Quinhentos empregados com idade variando entre 33 e 65 anos,...
Quinhentos empregados com idade variando entre 33 e 65 anos, trabalham em um mesmo ambiente, com riscos à saúde comuns a todos. O principal agente de risco é o nível de pressão sonora, e a dosimetria deste GHE sempre foi aferida em 88 dB para uma jornada de trabalho de 8 horas. Dos 68 empregados que apresentam problemas auditivos, só apresentam no audiograma perda compatível com aquelas atribuídas à exposição a sons intensos que, ou foram desencadeadas ou vêm piorando nos últimos 10 anos; 29 são diabéticos; 40 têm dislipidemia e 15 apresentam doença vascular. Todos usam protetores auditivos com NRR-sf igual a 21dB e foram treinados e fiscalizados quanto ao uso de proteção, desde a sua admissão na empresa. Os protetores possuem CA e a empresa possui um PCA organizado. Analisando esse caso, à luz dos cuidados quanto a riscos em ambiente de trabalho, conclui-se que:
I - as perdas auditivas devem ser caracterizadas como ocupacionais, pois os protetores, embora usados corretamente, não protegeram a audição dos empregados do risco NPSE;
II - o nível de pressão sonora obtido na dosimetria do GHE mostra que o dimensionamento do EPI não foi adequado para a sua neutralização;
III - diabetes, dislipidemias e doença vascular são fatores determinantes de perdas auditivas independente do nível de pressão sonora elevado (NPSE);
IV - o uso adequado de EPI, corretamente dimensionado ao risco NPSE, o neutralizou;
V - os empregados não ficaram expostos ao risco, mas tão somente em risco de exposição.
São corretas as conclusões
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Trata-se da perda auditiva relacionada ao trabalho, especificamente à exposição ocupacional a níveis elevados de pressão sonora (ruído), conceitos de proteção auditiva efetiva e comorbidades que impactam a audição.
Justificativa para a alternativa correta (E):
A análise detalhada do caso evidencia que:
- III – Diabetes, dislipidemias e doença vascular são reconhecidos na literatura como fatores de risco independentes para perdas auditivas. Tais condições podem comprometer a microcirculação coclear ou o metabolismo neural, favorecendo hipoacusia mesmo em ausência de ruído (Guia de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde, e revisão em Revistas USP, 2023).
- IV – O uso adequado de EPI – no caso, protetores com NRR-sf de 21 dB – reduz a dose efetiva de ruído a níveis seguros (88 dB → 67 dB), abaixo do limite permitido (85 dB). Isto está em consonância com as NR-9 e recomendações internacionais de prevenção (OIT, OMS).
- V – Exposição ao risco e estar em risco de exposição são conceitos distintos: com uso correto dos EPIs, o trabalhador não sofre efetivamente a agressão dos agentes nocivos, embora o risco potencial exista no ambiente. Isso é recorrente em provas e em normativas (Manual CIPA, SESMT).
Análise das alternativas incorretas:
- I e II: Apontam erro no EPI ou atribuem automaticamente causalidade ocupacional, desprezando o papel das comorbidades. Isso contraria o entendimento de multicausalidade e a avaliação do controle da exposição (NR-7, Guia de Vigilância em Saúde).
- I, II e III (C): Misturam análise correta (III) com incorreta (I e II).
- I, III e V (D): Trazem acertos parciais, mas incorrem no erro da atribuição exclusiva ao fator ocupacional.
Atenção à leitura crítica das alternativas! Pegadinhas são frequentes em questões de Medicina do Trabalho, principalmente ao abordar multiplicidade de causas e eficácia dos EPIs.
Referência normativa:
Segundo o Guia de Vigilância em Saúde (Ministério da Saúde, 2023), p. 681: “Fatores metabólicos como diabetes mellitus, dislipidemias e doenças vasculares podem predispor à perda auditiva mesmo sem exposição ocupacional ao ruído.”
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