linearidade narrativa”, embora o núcleo semântico-discursivo dela coincida com a progressão simbólica do texto.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se os elementos concretos do texto estão sendo usados literalmente ou como rede metafórica recorrente.
  • Acompanhe a progressão temática: aqui, “tempestades” e “passam” se repetem e expandem o sentido até chegar a sol, lua, vida e criação.
  • Não trate mistura de imagem concreta e abstração como incoerência sem antes checar se ela produz unidade simbólica.
  • Se uma alternativa tiver um detalhe técnico discutível, confira se o núcleo interpretativo ainda corresponde ao eixo de sentido do texto.

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Comentários

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O texto recorre à metáfora da tempestade como representação de conflitos interiores transitórios, utilizando-se de imagens da natureza para ilustrar os processos de purificação e renascimento, o que se comprova pela linearidade narrativa e pela constância lexical ao longo do texto.

C

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