Assinale a alternativa que aborda a tese do texto.
O texto a seguir é referência para a questão.
Destruição criativa 2.0
Hélio Schwartsman
Não compro muito a ideia de que a inteligência artificial (IA) vai destruir o mundo. Digo-o não porque tenha conhecimento privilegiado do porvir – em tese, é perfeitamente possível que as IAs sejam nossa ruína –, mas porque sei que, diante do novo, nossa tendência é sempre a de exagerar os perigos. Quem quiser uma confirmação empírica disso pode pegar nas coleções de jornais os artigos catastrofistas dos anos 1970 e 1980 que comentavam o advento dos bebês de proveta, que hoje não despertam mais polêmica.
Daí não decorre que devamos tratar as IAs com ligeireza. É uma mudança tecnológica de enorme potencial e que terá impactos, em especial sobre o emprego. Já vimos antes a chamada destruição criadora em ação. Mas, ao que tudo indica, desta vez, a aniquilação de postos de trabalho se dará em escala maior e atingirá também funções criativas ocupadas pelas elites intelectuais, que foram poupadas em viragens tecnológicas anteriores.
O “big picture”, porém, talvez não seja dos piores. Tanto Marx como Keynes anteviram um mundo em que as mudanças tecnológicas avançariam tanto que resolveriam o problema econômico da humanidade, isto é, as máquinas produziriam sozinhas e de graça tudo o que necessitamos, de comida a bens industrializados, passando por vários tipos de serviço. A dificuldade é que, como isso não vai acontecer da noite para o dia, devemos esperar uma transição complicada. E complicada não apenas em termos econômicos e sociais mas também psicológicos.
Quando conhecemos uma pessoa, uma das primeiras perguntas que lhe dirigimos é “o que você faz?”. Vivemos em sociedades em que os indivíduos se definem em larga medida por sua profissão. Tirar isso deles pode provocar um vazio existencial. É até possível que, com o problema econômico resolvido, passemos a extrair transcendência de outras atividades. Imagine um mundo de artistas. Mas isso vai exigir uma revolução anímica.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2023/09/destruicao-criativa-20.shtml.
anímica: que é próprio da alma
Assinale a alternativa que aborda a tese do texto.
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Comentário da Questão – Interpretação de Texto (Coerência e Tese)
1. Tema central: Esta questão exige interpretação de texto, mais especificamente a identificação da tese — a ideia central defendida pelo autor. Segundo a norma-padrão e gramáticas como Bechara (2009), a tese é o “norte” do texto, servindo de base para toda a argumentação.
2. Alternativa correta:
B) A substituição progressiva das funções criativas pelas IAs levantará uma questão de autoidentidade cuja superação exigirá uma transformação radical da essência humana.
Justificativa: O autor trata do avanço da IA sobre funções criativas e alerta que isso afetará profundamente como as pessoas se veem (autoidentidade), pois nosso papel profissional está atrelado à nossa identidade. Ele conclui que, para lidar com a nova realidade, será preciso uma transformação anímica, ou seja, uma mudança profunda na essência humana. Isso está de acordo com o que ensinam Ingedore Koch e Celso Cunha sobre coerência textual: para reconhecer a tese, é preciso identificar o fio condutor do argumento do autor.
3. Análise das alternativas incorretas:
- A) Foca apenas nos artistas e sugere graves problemas psicológicos, exagerando e restrigindo o alcance do texto, que fala de todos os profissionais afetados pela IA e de um cenário mais amplo.
- C) Afirma que as elites intelectuais se tornarão artistas, o que não é defendido pelo texto; o autor usa “mundo de artistas” como hipótese, não como certeza.
- D) Mistura conceitos: Marx e Keynes falaram das máquinas solucionando problemas econômicos, mas não há relação com bebês de proveta na tese central.
- E) Usa a expressão “inversamente proporcional” sem base textual; o texto não contrapõe os avanços da IA em áreas diferentes dessa forma.
4. Estratégias para acertar questões semelhantes:
Procure identificar palavras-chave (como “autoidentidade”, “revolução anímica”) e conectivos conclusivos que sinalizam a ideia central. Evite ser levado por expressões absolutas nas alternativas e desconfie de generalizações indevidas.
Resumo da Regra: A tese de um texto é, segundo Bechara e Koch, sua ideia central, normalmente explícita nas conclusões e sustentada ao longo de toda a argumentação, devendo ser identificada por coerência e relevância temática.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo
Comentários
Veja os comentários dos nossos alunos
"Transformação radical da essência humana"?
Da onde eles tiram esses conceitos?
Em que parte do texto isso está declarado, mesmo que implicitamente?
As interpretações dessa gente é só porcariada!
ERGA-SE!
Clique para visualizar este comentário
Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo